quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hoje eu vi Juliana chorando

Hoje eu vi Juliana chorando. Ela chorava porque não queria sentar no colo da mãe. E todo mundo olhava e dizia, não chora, Juliana, deixa que a gente chora por você. Mas não adiantava.

Porque Juliana quando chora, seja por não querer sentar no colo da mãe, seja por morte de alguém, chora por sentir a maior dor do mundo. Chora como se tivesse a vida inteira sentado no colo da mãe – e no colo da mãe tivesse espinho que espeta a bunda. Chora como se o tio-avô distante por parte de pai, aquele que morreu, fosse a pessoa mais importante da vida. E chora.

Chora por comida, por barata, por brigar com o namorado, por coisa bonita na tevê, por não sair nunca de casa - e querer sair toda hora -, por ciumeira, porque a empregada jogou fora aquele copo da Antarctica do show da Madonna, por fazer as pazes com o namorado, por acidente de avião, por sair sempre de casa - e querer ficar a vida inteira em casa.

Juliana, eu peço: nunca chore! Nunca chora porque você chorando é tão triste. Que quando eu te vejo chorando, me sinto melhor amigo do tio-avô-distante-por-parte-do-seu-pai que nunca conheci.

Mas Juliana, mais do que pedir para você não chorar, eu peço para você chorar sempre. Chora sempre, que quando você chora, a gente tem a certeza de que a coisa mais feia, mais triste, mais fodida do mundo, pode ser linda. Linda no seu choro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Praticamente um Neido Duarte!

Adorei!

Anônimo disse...

*-* que lindo.