Eu tive um sonho.
Sonhei que assinava o documento com a procuração que acabava com a fome no mundo.
Todos os líderes mundiais lá estavam. Fidel Castro, Dalai Lama, George Bush, Barack Obama, Lula, Cristina Kirschner, Fernandinho Beira-mar, e muitos outros. Todos em perfeita concordância sobre esta causa urgente.
As emissoras de todo o mundo transmitiam tudo isso em tempo real. Fotógrafos do New York Times não paravam de fotografar, e pude ver o rosto ansioso de Pedro Bial no meio de tantos outros jornalistas.
Neste sonho, a última assinatura era minha. E meu deus: eu estava nu!
Mostrando postagens com marcador Pequenas causas grandes discursos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pequenas causas grandes discursos. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Pequenas causas, grandes discursos #3
Caro Cobrador,
Você deve, como ninguém, conhecer o povo brasileiro.
Conhece as madames que por aqui passam com medo de se sujar na catraca; conhece as crianças de sete anos que fingem ter menos que três para não pagar a passagem; as senhoras que não deveriam sair de casa e lotam ainda mais o ônibus lotado; os assaltantes que por ventura te roubam e arruínam seu trabalho do dia inteiro.
Por isso deve saber que somos um povo heterogêneo, mas semelhante em uma coisa: temos todos menos de dois metros e cinqüenta e seis. Até os albinos, meu amigo cobrador, não têm essa altura. Imagine como seria ruim não poder pegar sol e nunca caber embaixo de um guarda-sol?
Seria pedir demais, pois, que tenha troco para dez?
Se não tiver, eu desço no próximo ponto. Mas sempre com a certeza e a esperança de que no próximo ônibus haverá um cobrador de notas pródigas e miúdas que me sirvam de troco.
Tenha um bom dia.
Você deve, como ninguém, conhecer o povo brasileiro.
Conhece as madames que por aqui passam com medo de se sujar na catraca; conhece as crianças de sete anos que fingem ter menos que três para não pagar a passagem; as senhoras que não deveriam sair de casa e lotam ainda mais o ônibus lotado; os assaltantes que por ventura te roubam e arruínam seu trabalho do dia inteiro.
Por isso deve saber que somos um povo heterogêneo, mas semelhante em uma coisa: temos todos menos de dois metros e cinqüenta e seis. Até os albinos, meu amigo cobrador, não têm essa altura. Imagine como seria ruim não poder pegar sol e nunca caber embaixo de um guarda-sol?
Seria pedir demais, pois, que tenha troco para dez?
Se não tiver, eu desço no próximo ponto. Mas sempre com a certeza e a esperança de que no próximo ônibus haverá um cobrador de notas pródigas e miúdas que me sirvam de troco.
Tenha um bom dia.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Pequenas causas, grandes discursos #2
Pai,
O sal não é só importante para a humanidade. Ele é essencial. Arrisco-me a dizer que sem o sal, a humanidade não teria um terço do status atual e nem metade da população! Porque não vale a pena viver se não for para uma comida salgadinha.
Imagine você comer a lasanha da vovó sem sal? Ou quando sentisse fome durante o trabalho, comer bolacha de água? Sem sal, meu pai, não teríamos nem como distinguir o mar dos rios! E os sujeitos sem sal sequer teriam uma definição, porque seriam como os outros.
É certo que nós teríamos menos azar porque não derrubaríamos sal. Mas veja: Não compensaria ter sorte sem o auxílio do sal. A vida sem sal já seria um grandessíssimo azar.
Por isso, pai, não posso me privar do sal nesta salada. Passa o sal?
O sal não é só importante para a humanidade. Ele é essencial. Arrisco-me a dizer que sem o sal, a humanidade não teria um terço do status atual e nem metade da população! Porque não vale a pena viver se não for para uma comida salgadinha.
Imagine você comer a lasanha da vovó sem sal? Ou quando sentisse fome durante o trabalho, comer bolacha de água? Sem sal, meu pai, não teríamos nem como distinguir o mar dos rios! E os sujeitos sem sal sequer teriam uma definição, porque seriam como os outros.
É certo que nós teríamos menos azar porque não derrubaríamos sal. Mas veja: Não compensaria ter sorte sem o auxílio do sal. A vida sem sal já seria um grandessíssimo azar.
Por isso, pai, não posso me privar do sal nesta salada. Passa o sal?
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Pequenas causas, grandes discursos #1
Meu filho,
Eu sou do tempo em que as mães se preocupavam com os filhos mais do que se preocupavam com elas mesmas. Do tempo em que as mães abriam mão de cosméticos que aumentariam a própria beleza e atrairiam novos amantes, para que os filhos pudessem comer e engordar, afastando as possíveis namoradas.
Eu sou do tempo em que ninguém dizia que se cria os filhos para o mundo. Porque se dissesse, além de mentir, a pessoa seria excomungada das igrejas, isolada do círculo de amigos, além de ter de encarar uma cara azeda do filho por mais de uma semana! A gente sabia que criava os filhos para nós mesmas para, talvez, um dia, entregá-los para uma mulher que nós escolhêssemos, que nós quiséssemos, que fosse boa para a mãe antes de ser boa para o filho.
Mas esse tempo, meu filho, acabou. E as mães que criam os filhos para elas mesmas, são ironizadas por todos e denunciadas por psicólogos prafrentex! Agora, é preciso criar os filhos para o mundo e aceitar que ele se vá embora de casa com uma mulher que ele goste, que o mundo ofereça. Ora, meu filho, eu não gosto do mundo. Gosto de mim e gosto que você goste de mim. Entenda que o crio melhor criando para mim. E assim todas as mães! Ninguém reveste de zelo aquilo que será dos outros.
Agora, porém abro uma exceção. Permita-me um segundo de preocupação por você como se você fosse meu. Não deixe a toalha em cima da cama, filhote. Entenda que sua cama molhada lhe causará um irremediável resfriado. E um resfriado em você, resfria em mim.
Tenha um bom dia,
sua Mãe
Eu sou do tempo em que as mães se preocupavam com os filhos mais do que se preocupavam com elas mesmas. Do tempo em que as mães abriam mão de cosméticos que aumentariam a própria beleza e atrairiam novos amantes, para que os filhos pudessem comer e engordar, afastando as possíveis namoradas.
Eu sou do tempo em que ninguém dizia que se cria os filhos para o mundo. Porque se dissesse, além de mentir, a pessoa seria excomungada das igrejas, isolada do círculo de amigos, além de ter de encarar uma cara azeda do filho por mais de uma semana! A gente sabia que criava os filhos para nós mesmas para, talvez, um dia, entregá-los para uma mulher que nós escolhêssemos, que nós quiséssemos, que fosse boa para a mãe antes de ser boa para o filho.
Mas esse tempo, meu filho, acabou. E as mães que criam os filhos para elas mesmas, são ironizadas por todos e denunciadas por psicólogos prafrentex! Agora, é preciso criar os filhos para o mundo e aceitar que ele se vá embora de casa com uma mulher que ele goste, que o mundo ofereça. Ora, meu filho, eu não gosto do mundo. Gosto de mim e gosto que você goste de mim. Entenda que o crio melhor criando para mim. E assim todas as mães! Ninguém reveste de zelo aquilo que será dos outros.
Agora, porém abro uma exceção. Permita-me um segundo de preocupação por você como se você fosse meu. Não deixe a toalha em cima da cama, filhote. Entenda que sua cama molhada lhe causará um irremediável resfriado. E um resfriado em você, resfria em mim.
Tenha um bom dia,
sua Mãe
Assinar:
Postagens (Atom)