quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Vocês, os brasileiros
Vocês devem me achar igual a qualquer outro japonês, que Jackie Shan e Shimizu Suzuki são a mesma coisa, não acham? Ora, não façam essa cara envergonhada! Digo mais! Vocês devem me achar parecido com qualquer chinês! Que Yao Ming e Shimizu Suzuki são rigorosamente iguais, não acham? Eu falaria o mesmo dos coreanos, mas não me vem à cabeça nenhuma celebridade coreana que vocês conheçam! Mas não fiquem com essas caras de nazistas recém-descobertos! Pois lá no Japão, todos nós achamos que os ocidentais é que são todos parecidos! Uma vez passaram dois ônibus cheios de ocidentais, e sabe o que foi que eu pensei? Que os ônibus eram iguais! Igualzinho à piada! Igualzinho, igualzinho!
Nós, os japoneses
Vocês devem achar muito esquisito, um país como o Japão. Aqui, como a vingança aí, Sushi é um prato que se come frio! As garotas pintam muito os cabelos - os garotos também, é verdade -, os idosos têm sempre um passo serelepe, os universitários passam o dia fazendo conta - as crianças, os adultos e os idosos também! -, mestres passam a vida aprimorando a caligrafia - e ainda assim são chamados de mestres! -, todos dão um risinho tímido - até os descolados! -, enfim, fazemos muitas esquisitices. Mas o que vocês devem saber é que, apesar disso tudo, somos muito parecidos com vocês, os brasileiros. É que fazemos as coisas mais difíceis e esquisitas do mundo com o intuito de aparecer!
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Entrevista - Robert Farrys
Robert esteve pouco acanhado tomando seu suco de coco gelado e deu declarações que deus duvidaria, caso não fosse onipresente. Claro que procurei não abordar temas tabus, como a virgindade da rainha da Inglaterra, ou dos golaços de Rivaldo e Ronaldinho na Copa de 2002. Porque, diferentemente dele, meu comportamento é de um lord inglês, na hora de receber visitas. Na hora de fazer visitas também, mas detesto sair do Brasil.
Esta entrevista foi realizada hoje mesmo e peço-lhes a compreensão pelos possíveis problemas lingüísticos.
Eu: Olá, Robert! Como está sendo sua estadia no Brasil? Tem sido bom para você renovar seus laços de amor com a sua querida e amada Inglaterra?
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: Sei, sei. Outro dia me disseram que você disse que na Inglaterra até os mendigos e as crianças falam inglês. Me surpreende que um homem deste tamanho não saiba falar português!
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: É, eu sei. Inclusive eu acho que todo mundo que não fala português é gay. Os americanos, argentinos, eslovenos, paraguaios. Tudo gay. A não ser que fale português. Concorda comigo, né?
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: Então aquelas mulatas que você abraçou, beijou... Tudo recalque?
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: É complicado, rapaz. Enganando as moças assim, não pode! Você não acha engraçado que quando o brasileiro vai à Inglaterra, ele tem que se virar para falar inglês; e quando o inglês vem ao Brasil, é o brasileiro de novo quem tem que se virar para falar inglês?
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: Eu acho isso uma coisa muitíssimo chata e desagradável. A visita que se vire, rapaz!
Robert: I don´t speak portuguese.
Eu: Para finalizar a nossa entrevista, say hi, Brazil!
Robert: Hi, Brazil!
Eu: Oh, yeah!
Robert: Yeah!
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Pequenas causas, grandes discursos #1
Eu sou do tempo em que as mães se preocupavam com os filhos mais do que se preocupavam com elas mesmas. Do tempo em que as mães abriam mão de cosméticos que aumentariam a própria beleza e atrairiam novos amantes, para que os filhos pudessem comer e engordar, afastando as possíveis namoradas.
Eu sou do tempo em que ninguém dizia que se cria os filhos para o mundo. Porque se dissesse, além de mentir, a pessoa seria excomungada das igrejas, isolada do círculo de amigos, além de ter de encarar uma cara azeda do filho por mais de uma semana! A gente sabia que criava os filhos para nós mesmas para, talvez, um dia, entregá-los para uma mulher que nós escolhêssemos, que nós quiséssemos, que fosse boa para a mãe antes de ser boa para o filho.
Mas esse tempo, meu filho, acabou. E as mães que criam os filhos para elas mesmas, são ironizadas por todos e denunciadas por psicólogos prafrentex! Agora, é preciso criar os filhos para o mundo e aceitar que ele se vá embora de casa com uma mulher que ele goste, que o mundo ofereça. Ora, meu filho, eu não gosto do mundo. Gosto de mim e gosto que você goste de mim. Entenda que o crio melhor criando para mim. E assim todas as mães! Ninguém reveste de zelo aquilo que será dos outros.
Agora, porém abro uma exceção. Permita-me um segundo de preocupação por você como se você fosse meu. Não deixe a toalha em cima da cama, filhote. Entenda que sua cama molhada lhe causará um irremediável resfriado. E um resfriado em você, resfria em mim.
Tenha um bom dia,
sua Mãe
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Sexto capítulo, bloco único
- Todas as barrigas se parecem.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Entrevista comigo mesmo #9
É muito ruim ser uma visita inconveniente. Pior do que isso é ser uma visita inconveniente de horário marcado! Falei: "André, amanhã, onze horas, passo aí para a entrevista, que faz tempo que a gente não faz!" Ele disse que tudo bem, e pelo telefone não aparentou o menor mau-humor.
Mas temos que compreender o rapaz recém-operado que não pode sequer digitar: tem que ditar tudo para a namorada.
Eu: Vamos levantando?
André: Não, não. Ai! Não encosta aí, que tá doendo!
Eu: E como vem sendo esse pós-operatório?
André: Palavra da moda.
Eu: Como assim?
André: Hoje todos temos palavras médicas no nosso vocabulário. Outro dia ouvi um fulano dizer que o amigo tem transtorno bipolar embora também tenha o transtorno obsessivo compulsivo. Sabe o que o amigo tinha afinal?
Eu: Não. O quê?
André: Ele alternava pequenos maus humores. Acordava mal humorado de manhã, entende? E de tarde já estava bom. Isso para o fulano era transtorno bipolar. E sabe de onde vem o TOC?
Eu: Ã.
André: Porque o sujeito lavava as mãos de duas em duas horas. Francamente! Agora vem você dizendo essa palavra hedionda, pós-operatório, na maior cara de pau. Como se você fosse um médico conversando com o paciente aqui. Olha. Se isso não fosse publicado depois no seu blog, que é de muito bom gosto, eu falaria um palavrão daqueles!
Eu: Pode falar!
André: Não tenho coragem!
Eu: Já era de se esperar. Mas me conta. Como foi no hospital?
André: Foi muito bom. Acho que vou fazer uma série de posts, até com um ítem para se pesquisar depois: no hospital. Teve enfermeira fofocando com a outra um pouquinho antes de eu operar, teve anestesista engraçado, japonesa voluntária, enfermeira insegura na hora de furar minha mão. Mas tinha Sportv no quarto. A vida fica um pouco mais fácil de se suportar quando tem um futebolzinho passando na TV.
Eu: Ah, isso é. Adoro futebol.
André: Eu também. Para que time você torce?
Eu: Palmeiras.
André: Eu também. Tô com a camisa do Inter mas sou Palmeiras. Quer dizer, sou um palmeirense colorado. Colorado por amor. É que a minha vida se resume a fazer e querer o bem da minha namorada, e ela é colorada. Como que vou deixar de torcer para o time dela se a amo tanto?
Eu: Entendo. Amor para você é isso?
André: Rapaz. Para Fauro Goares, amor pode ser resumido em duas palavras: Sidney e Magal. Para mim, é quase isso. Amor, para mim, é ficar o tempo inteiro à disposição de quem se ama. É ficar de quatro. É ficar de três, quando se é Saci. É abrir o refrigerante da pessoa amada quando se está louco de vontade de comer bife. Amor, rapaz, é não mandar currículo porque a vaga é para trabalho de final de semana. É gostar de H2O mesmo nunca tendo gostado de nada light. É não tomar Coca só porque a pessoa amada tem ciúmes, mesmo sempre tendo gostado de Coca. É perder o foco da entrevista só para puxar o saco da pessoa amada.
Eu: Sei. Algo mais?
André: Falávamos do Inter, certo? Amor é quando o Palmeiras perde para o Inter de dois a um, e eu volto pra casa com a camisa do Inter.
Eu: Lindo!
André: Eu sei, eu sei. Amor é querer se recuperar de uma cirurgia só para ver o amor. Amor quando se sente uma dor e agradece a deus por não ser na pessoa amada que está doendo.
Eu: Sei. E por que essa entrevista vai sem foto?
André: Porque estou contundido para fazer a montagem.
Eu: Beleza. Um grande abraço e até a próxima!
André: Tá ok, meu chapa. Agora vai lá na geladeira e pega uma coquinha para mim, sim?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
No hospital #4
- Nossa! Que cabelão! Quem me dera ter esse cabelão todo! - disse o enfermeiro careca ofendido pelo meu cabelo grande, querendo dizer por meios ilícitos que prefere ser careca a ter que passar por uma cirurgia.
- Na sua idade eu era assim! Você vai ficando velho e vai ficando careca que nem eu. - continuou o enfermeiro, porque bondade de careca dura pouco.
No hospital #3
- Posso tomar Coca?
- Ah! Espera chegar em casa para tomar Coca! Imagina, tomar Coca no hospital? Eles aqui são contra! Coca no hospital, não pode. Hospital é lugar de coisa saudável!
Quando a médica foi embora, minha mãe se dirigiu à cantina e me trouxe uma Coca sem que eu precisasse pedir. Porque a médica não ia me impedir de tomar Coca-Cola utilizando argumentos morais!
No hospital #2
- Olá, eu sou a voluntária aqui do hospital. Tudo bem? Eu vi que você está com uma cor boa! A operação foi quando? Ah, fique tranqüilo que tudo vai ficar bem, que você vai se recuperar bem. Pensamento positivo, tá bom? Pensamento positivo atrai coisas positivas. E você está se alimentando bem? Então tá bom. Com pensamento positivo e boa alimentação, você vai se recuperar logo. Eu vou indo. Qualquer coisa, me chama que eu estou logo ali. Tchau!
Ela fecha a porta e eu falo para a minha mãe:
- Mãe.
- Quê.
- Ela é voluntária, né?
- É, sim, filho. Por quê?
- Claro que ela é voluntária. Porque ninguém a contrataria.
No hospital #1
- Oi, tudo bem? Desculpe interromper. Eu sou a nutricionista e trabalho aqui no seu andar. Vim perguntar sobre o que você gosta. Você gosta de alface? Não? De espinafre? Não. O que você gosta e que seja verde? Não, o Palmeiras não vale. Nem tirar catota do nariz. Nem da Floresta Amazônica. Acho que você não entendeu a minha pergunta. Eu quis dizer o que você gosta, que é verde, e que dê para comer? Ah, sim. Alface? Eu já tinha perguntado mas tudo bem. Abobrinha você gosta? Não? E batata? Batata você gosta, né? Sei. Não, Coca-Cola não pode.
- Os hospitais são muito ingratos. Metade dos hospitais não existiriam se não fosse a Coca-Cola.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Kumon
E eu, não falo, português, desse jeito, pausado, como, você, deve, estar pensando. Eu falo normalmente, sem grandes pausas, porque envio o texto em japonês para a namorada e noiva do criador do blog, e ela traduz tudo direitinho, com as vírgulas onde devem estar, e os pontos finais também.
Esta é uma grande oportunidade para os ocidentais se depararem um pouquinho mais com a visão oriental de mundo. É o mundo em visão widescreen, se é que vocês me entendem.
Hoje, para um impressionante início, vou falar um pouco mais do Kumon, o método matemático japonês muito conhecido no Brasil.
Talvez você não tenha percebido, mas eu disse uma inverdade no parágrafo acima. É que o Kumon não é somente um método matemático. É um método de vida. Você não faz cálculos somente com a técnica Kumon; não; você vive diante da técnica do Kumon.
Ele surgiu no século III no Japão, na província de Tayshin, quando o mestre Hartori percebeu que em sua província, as pessoas perdiam muito tempo exercitando partes pouco importantes do corpo. "Eles ficam exercitando o braço, a cabeça, os dedos, quando somente duas partes do corpo são realmente necessárias, e o desenvolvimento das outras partes provem unicamente dessas duas", disse o mestre Hartori para a imprensa local na época.
As duas partes principais são o cu (ku) e a mão (mon), daí o nome, kumon.
O cu tem sua importância por eliminar do corpo tudo o que não lhe é util. O cu é para o corpo o que o segurança é para uma casa de shows. É claro também que uma das funções mais primordiais do nosso segurança é a de não permitir que ninguém entre pela porta dos fundos.
E a mão serve para cozinhar, escrever e, principalmente, coçar.
Você seria capaz de viver sem defecar e sem se coçar? Eu também não. É por isso que sou um praticante audaz do Kumon!
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Circo e ONGs brigam por guarda de leões em Brasília
- Tudo, tudo bem!
Eu soube que essa briga é antiga, Geraldo. Onde você começou trabalhando primeiro?
- Foi no circo. Minha função era cuidar do público e dos leões, não nessa mesma ordem, mas também não na ordem inversa. Quer dizer, não tinha ordem. Minha função era cuidar dos dois. Foi quando apareceram quatro ONGs naquele lugar. Primeiramente fiquei aliviado, pois pensei que eles vieram para protestar contra os tratos oferecidos à minha pessoa, compreende? Trabalhava quatorze horas por dia e ganhava setecentos reais. Não era isso. Então pensei que eles reclamavam dos tratos que eram oferecidos às pessoas, porque eu comumente as deixava de lado para cuidar dos leões. Também não. Você acredita que eles vieram foi por causa dos leões?
Dos leões? Que que tinham os leões?
- Eu oferecia a eles de graça a comida que as pessoas tinham que pagar para comer. Não é um absurdo reclamar de uma condição de vida dessas?!
Eu soube que os leões eram deixados em jaulas, Geraldo.
- Claro! Eu estava protegendo os leões do público. Rapaz, você não acredita o que uma criança é capaz de fazer com um leão. Se não cuidar, mata!
Sei, sei. Entendi. Conta como evoluiu essa história.
- Então. Aí eles souberam da minha condição trabalhista e ficaram encantados! Porque essas ONGs também têm leões, e custa muito caro mantê-los. Eles querem me contratar a qualquer custo! Não. A qualquer custo, não. Melhor dizendo, simpatia: eles querem me contratar com esse salário e essa carga horária a qualquer custo, compreende?
Sim, sim. Você se sentiu seduzido por alguma oferta?
- Inicialmente, não. Porque aqui no circo a gente pelo menos se diverte. Nas ONGs não teria nada pra fazer. Seria ouvir gente inteligente pra cá, gente engajada pra lá. Cá entre nós, prefiro os palhaços!
Este é Geraldo, o guarda mais disputado da Capital Nacional! Tenham todos uma boa noite!
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quinto capítulo, segundo bloco
Rodolpha volta do desmaio e se surpreende com o médico novo.
- O que aconteceu com o doutor Armindo?!
- Ele sumiu. Ele e o Marquinhos sumiram.
Dona Rodolpha desmaia novamente, mas dessa vez, não sei, não!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quinto capítulo, primeiro bloco
- Que susto, mãe! Todo mundo achou que a senhora tivesse morrido!
Na verdade, Rodolpha escorregou perto da janela e caiu no terceiro andar. Nada grave.
- Somente algumas semanas de repouso e depois... bem, pronta para outra ela não estará, porque não imagino ninguém pronto para cair do terceiro andar. Mas a senhora estará melhor que antes, porque aproveitamos para retirar um sisto pelinoidal que a senhora tinha no cóccix!
Lúcio finge que não ouviu o que o médico disse e tratou de explicar à mãe.
- Mãe! O travesti era só o meu amigo! Era o Marquinhos! Lembra do Marquinhos, que ia lá em casa quando eu era criança? Então, mãe! É o Marquinhos, meu amigo!
Rodolpha vira a cara do lado, como se estivesse entrado em coma, e o médico se apressa em tirar-lhe a pulsação.
- Fica tranqüilo, Lúcio. Foi só um breve desmaio. Jura que o Marquinhos virou travesti?
- Pois é!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quarto capítulo, terceiro bloco
Lúcio atende o telefone sem muita vontade e escuta o que dizem no outro lado da linha. Da cara estática, sai uma lágrima. Da boca, não sai nenhuma palavra. Do pênis, sai xixi de tanto medo que ele tem de perder a mãe. A bermuda branca fica visivelmente manchada e close no chão, porque começa a pingar xixi.
Ele deixa o telefone sem fio de lado sem ao menos desligá-lo e se levanta: péssima escolha. Escorrega no próprio xixi e cai com o braço direito no chão, que entorta feito aqueles braços de jogadores que vemos no YouTube.
Ufa. Terminou este quarto capítulo horrível e trágico!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quarto capítulo, segundo bloco
Solange escorrega, cai com a testa bem na quina da mesa e começa a sangrar. A empregada aparece correndo, com um papel-higiênico nas mãos:
- O que foi isso, dona Solange? A senhora escorregou e caiu feio!
A empregada também escorrega e as nádegas funcionam perfeitamente como Deus as projetou: para amenizar o impacto. Eis que a empregada não sofre nenhum dano e começa a rir com Solange - com a testa já roxa.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quarto capítulo, primeiro bloco
- Dona Rodolpha se matou depois que soube que o filho é gay.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Terceiro capítulo, quarto bloco
Visivelmente chateado, Lúcio encontra Solange em um banco qualquer. Ela se senta lepidamente ao lado dele, se esquecendo momentaneamente de que Lúcio esteve na capa do jornal ao lado de um travesti.
- Quer ver a minha tatuagem nova?
Lúcio olha muito a contra gosto, quando de repente seu rosto se expande e começa a rir. Não conseguindo falar palavra por palavra, tenta uma vez:
- Sua tatuagem haha..
Solange fica assustada, mas não deixa de se exibir. De novo:
- Sua tatu haha..
Solange fica séria, endireita o corpo, e grita:
- Estrebucha! Diz logo o que que tem a minha tatuagem!
- Está escrito errado!
Amanhã tem mais Eu não sou Virgem maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Terceiro capítulo, terceiro bloco
Solange teve uma grande idéia no dia de hoje - não sem antes rir com a notícia no jornal. Curioso é que ninguém perguntou como vai o braço de Lúcio.
- Vai bem, vai bem, o tiro só pegou de raspão. Só vamos precisar de alguns dias com esse braço imobilizado, que ele estará pronto para outra! - diz o médico que não tem cara de médico.
Solange quis fazer uma tatuagem com uma frase escrita em inglês. Em inglês?
- Of course - diz Solange exibida ao falar inglês como fica exibida uma moça ao usar anel, por exemplo.
Anda pelas ruas de São Paulo rebolando aquela bunda feia e flácida no meio dos passantes, que fingem que não estão sendo filmados. Fundo musical? Pagode.
Corte para Solange saindo da loja de tatuagem. Close na tatuagem: "I´m am the best"
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Terceiro capítulo, segundo bloco
Rodolpha devolve o suco de mamão à mesa com uma certa força encenada.
- Não pode ser!
Close na capa do jornal, a manchete: Jovem é assaltado enquanto passeava com travesti nas ruas de São Paulo. A foto é taxativa: Lúcio sangrando e o imenso travesti pondo as mãos em sua genitália.
Claro que o travesti não teve nenhuma relação sexual com Lúcio. Eles eram amigos de infância e saíram para comprar um presente para o amigo que têm em comum, Rubens, porque era aniversário dele.
Dizem que fazer coisa escondido atrai publicidade. Isso não é verdade. Isso só acontece em novela, não na sua vida, por exemplo. O que realmente ocorre é que não sabemos agir quando queremos esconder as coisas. Fazemos coisas exageradas na tentativa de esconderijo. É que nem o sujeito que enterra um baú cheio de dinheiro. Querendo esconde muito bem o baú, ele enche com tanta terra, que acaba fazendo um calombinho no solo. Aí é que desconfiamos.
O calombinho da história é que estava tão quente, que ninguém fecharia os vidros do carro e andaria com os faróis desligados.
- Mas o carro não tem ar-condicionado?
Esta é uma novela sem ar-condicionado.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Terceiro capítulo, primeiro bloco
- Assalto!
Lúcio diz que daria tudo o que os assaltantes quiserem, que podem levar o carro, que levem a carteira, que levem o celular! Ele joga o celular para fora do carro e por um infortúnio que você não acreditaria se não fosse eu quem estivesse falando, acerta a cabeça do assaltante mais esquentadinho. No reflexo, o marginal dá quatro, cinco tiros, sendo que um acerta Lúcio no ombro.
No dia seguinte.
Rodolpha toma o café da manhã silenciosamente, lendo o jornal e abre a boca numa interpretação louvável.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Segundo capítulo, segundo bloco
Lúcio se encontra com Solange no ponto de ônibus.
- Que cara é essa, Solange?
- Que cara é essa, digo eu! Você que tá de um jeito esquisito!
- É que minha mãe tá desconfiando que eu sou gay.
Solange ri tanto, e tanto, que a situação fica engraçada pela própria risada.
- Que foi?! Que foi?!
- Nada, é que...
Ela continua a rir, e a trilha sonora é irreverente, com Lúcio nervoso fazendo figa contra Deus.
Fim do primeiro capítulo.
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Segundo capítulo, primeiro bloco
Ela usa um biquíni laranja que a deixa mais feia ainda. Ela é magra feito um pastel de queijo e é como um atacante colombiano, que faz sempre uma expressão a mais em qualquer cena. E arregalou muitíssimo os olhos quando viu Murilo, o surfista.
- E aí, Solanginha! Vai pegar uma onda? - diz Murilo em tom de galhofa.
- É claro! - diz Solange sem perceber a galhofa.
Solange pega a primeira prancha que vê pela frente e ruma ao mar. Murilo se ajunta a um sujeito velho com cara e jeito de Nuno Leal Maia, os dois cruzam os braços e esperam pelo vexame de Solange.
- Socorro! - diz solange se afogando. E Murilo se espreguiça antes de salvá-la no mar.
- Eu pensei que fosse morrer!
- Eu também pensei que você fosse morrer - diz o sujeito que se parece com o Nuno. - É pena que me enganei!
Todos dão risada desproporcionalmente e Solange faz que não entende.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Primeiro capítulo, segundo bloco
Berenice está com uma cara excitada, mas dessa vez nada sexual. Olha para a amiga desconhecida ao público e diz, quase gritando, com uma voz irritantemente fina:
- Consegui! Acho que consegui!
- Que foi, amiga? Que foi?!
- Falei para a mãe do Lúcio que ele é gay! A mulher ficou muito desconfiada e acho que vai me dar a maior força!
Fim do primeiro capítulo.
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Primeiro capítulo, primeiro bloco
Numa dessas ruas, está Berenice segurando a mini-saia, com cara de assanhada, mordendo os lábios e olhando para Lúcio, entediado.
- Duvido que você não quer.
- Nem vem, Berenice! Não adianta insistir!
- Você é viado. Tu é baitola. Tu gosta de dar o cu. Você é frutinha. Tu é menininha. Tu solta a franga!
- Não é isso, Berenice, não é nada disso! Eu só não estou afim de você!
Lúcio anda para o lado oposto enquanto Berenice lambe os lábios lascivamente. Por que será que ela lambe tanto os lábios, o telespectador mirim pensa; o telespectador adulto não pensa nisso, pois já está acostumado a atrizes bonitas que não sabem interpretar. Eu discuti isso profundamente com os produtores.
- Sem essa, André. Eu entendo de público. O público gosta é de mulher bonita para fazer esses papéis. Não precisa saber interpretar. É só usar uma roupinha bem curtinha! Pra fazer papel de mãe, de avó, é que tem que saber atuar e não precisa ser bonita!
Eu pensei nessa hora: como que ele sabe do que o público gosta? É claro que o papel da assanhada é muito difícil. Uma mulher feia assanhada impressionaria muito mais do que essa bonitona que fica lambendo os lábios feito uma camela. Mas a culpa não foi minha e não farei mais menção à inabilidade de Berenice.
No dia seguinte.
- Não, meu filho não é gay! - diz Rodolpha, a mãe de Lúcio ao telefone. - Eu sei, eu sei, não, não... essa menina está acabando com a vida dele. Tá todo mundo pensando que ele é gay, mas eu juro que ele não é. Eu juro!
Rodolpha desliga o telefone com uma força desproporcional e fica pensando, olhando para o teto, quando seu filho Lúcio abre a porta.
- Ah, meu filho! Eu estive tão preocupada com você!
- Sei, mamãe. Que que é esse gloss que a senhora está usando? Não combina com seus lábios.
Rodolpha olha para o alto e tem a confirmação súbita. É esse o momento banal em que as pessoas percebem coisas importantes. Ela precisava somente de um estalo. E o estalo foi a martelada final. Lúcio já comentou do gloss da mãe por várias vezes, mas foi somente nessa vez que Rodolpha entendeu tudo. Ela põe as costas da mão esquerda na testa e parece que vai desmaiar.
- Que foi, mamãe?! Que foi?! Nunca vi a senhora nesse estado!
- Nada, filho. Por que você não gosta de futebol, hein?
- Porque sua, mãe. E estraga a pele!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria, a novela - chamada #3
- Duvida que eu pegue aquela onda, Raul?
- Duvido. (Risos)
- Você vai ver só!
Solange tenta pegar a onda, cai no raso e machuca o cócsis. Volta para a areia andando com visíveis dificuldades.
Isso vai causar muita confusão! Na próxima novela, escrita e dirigida por André Cintra, o escritor das multidões: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria, a novela - chamada #2
- Mãe, me empresta dinheiro pra comprar um cd pirata em promoção?
- Não tem, filha.
Ela usará de todas as formas para conseguir o que quer.
- Aí, Raul. Se tu me comprar aquele cd pirata em promoção, sou todinha sua.
Isso vai causar muita confusão! Na próxima novela, escrita e dirigida por André Cintra, o escritor das multidões: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria, a novela - chamada #1
(Beatriz passa por Lúcio com o nariz em pé e Lúcio deixa a mãe falando sozinha)
- Lúcio, escuta o que eu tô falando, menino! - diz a mãe percebendo o porquê da distração do filho.
Isso vai causar muita confusão! Na próxima novela, escrita e dirigida por André Cintra, o escritor das multidões: Eu não sou Virgem Maria!
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Blog lançará novela
Disse aqui que é a primeira novela em blogs da internet brasileira. O sujeito deve ter pensado:
- É a primeira do mundo! Por que ele se restringiu ao Brasil?
Porque o mundo não nos interessa. Se um americano lançasse a novela, ninguém se interessaria, porque estaria em inglês. Ler uma coisinha em inglês, tudo bem; agora, ler uma novela inteira requer muito esforço.
Falemos da novela.
Por questões promocionais, ela terá um nome parecidíssimo com o do blog: Eu não sou Virgem Maria!
Não se anime: não haverá filmagens. Será uma novela escrita, sem Youtube ou Rede Record, e terá a exibição diária de um capítulo.
A trama toda se passará em cidades como São Paulo, Santos e Guarujá, e vários personagens surgirão ao longo da primeira temporada.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
André compareceu à oitava entrevista depois de muito custo. Estava tudo pronto para que fosse na sexta-feira passada, quando ele me liga com aquela voz que a gente nem precisa ouvir o resto para saber da mensagem. É a voz que a gente usa para desmarcar alguma coisa.- Alô?
- Tá bom, André. Já esperava que não fosse dar. Para quando você pode?
- Não sei, não sei. Talvez na próxima sexta.
Marcamos para a próxima sexta com dois pés atrás – um meu e um dele.
Eis que nesta quarta-feira André me liga com uma voz séria e contundente:
- Tem que ser agora.
- Só se for agora!
- Demorou.
Ei-la:
Eu: O que você tem, que não tem ido trabalhar, que não tem ido estudar, que não tem atualizado o blog, que não tem ido a Santos?
André: As três primeiras coisas eu faria de muito bom grado mesmo se não tivesse nada; mas a última... Rapaz, não ir para Santos ver o meu benzinho é pior do que pisar no cocô com a testa. Acontece que eu operei há seis anos e meio o meu cisto pilonidal. Sabe o que é isso?
Eu: Fica no cóccix, né?
André: Isso, fica no cóccix. Não tem nada a ver com o cu, a não ser pela proximidade. Isso tem a ver com o cu o que os Estados Unidos têm a ver com o México: nada. Ah, tirando também que as coisas do meu cu não querem ir ao meu cóccix e vice-versa. Aí não dá pra sentar, não dá pra levantar, não dá pra fazer necas de pitibiribas sem que se doa muito.
Eu: E como se resolve isso?
André: Tenho tomado antibióticos, essas coisas, mas vai ter que operar!
Eu: Dia dois, é isso?
André: Sim, sim. Opero no dia dois de outubro. Saco.
Eu: Fale sobre o início das propagandas do seu blog?
André: Qual deles?
Eu: O importante, o Eu não sou virgem, Maria!
André: Ah, sim! Vou fazer propaganda do blog pregando o endereço dele em algumas paredes. Do lado, vai ter um bloquinho para a pessoa anotar o endereço. É uma coisa boba, uma coisa inútil, mas chama a atenção, sabe?
Eu: Sei, sim. Mas por que você quer fazer propaganda?
André: É uma questão de altruísmo. As outras pessoas pedem para entrar nos blogs delas para que elas ganhem status, para que elas sejam lidas, para que elas ganhem dinheiro. Essas coisas! Eu, quando falo para a pessoa entrar no meu blog, estou sendo muito bondoso! Estou fazendo um favor sem que ninguém me peça. Sou uma pessoa de muito bom coração, embora não pareça.
Eu: Não imaginava esse seu lado. Conte uma pouco mais.
André: Eu faço cara interessada quando alguém quer contar uma novidade, eu elogio as cidades ribeirinhas - e olha que para a população ribeirinha, um elogio de um paulista tem alguma coisa de verdade insofismável! -, eu agradeço ao garçom mesmo que esteja pagando, eu devolvo o troco quando vem um pouco a mais.
Eu: E quando vem muito a mais?
André: Nunca veio, até hoje.
Eu: Tô achando você muito cheio de "Eu"! "Eu" isso, "eu" aquilo...
André: É que essa é uma entrevista comigo mesmo.
Eu: Entendi. E o Palmeiras? Ganha hoje?
André: Se quiser, ganha. Mas acho que não quer.
Eu: Dureza.
domingo, 14 de setembro de 2008
Funcionário do mês - Setembro
- Então que dia é hoje?
Dia quatorze e já estamos elegendo o funcionário do mês. Acontece que quem elege o funcionário do mês é Deus. E Ele sabe o que acontecerá no próximo mês. Ele costuma deixar o mês passar para que nos esforcemos mais e sejamos pessoas melhores. Dá para entender?
Pois que eu estava dodói, numa quinta-feira cansada, quando Deus vem esbaforido à minha procura. "Fala, Deus!", imaginando que ele viesse tratar das minhas dores. "Vim aqui para te falar do funcionário do mês", diz Deus, para minha incomensurável decepção. Acho que ele esperava que eu fosse me animar, por isso dei um sorrisinho. Aliás, não deixava de ser uma boa notícia que o funcionário do mês viesse por antecipação. Mas é tão ruim passar dor.
- Vim aqui para te falar do funcionário do mês e você não vai acreditar quem é!
Aí começamos a brincar de adivinha. Primeiro eu disse da minha namorada, noiva, amada, a Juliana.
- Não. A Juliana não pode ser funcionária do mês porque ela está em outro nível de ser-humano. Se ela ganha o prêmio, os outros humanos sentir-se-ão desencorajados, porque ela está muito distante dos outros. O funcionário do mês tem que ser algo mais tangível.
Valdívia!
- Não. O Valdívia saiu do Palmeiras. Senão seria!
Robinho!
- Quase!
Não sei, meu Deus, não sei!
- O Funcionário do mês de Setembro é David, a estátua.
Diante de meu desapontamento, Deus começou o incrível discurso:
"Primeiro devo avisar o porquê de o funcionário do mês ter vindo logo no dia quatorze.
Vi muitos humanos se esforçando, sendo pessoas melhores, deixando as velhas se sentarem no metrô, ouvindo pacientemente as mães, fazendo oferendas vultosas, maltratando os chefes, enfim, essas coisas que muito me agradam. Mas não era o suficiente. Não seria justo permitir que as pessoas continuassem competindo por algo que não poderiam vencer. David esteve perfeito neste mês, irretocável, e há muito já merecia o prêmio.
Um dos primeiros motivos que o faz merecedor do prêmio por antecipação é a certeza que tenho de que ele não irá se modificar com o prêmio. Não. Ele continuará com a mesma pose, a mesma cor, a mesma humildade. Eis o primeiro motivo: a humildade de David.
O segundo motivo é o de que David não cometerá pecados até o final do mês. Como eu sei? Ora, meu nome é Deus, e posso ver no futuro que David permanecerá são até o final do mês.
David tem outros merecimentos, não somente estas questões estáticas.
Ressalto-lhe a bundinha dele. Eu sou um Deus que me apego a bundinhas lépidas e faceiras. Bundinhas que fazem rir. Aqui cabe uma dica: bundas que almejam a conotação sexual perdem preciosos pontos divinos – e a concorrência é grande! Eu criei as bundinhas para que fizessem rir. Veja as bundinhas, como são engraçadas. Estou apaixonado pela de David.
Vejam também como David é cabeçudinho. Ele transcende a virtude da cabeça de pensar ou de ter cabelos; a cabeça de David tem a desproporção que lhe dá qualidade. Sabe quando você olha para uma coisa, pensa que ela é pior, mas depois se vê pensando: como é diferente, como é bonita! A cabeça de David um tanto avantajada é muitíssimo bonita.
O motivo preponderante é o esforço. Sabe há quanto tempo ele está com esta belíssima pose? Há muito tempo, já até perdi a conta! Mentira, eu não perdi a conta. Veja você um dos problemas em ser Deus: não se pode ser Deus e usar certos efeitos estilísticos, pois eles serão logo desmascarados. Eu não perdi a conta, mas poderia ter perdido se não tivesse essa maldita memória impecável.
Uma das vantagens de ser Deus é a de que se pode dizer palavras referentes ao Demo sem pesar a consciência.
Acontece que David está há quinhentos e quatro anos nesta posição confortável. Uma coisa é ficar alguns instantes numa posição confortável. Porque a posição é infinitamente confortável enquanto dura. Confortabilidade é uma questão de tempo. Não para David, a estátua."
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Marta é a pin up mais lasciva do concurso. Em sua inscrição, havia 18 fotos, todas com Marta nua. Nua em pêlo. E olha que ela é muito peluda. Foi um sacrifício mais que danado convencê-la a tirar uma foto vestida. Conseguimos em parte, porque ela se vestiu muito pouco. Pouco, porém o essencial.Vejamos o pronunciamento:
"Meu nome é Marta. Tiro a roupa, porque vestida sou igual a todas as outras mulheres. Assim. Eu me visto e fico tão constrangida como as outras mulheres ficam quando estão sem roupas.
Tem mulher que tem o peito mais bonito que o meu. Tem mulher que tem a bunda mais arrebitadinha que a minha. Tem mulher que tem a genitália mais bonita que a minha. Mas não tem mulher - pelo menos não que eu tenha visto - que fica tão bem sem roupa quanto eu fico. Quem me vê no ponto de táxi vestida não pode imaginar o que sou sem roupa."
Pergunta número um: Por que você só namora preto?
Resposta número um: "Porque preto emagrece."
Análise de Ewerton Clides: Sensacional resposta.
Pergunta número dois: Não há como negar. Você é feia e não é nada atraente. Por que se acha tão bonita e tão atraente?
Resposta número dois: "Eu tenho um tipo raro de lesbianismo. Eu só gosto de uma mulher, só me sinto atraída por uma mulher: por mim mesma."
Pergunta número três: Para que time você torce?
Resposta número três: "Não torço. Detesto futebol."
A nossa terceira concorrente tem o nome Silvia. Sem acento. Não é muito loira mas não chega a ser morena; é magra, mas não chega a ser esquelética; não é baixinha, mas usa salto alto; não é branquela, mas se bronzeia freqüentemente.Silvia não tem pai nem mãe, mas não sente a falta disso. "Nunca conheci meus pais. Fui roubada por uma inimiga de minha mãe que não queria ajudar uma filha: queria atrapalhar uma mãe. Mas ela se esqueceu de mim e minha mãe nunca mais me encontrou. Mas sou feliz, veja."
Primeira pergunta: Você quer ser mãe?
Resposta: "Querer, eu quero. Mas daqui a muitos anos. Uns quatro ou cinco anos."
Segunda pergunta: Você já encontrou o homem de sua vida?
Resposta: "Encontrei numa quarta-feira de cinzas. Encontrei, mas não o reconheci. Encontrar o homem da vida não é uma grande coisa. O bom é reconhecê-lo!"
Terceira pergunta: Você já encontrou a mulher de sua vida?
Reposta: "Não sou gay. Eu sei que parece por conta de minha sandália apertada ou pelo meu jeito de sentar abrindo assim as pernas. Mas detesto mulher, acredita? Só gosto de homem e olhe lá!"
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Hoje eu vi Juliana chorando
Porque Juliana quando chora, seja por não querer sentar no colo da mãe, seja por morte de alguém, chora por sentir a maior dor do mundo. Chora como se tivesse a vida inteira sentado no colo da mãe – e no colo da mãe tivesse espinho que espeta a bunda. Chora como se o tio-avô distante por parte de pai, aquele que morreu, fosse a pessoa mais importante da vida. E chora.
Chora por comida, por barata, por brigar com o namorado, por coisa bonita na tevê, por não sair nunca de casa - e querer sair toda hora -, por ciumeira, porque a empregada jogou fora aquele copo da Antarctica do show da Madonna, por fazer as pazes com o namorado, por acidente de avião, por sair sempre de casa - e querer ficar a vida inteira em casa.
Juliana, eu peço: nunca chore! Nunca chora porque você chorando é tão triste. Que quando eu te vejo chorando, me sinto melhor amigo do tio-avô-distante-por-parte-do-seu-pai que nunca conheci.
Mas Juliana, mais do que pedir para você não chorar, eu peço para você chorar sempre. Chora sempre, que quando você chora, a gente tem a certeza de que a coisa mais feia, mais triste, mais fodida do mundo, pode ser linda. Linda no seu choro.
A lição da careca
Com este dinheiro, uma pessoa pobre poderia comprar um jogador de futebol. E ainda teria cabelo de verdade. Mas Britney, como não tem, gasta todo este montante em perucas.
Esta história mostra uma contradição muito comum de todas as épocas. A do rico careca que daria todo seu dinheiro para ter cabelos. E ao mesmo tempo, do outro lado da rua, há o pobre cabeludo que daria todos os cabelos para ser rico.
Pois que o rico compra perucas. O nosso mundo é o que há gente ruiva, loira, grisalha, mas careca! Esta é a vingança dos pobres que não têm um milhão – mas têm cabelo. O rico compra a peruca que quiser, da cor que quiser. Mas sempre haverá alguém a lhe apontar e propalar com força: - "Careca!"
Porque não é só o cabelo da peruca que é diferente. Há a postura da pessoa que muda. Não há problema algum em ser careca. Há até quem goste - e nisso não há o menor mau gosto. O problema está em achar ruim não ter cabelos. Tão ruim, que se compra uma peruca.
É neste momento que o rico percebe que há coisas que não se compram, como cafuné, beijo, chulé, simpatia, sapiência, dedo, beleza, decência, nome bonito e cabelo! E isto é deveras salutar.
O pobre deve exaltar mais seus cabelos. Da mesma maneira com que o rico ostenta seus carros caros. O despeito não pode ser em vão.
O rico de nosso tempo perdeu a noção do seu tamanho. O que mais lhe carece ouvir é que ele é apenas rico. E assim, capaz de ter apenas o que o dinheiro alcança. E nos tempos em que dinheiro parece ser tudo, ficar careca é uma grande lição.
André Cintra iguala crentes a comunistas
André Cintra, estudante, revelou em colóquio íntimo que crentes, comunistas, hippies e sociólogos são rigorosamente a mesma coisa, "com a diferença de que os hippies são coloridos".
A revelação se deu depois de um professor ter dito que é comunista. "Senti uma decepção tão grande, e nesse instante percebi que jamais poderei conversar com ele", diz André, visivelmente risonho.
E o espanto em redação ao professor ocorreu também por motivos econômicos. "Minha mãe paga mil reais por mês para que eu tenha aula com um comunista?!", indigna-se. E completa: "Coitadinha!"
André concedeu rápida entrevista explusiva para tratar sobre o assunto. Confira abaixo:
Reportagem: É verdade, então, que crente, comunista, e hippies são a mesma coisa?
André Cintra: É.
Reportagem: Mas por quê?
André Cintra: Isto é fácil de se explicar. Crente, comunista, sociólogos, hippies, essa gente é toda igual. Eles não dizem as coisas que pensam; dizem o que gostariam de pensar, o que gostariam de ser. Quando o crente mete deus - com minúscula, por favor - em tudo, os comunistas colocam o Marx até no sanduíche, os sociólogos enfiam o Webber no cu, e os hippies pintam a roupa de harmonia, eles fazem a mesmíssima coisa.
Reportagem: Entendi. Obrigado pela entrevista, sim?
André Cintra: Beleza, bróder.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Entrevista - Homem placa
Ele foi o escolhido da segunda entrevista porque é o começo da política deste blog de não entrevistar somente os ilustres. Porque os ilustres já sabem o que vai ser perguntado e já sabem o que responder. Os desconhecidos não têm o menor recalque e são inéditos. A entrevista com Roberto.
Eu: A placa está pesada hoje?
Roberto: Rapaz. Sabe que tem dia que a placa pesa mesmo mais? Ela fica no ombro da gente e parece que tá puxando pra baixo. Hoje ela não tá pesada, não. Hoje ela está normal. Hoje ela tem o peso que tem.
Eu: Eu imagino. Tem dia em que as horas passam mais devagar e tem dia em que as horas passam mais depressa. A placa pesa tanto quanto o tempo?
Roberto: Isso! Isso mesmo.
Eu: Desculpe o sentimentalismo. E quando chove? Você tem que ficar aí na mesma posição?
Roberto: Quando chove, eu vou ali debaixo e espero a chuva passar, distribuo alguns cartões para quem está debaixo da lona que nem eu, sem fazer nada. Para um bom plaqueiro, é sempre vantajoso quando chove, porque o contato fica corpo a corpo.
Eu: E se você não fosse um bom plaqueiro?
Roberto: Aí eu ficaria parado lá, sem fazer nada, esperando a chuva para voltar pro meu lugar.
Eu: Imagino que dê menos preguiça ser um bom plaqueiro do que um mal, porque aí a coisa passa mais rápido, né?
Roberto: Passa, sim. Se eu ficasse lá sem fazer nada, aí que o tempo demoraria.
Eu: Tua idade, Roberto?
Roberto: Cinqüenta e seis.
Eu: Dizem que a trema caiu, e você falou com trema. É cinquenta e seis, agora.
Roberto: Esquisito, rapaz.
Eu: Onde você mora?
Roberto: Guaianazes.
Eu: Não me arrisco a perguntar onde fica porque não tem a menor razão. A que horas você sai de casa?
Roberto: Cinco.
Eu: Eu pergunto isso aqui, mas não quero dizer que você seja bobo. Por que você está bem humorado?
Roberto: Não sei, ué. Eu venho para cá e vivo as coisas. Estou bem humorado? Não sei, não sei. Pode só parecer.
Eu: Sem essa, Robertão! Não venha com sentimentalismos só porque eu levantei a bola!
Roberto: É que parece que eu tenho um humor melhor do que o que eu realmente sinto.
Eu: Você fica bem humorado por respeito aos outros?
Roberto: Também.
Eu: Por qual outro motivo?
Roberto: É por respeito, entendeu? Ninguém tem que agüentar gente mal humorada.
Eu: Por respeito, Robertão, você só tem que não tratar mal as pessoas.
Roberto: Isso é. Mas é que eu prefiro dar um plus!
Eu: Ah, um plus!
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Pergunta do leitor
Como os acenos não paravam, encarei a pessoa e percebi que neste momento ela sorriu efusicamente. Era um leitor.
Se eu pensasse nos leitores, provavelmente não escreveria. Não. Escreveria, mas provavelmente não publicaria.
Porque o que estraga um blog é o típico leitor de blogs. Nem uma falha no sistema de 180 dias estragaria tanto um blog quanto um típico leitor de blogs.
O típico leitor de blogs não comenta para adicionar temas à discussão. Ele comenta para ditar ordens. A primeira função de seu comentário é a de aprovar o texto que não pediu aprovação. Um elogio deste leitor é uma imposição de autoridade. Ele praticamente diz: - "Continue escrevendo assim porque eu gostei." O leitor não entende que os textos não são feitos para ele gostar.
A segunda função do comentário é a do leitor se mostrar presente. É como aquele sujeito que vai às baladas e não gosta de baladas. Ele gosta de aparecer.
E a terceira função é a de ser citado nos textos. O leitor adoraria ser citado nos textos e comenta também para isso.
Bem. Meu leitor sorriu para mim, disse que o blog é muito bom, ao que eu concordei. E disse mais algumas palavras elogiosas ao blog, nenhuma que fosse novidade. Morto de tédio, inventei que meu telefone tocou e disse que tinha que ir embora, pois estava com pressa. E o que era previsto de concretizou:
- Manda um abraço pra mim lá no blog?
Resposta: Não.
Tragédia bonsai #3
Foi bom ter deixado para hoje. O Roberto entregaria os talões e veria embaixo da mesa os pés de Marizilda na sandália.
No ônibus, a tragédia bonsai. O motorista deu uma freada brusca e uma mulher que usava um salto enorme furou o pé de Marizilda. Ela nunca foi de jorrar sangue, mas como jorrou sangue na sandália nova. Acho que foi por causa do salto agulha.
Giorgio Armani #4
Armando teve muitas espinhas na adolescência. São elas as causas do rosto esburacado.
Jorge resolveu tirar a espinha justo no banheiro do trabalho porque quando vê uma espinha não resiste. Pode ser que esteja olhando para a própria mesa com uma tábua de vidro e a veja no reflexo. Espinhas no rosto de Jorge têm vida muitíssimo curta.
Armando nunca mais teve espinhas. Mesmo assim, detesta vê-las em qualquer lugar. Se tivesse alguém íntimo o suficiente, tiraria-lhe qualquer espinha minimamente proeminente e a jogaria no lixo sumariamente.
Jorge estava satisfeito com o dia e alisava a barba preta. Seu chefe perguntou-lhe, pois, onde havia banheiro. Jorge indicou um banheiro distante, o mesmo em que estava Armando.
Armando limpava a espinha de Jorge no espelho do banheiro no exato momento em que o chefe entrou no banheiro. O chefe não reparou a presença de Armando, o que não evitou a vergonha enorme que este passou enquanto jogava o papel higiênico no lixo. Pensou: "Ele pensa que tenho espinhas!" Pensou ainda: "O pior é que ele pensa que eu tiro as espinhas no expediente!" É por isso que Armando está recatado hoje.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Talvez os portugueses não comemorariam tanto o descobrimento do Brasil se soubessem de algumas pessoas que seriam chamadas de brasileiras 508 anos depois. É esse o caso de Solange? Tiremos as nossas conclusões.Solange tem vinte e sete anos e sabe cozinhar ovo, batata, feijão, macarrão e tem um strogonof tão gostoso, que tem gente que não toma nem vinho para acompanhar, porque afetaria o gosto. O problema é que às vezes calha de ela botar veneno e matar uma, duas, três pessoas num strogonof gostoso.
Isso aconteceu uma vez e ela foi ao julgamento, pronta para ser presa. Ela resolveu fazer o lanchinho do julgamento e pôde fugir depois de todos terem morrido após comer um strogonof perfeito.
Os policiais a encontraram e a prenderam sem apelação. A diretora da prisão, muito desavisada, deixou que ela tomasse conta da cozinha. Um mês, dois meses e ninguém morreu. A diretora, cujo nome era Edith, pensou: "Não deve ser aquela que mata as pessoas. Se fosse, alguma já teria morrido."
Isso foi para ganhar a confiança, e seis dias depois morreram todas as detentas, as inspetoras, as dentistas. Até a diretora morreu. Solange morreria de fome, porque não havia quem a libertasse. Um jornalista a descobriu.
Solange é, pois, a única concorrente detenta deste concurso. Discurso:
"Já fui presa, já matei muita gente, e é por isso que devo ser eleita. Porque as outrs pin ups são todas iguais. Tão idênticas, tão perfeitas, que não merecem o voto. Eu, se fosse júri, daria meu voto certamente a uma assassina."
Primeira pergunta, a pergunta que não se faz a uma mulher: Quantos anos você tem?
"Vinte e sete!"
Segunda pergunta, a pergunta que se faz a uma mulher: Qual é a receita do nega maluca?
"Bata os ovos com o açúcar, óleo, achocolatado e farinha, depois adicione a água quente e por último o fermento em pó. Asse em forno com temperatura média por 40 minutos, desenforme quente."
Comentários de André: "É muito bom que se saiba de cabeça. Mas também não é bom confiar na memória. Muitos bolos maravilhosos foram estragados por mulheres que confiaram na memória. Não sei se é muito bom ou muto ruim, essa resposta."
Terceira pergunta: Como é a vida na prisão?
"Meio presa."
André: Melhor que a primeira, pior que a terceira. Nota 6,6.
Ewerton Clides: Sociologiamente falando, seria interessantíssimo uma vencedora que já tenha passado pela experiência de ter matado gente e de ter sido presa. Além do mais, é ótimo conviver com gente que saiba cozinhar. 6.
Considerações finais de Solange:
"Quer que eu faça um pão de queijo?"
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Rosângela é a candidata mais versátil do concurso. Tudo bem que seja somente a primeira e vocês ainda não viram as outras para ter dados para chegar a concordar comigo. Não concordem: confiem. Se eu digo que ela é a mais versátil, não terá outra pin up versátil, para não haver risco de comparações.Depoimento: "Meu nome é Rosângela, mas por favor me chame só de Rô. Quando alguém diz Rosângela, eu acho que a pessoa está brava! E você não está bravo comigo, está?
Tenho vinte e oito anos. Adoro Uberaba, minha cidade natal, mas amo, simplesmente amo de paixão Ubatuba, cidade que me acolheu com os braços tão abertos, que pensei que fossem quebrar! Um beijo para todos de Ubatuba!
Sou muito versátil. Gosto de rambo e de boneca; de carro e de bicicleta; de sexo e de freiras; do catolicismo e de pinga. Pinga não tem nenhuma distinção ao catolicismo. Só falei porque não conseguiria ver uma missa tomando pinga."
Primeira pergunta: O que você faria se fosse homem?
"A primeira coisa que eu faria seria levantar todas as tampas das privadas nos banheiros públicos, e quando chegasse no final do dia saberia em qual cabine fizeram cocô, pois as tampas destas cabines estariam abaixadas. Fora isso, eu depilaria a virilha, a sobrancelha, colocaria vestido, sutiã, saia. Sabe por quê? A principal coisa que eu faria seria uma mudança de sexo! Detestaria ser homem!"
Análise de Ewerton Clides sobre a resposta da primeira pergunta: "Rosângela se saiu muitíssimo bem. Eu não elegeria uma mulher que desse um bom homem. Se eu fosse vulgar, diria que eu não elegeria uma mulher que não desse para um bom homem."
Segunda pergunta: Você tinge os cabelos?
"Tinjo, sim. Porque depois que Juliana se mostrou loira, toda mulher que se preza é loira. Mulher que não é loira é praticamente sapatão!"
Comentário de André sobre a segunda resposta: "Ela se saiu muito bem e meio mal. Meio mal porque minha mãe não é loira, e muito bem por ter falado bem assim de Juliana. O muito bem prevalece. Muito bem, Rô!"
Terceira pergunta: Você sabe falar inglês?
"No."
Comentário de Ewerton Clides sobre a terceira resposta: "Parabéns, Rosângela, parabéns! Hoje, qualquer um fala inglês e se acha a melhor pessoa do mundo por conta disso. Primeiro que a melhor pessoa do mundo é Juliana; a segunda melhor pessoa do mundo é o André porque a Juliana gosta dele; eu sou a terceira, porque a Juliana gosta de mim - menos que do André - e eu sou o maior sociólogo do mundo. Depois, convenhamos: falar inglês não eleva ninguém. O que eleva alguém são escadas, elevadores, aviões e grandes pensamentos sociológicos. Até um menino de cinco anos sabe falar inglês nos Estados Unidos e na Inglaterra."
Quarta pergunta: Por que você se mudou de Uberaba para Ubatuba?
"Porque tinha uma candidata melhor que eu em Uberaba."
Fim das perguntas. Notas:
André: Gostei muito. Nota 6.
Ewerton Clides: Também gostei. Nota 5,5.
Platéia: Nota 9.
Considerações finais de Rosângela:
"Agradeço muito a todos vocês, mas nem precisaria, pois tenho convicção de que vou passar à próxima fase. Já acertei tudo com a organização."
Começa hoje o Primeiro Concurso de Pin Ups do blog Eu não sou virgem, Maria!É um concurso que elevará as pin ups da condição de meras mulheres à de grandiosas fotos publicadas neste espaço, o mais concorrido da internet.
O evento será dividido em várias fases, não sei quantas, e o critério será subjetivo. Um aviso às candidatas: Não caberá recurso nenhum. Não adiantará nos enviar dinheiro, subornos, mensagens carionhosas, paçocas. Ops. Paçocas, sim. Mas elas não mudarão o resultado.
Cabe avisar que a tradicional entrevista de André com ele mesmo não será publicada hoje em virtude da transmissão do concurso de pin ups.
Vamos logo ao evento, direto da Arena Virgem!
Mestre de cerimônias - Não preciso falar da alegria com que recebi o convite de ser o mestre de cerimônias deste grande evento, o Primeiro Concurso de Pin Ups do blog Eu não sou virgem, Maria! Eu, um mestre de cerimônias do subúrbio desta grande cidade, jamais tive a oportunidade de apresentar eventos deste porte. Gostaria muito que as milhões de pessoas que passam por aqui todos os dias percebessem a importância deste acontecimento. Também gostaria de agradecer ao André, dono deste blog e mentor do concurso.
Mestre de cerimônias - Vamos então ao concurso! Eu sou muitas vezes visto como uma pessoa muito cerimoniosa. Ontem mesmo um sujeito de quem sou muito íntimo chamou-me a atenção. Disse, mestre!, você é muito cerimonioso! E começou a rir desenfreadamente. Mas eu estava falando do concurso. Este é um concurso com inscrições permitidas somente às mulheres do sexo feminino que tenham cabelos compridos e, claro, sejam pin ups.
O diretor no ponto eletrônico - Assim não dá, mestre! Pare de enrolar, por favor? Você enrola tanto, que se parece com um macarrão parafuso!
Mestre de cerimônias - As pin ups surgiram nos Estados Unidos, mas foi no Brasil, mais precisamente no século XXI, que ganharam seu merecido reconhecimento. Foi no ano de 2008, com o surgimento do Primeiro Concurso de Pin Ups do blog Eu não sou virgem, Maria! que as pin ups venceram o mundo. Depois deste concurso, até Bill Gates saberá o que é uma pin up. Não é, Bill?
Bill Gates, no telão - É, caro amigo. Este evento tem patrocínio da Microsoft, minha empresa. Fornecemos todos os softwares piratas ao evento: Windows, Word, Powerpoint e até Photoshop - que não é da minha empresa, mas compramos um para o evento. Gostaria muito de felicitar todas as pin ups que participam e de mandar um abraço ao meu amigo, André.
Aplausos.
André, no telão - Obrigado, Bill! Muito obrigado! Quero lembrar que as pin ups deverão fazer uma carta de apresentação e serão submetidas ao meu texto, aos comentários de Ewerton Clides e, claro, ao clamor do público! Ewerton!
Aplausos.
Ewerton Clides - Farei a análise sociológica das pin ups. Sim, sociológica, com viés ewertonclidiano das pin ups. Quero salientar o apoio do IEW, o Instituto EWerton Clides ao evento.
Aplausos muxoxos.
Mestre de cerimônias - Este evento é uma homenagem do blog Eu não sou virgem, Maria! a ele mesmo, porque sempre teve as pernas de uma pin up dando boas vindas a qualquer leitor que aqui entrasse. Então, amigos, a pin up vencedora terá as pernas estampadas permanentemente na parte superior do blog! E este é o prêmio. Que venha a primeira candidata: Rosângela!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Das vantagens do Coeficiente Chimpanzé - 7
Das vantagens do Coeficiente Einstein - 6
Da Einstenização do coeficiente chimpanzé - 5
Mas Pierre, um estudante da Escola Nacional de Francofonia Francesa, teve um súbito aumento em suas notas. Ele mesmo, o Pierre, aquele que comia macarrão com a mão. Aquele mesmo que uma vez confundiu Jean Jaques Rousseau com Napoleão! Sim! O que está de bege.
Cientistas franceses trataram logo de estudar o jovem Pierre. Eis o que constataram:
- Pierre encontrou a inteligência na própria burrice! Ele tratou de einstenizar o coeficiente chimpanzé!
Esta foi a grande perdição francesa do século XX. Porque a einstenização do coeficiente chimpanzé é um erro somente comparável a usar papel higiênico de um lado, virá-lo e utilizar do outro. Ou como diriam os outros:
- É uma grande cagada!
Foi então que um sujeito cujo nome não me lembro subiu o arco do triunfo e de lá ouviu:
"Olá, quem fala é Deus. Sim, sim, sou eu, o Todo Poderoso. Sim, sim, minha barba é branca. Não, não, eu falo outras línguas além do francês. Sim, sim eu posso te ouvir quando você não fala. Sim, sim, ela era realmente virgem. Sem mais perguntas, não sei nem por que as respondi, já que você nem fez por merecer. Seguinte: avise seus amigos franceses que o coeficiente chimpanzé é para ser desenvolvido como coeficiente chimpanzé; jamais como coeficiente Einstein. Trate o chimpanzé como chimpanzé e o Einstein como Einstein, eis o décimo segundo mandamento. Sim? Até mais ver."
Deus não explicou por que Pierre conseguiu melhores notas. Ele tinha Einstenizado o coeficiente chimpanzé. Mas ele colou.
Sobre o menosprezo do Coeficiente Chimpanzé - 4
Quando os coeficientes foram criados, o coeficiente chimpanzé tratou de ser logo menosprezado pelos acadêmicos. Eles quiseram logo desenvolver o CC a todo custo, deixando o CE não a segundo plano, mas a vigésimo segundo plano.
Infelizmente, como toda má idéia, este tipo de pensamento teve muitos seguidores. E o mundo ficou um pouco mais sem graça no hemisfério norte, principalmente na França, que é um país muitíssimo acadêmico. Os acadêmicos um pouco menos acadêmicos então notaram que o grau de desenvolvimento do coeficiente Einstein chegava ao grau de 51% e automaticamente se estagnava!
"Alguma medida precisa ser tomada", disse um francês. Por isso, os acadêmicos mais acadêmicos chegaram à conclusão:
- De agora em diante estudaremos também no banheiro e acordaremos no mínimo quatro vezes. Isso, quatro vezes por noite para os estudos.
Sem efeito.
Os acadêmicos menos acadêmicos pediram a voz na reunião suprema da Sourbone:
- Por favor, peço a voz.
- Depois, depois.
Então a maior subversão acadêmica vista até hoje na França foi feita. Na madrugada, eles entraram todos na Biblioteca Francesa e introduziram em todos os livros a seguinte frase:
- Não é possível desenvolver o lado Einstein sem desenvolver o lado Chimpanzé!
Assim, com ponto de exclamação no final.
Foi uma beleza. No dia seguinte, foram todos acadêmicos mais acadêmicos comprar ingressos para o jogo Paris Saint German contra Lyon. Torceram feito chimpanzés para o Paris Saint German, e acharam que venceram por 5 a 1, quando na verdade erraram as cores do uniforme e se enganaram. Só perceberiam no dia seguinte, quando o resultado sairia no jornal, mas no dia seguinte voltaram a estudar, e o coeficiente Einstein voltou a subir.
Assim é que os franceses aprenderam e espalharam para o mundo da desnecessidade de se menosprezar o coeficiente chimpanzé. Mas outro problema viria a seguir.
O coeficiente Einstein e o coeficiente chimpanzé - 3
Einsten não foi o homem mais inteligente que já existiu. O que ele foi, posso garantir, é o homem com a maior aparência de inteligência e racionalidade. Ele foi escolhido para dar nome ao coeficiente para uma maior difusão deste conceito.
As crianças mais inteligentes da terceira série são chamadas de Einstein. Qualquer conta difícil feita com precisão e acerto é uma conta de Einstein. Eu, quando fazia alguma coisa impossível no campo das exatas, mostrava a língua para mim mesmo numa clara demonstração do apelo de Einstein.
Além disso, Einstein é o sujeito com o maior grau de coeficiente Einstein de que já se teve notícia desde que o índice começou a ser medido. É importante que o leitor não se engane. Einstein não era formado pelo coeficiente Einstein em sua totalidade. Ele era feito 68% de coeficiente Einstein e 32% de coeficiente chimpanzé. O que mais impressiona é o grau de desenvolvimento dos dois coeficientes. Ele tinha o coeficiente Einstein (que a partir de agora chamaremos de CE) totalmente desenvolvido e o coeficiente chimpanzé (CC) 46% desenvolvido.
Repare que há sujeitos com o grau de distribuição do CE maior que do Einstein. O que pesa a favor do alemão é o grau de desenvolvimento: total.
- E o CC, por que tem esse nome?
O CC tem chimpanzé porque este animal não é um homem piorado. Ele se parece com o homem. É a representação perfeita do lado humano que brinca, que não se envergonha em não ser racional e em ser ridículo.
O coeficiente Einstein e o coeficiente chimpanzé - 2
Há duas formas de denominação das forças. A primeira, mais convencional, é a que está no título deste post, do anterior e em todas as outras vezes em que as forças são mencionadas. A segunda, criada especialmente para a teoria, é: O Coeficiente einstein e o Coeficiente Chimpanzé. As maiúsculas se invertem.
Esta denominação foi criada porque muitos estudiosos pensavam que a teoria merecia iniciais maiúsculas. Eu fiz uma intervenção salutar, me lembro bem:
- A idéia de colocar letras maiúsculas nas iniciais pode até valorizar a teoria. Mas vejam: Desta forma, Einstein estará no mesmo status que Chimpanzé. Os dois em maiúsculas! É um desrespeito profundo ao alemão.
Este comentário revelar-se-ia errôneo depois, ao se estudar mais a teoria, mas isso é assunto para outro post.
Foi por isso que um estudioso germânico sugeriu que tivéssemos duas denominações possíveis. Uma com Einstein em maiúscula e os outros termos em minúscula; a outra, com os outros termos em maiúscula e einstein em minúscula.
Mesmo depois, com a revelação do erro, resolvemos manter a denominação por ser uma grande idéia e uma grande forma estilística.
O coeficiente Einstein e o coeficiente chimpanzé - 1
- Há uma obrigatoriedade em batizar o blog com o título do primeiro post?
Obrigatoriedade não há. Assim como não há obrigatoriedade em ser bonito, não há obrigatoriedade em ser gentil, não há obrigatoriedade em deixar de bater na mãe. Mas é de bom tom.
Eu, se fosse do blogspot, obrigaria todos os blogs a terem o nome do título do primeiro post. Caso contrário, a pessoa teria o blog impugnado.
O que quero dizer é que os coeficientes são mais importantes que o primeiro post. Porque o primeiro post deu o nome; os coeficientes deram a idéia ao blog. Se você tem filho, o que é mais importante: a decisão que você tomou com sua exposa de ter um filho ou a decisão que vocês tiveram de batizá-lo de André? Aqui, falo com meus pais, porque minha mãe certamente teria essa dúvida.
Mas isso é somente uma introdução.