Infelizmente hoje não há foto para a entrevista com André. Havia no nariz dele uma catota que não saía nem com Photoshop, e uma das grandes atrações da internet mundial será publicada sem foto.
Demorou para que André voltasse a dar entrevistas. Desde os entreveros que teve com o coma a que foi submetido, não queria dar entrevistas com o medo de parecer um pouco lesado. Questionado se o silêncio não era a pior opção, já que então as pessoas pensariam coisas piores, dizia sempre que é melhor não ter provas.
Ele estava estirado quando seu empregado me encaminhou até ele. "Jarbas! Me traga o café!", disse antes de me dar oi. "Eu já disse que não me chamo Jarbas, senhor", respondeu Jaime. "E eu já te disse que não importa e que vou te chamar de Jarbas assim mesmo!", encerrou André.
Como já se sabe, o bom humor não é o forte deste homem. Hoje, porém, ele estava tão insuportável, que quase cancelei a entrevista alegando desconfortos intestinais. Mas que fique bem claro que seria somente um blefe, para colocar este homem no seu lugar.
Eu: Como é, André? Qual é a boa?
André: A boa é que eu voltei a dar entrevistas. Para celebrar a volta, nada melhor do que começar com chave de ouro e conceder a primeira entrevista a mim mesmo. Eu me conheço muito bem e, por incrível que pareça, sou o entrevistador que mais me surpreende!
Eu: Obrigado pelo elogio. Você está querendo me ofender com alguma coisa, não é?
André: Exatamente. Por que você diz que eu tenho uma catota incorrigível no nariz enquanto é você que está com preguiça de fazer a montagem no Photoshop?
Eu: Veja, não é isso. Olha essa catota. Você sempre acha que não tem nada, e quando vai ver é aquela coisa toda!
André: Jarbas! Traga o espelho!
Jaime vem correndo com o espelho como se já o tivesse à mão. Neste momento tive a impressão de que Jaime é fruto da imaginação que André usou somente para fazer pose de rico na entrevista.
Eu: Está vendo? Olha o catotão aí!
André: Não tem catotão nenhum. E se você continuar a falar sobre isso, eu encerro a entrevista.
Eu: Não fale assim. Me conte um pouco sobre as suas recentes opiniões futebolísticas.
André: Tenho uma opinião muito triste sobre o futebol. Eu acho que o futebol bonito é impossível. Veja o Palmeiras, jogando lindamente. Parecia a seleção de 70, porque todo futebol bonito tem que remeter ao menos um pouco àquele time de 70. O Palmeiras ganhou dez jogos seguidos, perdeu dois e todo mundo tira a conclusão de que futebol bonito só é bom para os adversários. O problema é que os jogadores e o treinador engoliram a crítica e concordaram com ela. Ou seja, ninguém mais joga bonito nesse mundo. E quem tenta, sempre acaba desistindo, quase que se desculpando depois por ter encantado.
Eu: Triste isso. O Valdivia não para de jogar bonito.
André: O Valdivia é um caso à parte. Muito à parte, por sinal. Não sei como foi possível nascer um jogador engraçado nos dias de hoje. Às vezes o mundo sem graça dá à luz gente engraçada, e o mundo engraçado faz nascer gente chata. Prova de que a genética não funciona tão bem assim.
Eu: É mesmo. Graças a Deus, senão seria tudo muito previsível. Me diz aquilo sobre a oração.
André: Que oração, meu chapa?
Eu: O Pai Nosso.
André: Ah, sim! Veja que engraçado. Tem muita gente que só reza para pedir, não é? Que só lembra de Deus na hora em que precisa de alguma coisa. Para essas pessoas, Deus é como uma privada, com quem você só se relaciona quando precisa dela. Mas a questão é a seguinte. A pessoa precisa de alguma coisa e reza o Pai Nosso. Reza mecanicamente, porque no meio do Pai Nosso, está "Que seja feita vossa vontade"! Entende? Então não adianta nada, a pessoa pedir antes, porque logo depois ela pede que seja a vontade de Deus que prevaleça.
Eu: Você sugere, então, que a pessoa pule este verso?
André: Não sejamos tolos. O melhor a se fazer é rezar outra oração, porque tanta gente reza o Pai Nosso, que Deus não presta muita atenção. Então se alguém pular um verso, Deus não vai notar, entende?
Eu: Sim, sim. Entendi. Você acredita em Deus?
André: Acredito. E acho muito bobo quem diz que não acredita. Os ateus são uns bobos. Use isso na manchete, se quiser. Os ateus são uns bobos!
Eu: Bobos por quê?
André: Porque não acreditam em Deus!
Eu: E desde quando é bobo quem não acredita em Deus?
André: Eles são bobos, porque quem não acredita em Deus não acredita em alguma coisa maior, então se acham o máximo, entende? Eles acham que são o topo da evolução do Universo. Eu digo isso principalmente porque os ateus se acham muito inteligentes. É só para baixar a bola.
Eu: Sim, sim. Você não acha melhor parar com este hábito de criticar quem é bom e elogiar quem é ruim?
André: Veja. Eu reconheço que às vezes isso atrapalha, porque critico o bom e ele desacredita as próprias habilidades; e elogio o ruim, e ele acha que as ruindades que ele está fazendo são ótimas. A intenção é elogiar o ruim para que ele se sinta estimulado a melhorar, e criticar o bom para que ele não fique arrogante.
Eu: Isso funciona?
André: Não. Isso não funciona. Mas é uma delícia criticar coisas boas. Não sei explicar, não sei.
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sexta-feira, 13 de março de 2009
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
André estava muito aflito para a entrevista de hoje. "O curativo", ele disse. "Meu curativo está doendo. Hoje saiu mais sangue que na novela Vamp!", para me assustar. "Mas fique tranqüilo que está tudo bem", para me tranqüilizar. "Por enquanto", para me deixar esperto.Ele estava com as olheiras tão grandes, que chamavam mais atenção que as orelhas, com perdão da parecença entre as palavras. Era até capaz que as olheiras ouvissem com mais nitidez que as orelhas. Estavam tapando os olhos do menino. Parecia que alguém estava cobrindo a piscina com aqueles plásticos terríveis.
A recuperação da cirurgia está indo bem, mas ainda não fechou completamente. Eu tive a oportunidade de olhar o buraco e estava tudo em carne viva. Se agora está melhor, não consigo imaginar como é que estava pior. "Doía mais", ele explica. "Muito mais", para me impressionar. "Insuportável", agora forçando.
Eu: E aí, meu chapa. Qual é a boa?
André: A boa é que voltei a trabalhar, voltei a estudar, voltei a ler. Pergunte-me qual é a muito boa.
Eu: Qual é a muito boa?
André: A muito boa é que agora posso atualizar meu blog como outrora! Saiba que tenho novos planos para o blog. Mas é segredo.
Eu: Mas para mim você pode contar, né?
André: Mas é claro! O blog terá uma bandeira, um hino, a parte de cartas será melhorada, a novela será atualizada com maior freqüência, vou começar a fazer propagandas em locais públicos e serei contratado por uma grande montadora para fazer publicidade nu em pêlo. Uma dessas novidades é mentira, para despistar.
Eu: Muito boa sua idéia. Assim elas serão novidades mesmo você tendo contado! Que gênio!
André: Não tente me agradar, que eu não gosto.
Eu: Eu também não gosto de te agradar.
André: Ótimo. Ficamos assim.
Eu: Fale, pois, uma frase de efeito que justifique esta entrevista.
André: Salada é um prato que se come frio.
Seção:
Entrevistas comigo mesmo
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Entrevista comigo mesmo #9
André estava deitado de bruços, de mau-humor, e ainda com cara de quem acabara de acordar.
É muito ruim ser uma visita inconveniente. Pior do que isso é ser uma visita inconveniente de horário marcado! Falei: "André, amanhã, onze horas, passo aí para a entrevista, que faz tempo que a gente não faz!" Ele disse que tudo bem, e pelo telefone não aparentou o menor mau-humor.
Mas temos que compreender o rapaz recém-operado que não pode sequer digitar: tem que ditar tudo para a namorada.
Eu: Vamos levantando?
André: Não, não. Ai! Não encosta aí, que tá doendo!
Eu: E como vem sendo esse pós-operatório?
André: Palavra da moda.
Eu: Como assim?
André: Hoje todos temos palavras médicas no nosso vocabulário. Outro dia ouvi um fulano dizer que o amigo tem transtorno bipolar embora também tenha o transtorno obsessivo compulsivo. Sabe o que o amigo tinha afinal?
Eu: Não. O quê?
André: Ele alternava pequenos maus humores. Acordava mal humorado de manhã, entende? E de tarde já estava bom. Isso para o fulano era transtorno bipolar. E sabe de onde vem o TOC?
Eu: Ã.
André: Porque o sujeito lavava as mãos de duas em duas horas. Francamente! Agora vem você dizendo essa palavra hedionda, pós-operatório, na maior cara de pau. Como se você fosse um médico conversando com o paciente aqui. Olha. Se isso não fosse publicado depois no seu blog, que é de muito bom gosto, eu falaria um palavrão daqueles!
Eu: Pode falar!
André: Não tenho coragem!
Eu: Já era de se esperar. Mas me conta. Como foi no hospital?
André: Foi muito bom. Acho que vou fazer uma série de posts, até com um ítem para se pesquisar depois: no hospital. Teve enfermeira fofocando com a outra um pouquinho antes de eu operar, teve anestesista engraçado, japonesa voluntária, enfermeira insegura na hora de furar minha mão. Mas tinha Sportv no quarto. A vida fica um pouco mais fácil de se suportar quando tem um futebolzinho passando na TV.
Eu: Ah, isso é. Adoro futebol.
André: Eu também. Para que time você torce?
Eu: Palmeiras.
André: Eu também. Tô com a camisa do Inter mas sou Palmeiras. Quer dizer, sou um palmeirense colorado. Colorado por amor. É que a minha vida se resume a fazer e querer o bem da minha namorada, e ela é colorada. Como que vou deixar de torcer para o time dela se a amo tanto?
Eu: Entendo. Amor para você é isso?
André: Rapaz. Para Fauro Goares, amor pode ser resumido em duas palavras: Sidney e Magal. Para mim, é quase isso. Amor, para mim, é ficar o tempo inteiro à disposição de quem se ama. É ficar de quatro. É ficar de três, quando se é Saci. É abrir o refrigerante da pessoa amada quando se está louco de vontade de comer bife. Amor, rapaz, é não mandar currículo porque a vaga é para trabalho de final de semana. É gostar de H2O mesmo nunca tendo gostado de nada light. É não tomar Coca só porque a pessoa amada tem ciúmes, mesmo sempre tendo gostado de Coca. É perder o foco da entrevista só para puxar o saco da pessoa amada.
Eu: Sei. Algo mais?
André: Falávamos do Inter, certo? Amor é quando o Palmeiras perde para o Inter de dois a um, e eu volto pra casa com a camisa do Inter.
Eu: Lindo!
André: Eu sei, eu sei. Amor é querer se recuperar de uma cirurgia só para ver o amor. Amor quando se sente uma dor e agradece a deus por não ser na pessoa amada que está doendo.
Eu: Sei. E por que essa entrevista vai sem foto?
André: Porque estou contundido para fazer a montagem.
Eu: Beleza. Um grande abraço e até a próxima!
André: Tá ok, meu chapa. Agora vai lá na geladeira e pega uma coquinha para mim, sim?
É muito ruim ser uma visita inconveniente. Pior do que isso é ser uma visita inconveniente de horário marcado! Falei: "André, amanhã, onze horas, passo aí para a entrevista, que faz tempo que a gente não faz!" Ele disse que tudo bem, e pelo telefone não aparentou o menor mau-humor.
Mas temos que compreender o rapaz recém-operado que não pode sequer digitar: tem que ditar tudo para a namorada.
Eu: Vamos levantando?
André: Não, não. Ai! Não encosta aí, que tá doendo!
Eu: E como vem sendo esse pós-operatório?
André: Palavra da moda.
Eu: Como assim?
André: Hoje todos temos palavras médicas no nosso vocabulário. Outro dia ouvi um fulano dizer que o amigo tem transtorno bipolar embora também tenha o transtorno obsessivo compulsivo. Sabe o que o amigo tinha afinal?
Eu: Não. O quê?
André: Ele alternava pequenos maus humores. Acordava mal humorado de manhã, entende? E de tarde já estava bom. Isso para o fulano era transtorno bipolar. E sabe de onde vem o TOC?
Eu: Ã.
André: Porque o sujeito lavava as mãos de duas em duas horas. Francamente! Agora vem você dizendo essa palavra hedionda, pós-operatório, na maior cara de pau. Como se você fosse um médico conversando com o paciente aqui. Olha. Se isso não fosse publicado depois no seu blog, que é de muito bom gosto, eu falaria um palavrão daqueles!
Eu: Pode falar!
André: Não tenho coragem!
Eu: Já era de se esperar. Mas me conta. Como foi no hospital?
André: Foi muito bom. Acho que vou fazer uma série de posts, até com um ítem para se pesquisar depois: no hospital. Teve enfermeira fofocando com a outra um pouquinho antes de eu operar, teve anestesista engraçado, japonesa voluntária, enfermeira insegura na hora de furar minha mão. Mas tinha Sportv no quarto. A vida fica um pouco mais fácil de se suportar quando tem um futebolzinho passando na TV.
Eu: Ah, isso é. Adoro futebol.
André: Eu também. Para que time você torce?
Eu: Palmeiras.
André: Eu também. Tô com a camisa do Inter mas sou Palmeiras. Quer dizer, sou um palmeirense colorado. Colorado por amor. É que a minha vida se resume a fazer e querer o bem da minha namorada, e ela é colorada. Como que vou deixar de torcer para o time dela se a amo tanto?
Eu: Entendo. Amor para você é isso?
André: Rapaz. Para Fauro Goares, amor pode ser resumido em duas palavras: Sidney e Magal. Para mim, é quase isso. Amor, para mim, é ficar o tempo inteiro à disposição de quem se ama. É ficar de quatro. É ficar de três, quando se é Saci. É abrir o refrigerante da pessoa amada quando se está louco de vontade de comer bife. Amor, rapaz, é não mandar currículo porque a vaga é para trabalho de final de semana. É gostar de H2O mesmo nunca tendo gostado de nada light. É não tomar Coca só porque a pessoa amada tem ciúmes, mesmo sempre tendo gostado de Coca. É perder o foco da entrevista só para puxar o saco da pessoa amada.
Eu: Sei. Algo mais?
André: Falávamos do Inter, certo? Amor é quando o Palmeiras perde para o Inter de dois a um, e eu volto pra casa com a camisa do Inter.
Eu: Lindo!
André: Eu sei, eu sei. Amor é querer se recuperar de uma cirurgia só para ver o amor. Amor quando se sente uma dor e agradece a deus por não ser na pessoa amada que está doendo.
Eu: Sei. E por que essa entrevista vai sem foto?
André: Porque estou contundido para fazer a montagem.
Eu: Beleza. Um grande abraço e até a próxima!
André: Tá ok, meu chapa. Agora vai lá na geladeira e pega uma coquinha para mim, sim?
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Entrevistas comigo mesmo
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
André compareceu à oitava entrevista depois de muito custo. Estava tudo pronto para que fosse na sexta-feira passada, quando ele me liga com aquela voz que a gente nem precisa ouvir o resto para saber da mensagem. É a voz que a gente usa para desmarcar alguma coisa.- Alô?
- Tá bom, André. Já esperava que não fosse dar. Para quando você pode?
- Não sei, não sei. Talvez na próxima sexta.
Marcamos para a próxima sexta com dois pés atrás – um meu e um dele.
Eis que nesta quarta-feira André me liga com uma voz séria e contundente:
- Tem que ser agora.
- Só se for agora!
- Demorou.
Ei-la:
Eu: O que você tem, que não tem ido trabalhar, que não tem ido estudar, que não tem atualizado o blog, que não tem ido a Santos?
André: As três primeiras coisas eu faria de muito bom grado mesmo se não tivesse nada; mas a última... Rapaz, não ir para Santos ver o meu benzinho é pior do que pisar no cocô com a testa. Acontece que eu operei há seis anos e meio o meu cisto pilonidal. Sabe o que é isso?
Eu: Fica no cóccix, né?
André: Isso, fica no cóccix. Não tem nada a ver com o cu, a não ser pela proximidade. Isso tem a ver com o cu o que os Estados Unidos têm a ver com o México: nada. Ah, tirando também que as coisas do meu cu não querem ir ao meu cóccix e vice-versa. Aí não dá pra sentar, não dá pra levantar, não dá pra fazer necas de pitibiribas sem que se doa muito.
Eu: E como se resolve isso?
André: Tenho tomado antibióticos, essas coisas, mas vai ter que operar!
Eu: Dia dois, é isso?
André: Sim, sim. Opero no dia dois de outubro. Saco.
Eu: Fale sobre o início das propagandas do seu blog?
André: Qual deles?
Eu: O importante, o Eu não sou virgem, Maria!
André: Ah, sim! Vou fazer propaganda do blog pregando o endereço dele em algumas paredes. Do lado, vai ter um bloquinho para a pessoa anotar o endereço. É uma coisa boba, uma coisa inútil, mas chama a atenção, sabe?
Eu: Sei, sim. Mas por que você quer fazer propaganda?
André: É uma questão de altruísmo. As outras pessoas pedem para entrar nos blogs delas para que elas ganhem status, para que elas sejam lidas, para que elas ganhem dinheiro. Essas coisas! Eu, quando falo para a pessoa entrar no meu blog, estou sendo muito bondoso! Estou fazendo um favor sem que ninguém me peça. Sou uma pessoa de muito bom coração, embora não pareça.
Eu: Não imaginava esse seu lado. Conte uma pouco mais.
André: Eu faço cara interessada quando alguém quer contar uma novidade, eu elogio as cidades ribeirinhas - e olha que para a população ribeirinha, um elogio de um paulista tem alguma coisa de verdade insofismável! -, eu agradeço ao garçom mesmo que esteja pagando, eu devolvo o troco quando vem um pouco a mais.
Eu: E quando vem muito a mais?
André: Nunca veio, até hoje.
Eu: Tô achando você muito cheio de "Eu"! "Eu" isso, "eu" aquilo...
André: É que essa é uma entrevista comigo mesmo.
Eu: Entendi. E o Palmeiras? Ganha hoje?
André: Se quiser, ganha. Mas acho que não quer.
Eu: Dureza.
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Entrevistas comigo mesmo
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
A matéria está editada, mas se não estivesse, você poderia logo notar que em algumas ocasiões, tive que lhe perguntar duas, três vezes para obter uma singela resposta monossilábica. Mas vocês sabem que antes uma sílaba de André do que duas, três, quatro sílabas de outros.
Eu: Você está esquisito. Como foi seu sono?
André: Dormi pouco. Sexta-feira sempre acordo mais cedo. Acordei com uma vontade danada de uva.
Eu: Você prefere mesmo as uvas thompson?
André: Sim, sim. Elas não têm caroço. Caroço é como um assunto obsessivo que estraga uma pessoa super simpática. Sabe? O cara é legal, é docinho, é palmeirense (verde) mas adora falar sobre cocô e catarro. Dá para falar com alguém assim? O assunto obsessivo - cocô e catarro - é o caroço!
Eu: Mas eu adoro cocô e catarro. Você não está falando de mim, está?
André: Não. Estou falando de mim!
Eu: Não é porque você está nervoso, que vai jogar ironias na minha cabeça.
André: Sei.
(Silêncio constrangedor em que trocamos caras feias e biquinhos)
Eu: Por que a barba tão grande?
André: Ela não está exatamente grande. Está grande para os meus padrões. Para o Bin Laden é uma barba muito pequena.
Eu: Então por que você diz que sua barba é muçulmana?
André: Porque é ruiva.
Eu: Mas o bin Laden tem a barba preta e é muçulmano.
André: Veja. Não é porque muçulmano não tenha barba ruiva, que a barba ruiva não vá parecer muçulmana. Quando a gente não tem uma idéia precisa do que é a coisa, uma coisa que a pareça parece o que a gente imagina que é, não o que ela realmente é.
Eu: Explica isso direito.
André: Os muçulmanos não têm a barba ruiva. Mas quando imaginamos um muçulmano, imaginamos um muçulmano de barba ruiva. Por isso que a minha barba parece muçulmana, porque ela se parece com o tipo de barba que nós imaginamos que os muçulmanos têm.
Eu: Entendi. Posso confirmar uma próxima entrevista na semana que vem?
André: Mas é claro!
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Entrevistas comigo mesmo
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Para a entrevista de hoje, André Cintra estava visivelmente ansioso. De noite, ele iria ver a namorada. E a namorada é tão bonita, que até eu fiquei ansioso por ele. Com a camisa do Palestra, o assunto predominante de hoje foi a fobia que ele tem de dirigir.Eu: Você chegou aqui pontualmente e não dirige. Como isso é possível?!
André: Olha. Para mim o contrário é que seria impossível. Se eu dirigisse, dirigiria tão mal, que não chegaria nunca aos lugares. Eu detesto pensar em dirigir, porém às vezes sonho com isso e penso: como seria bom não ter esse medo! Para você ter uma idéia, quando eu fiz 18 anos, me falavam que eu poderia ser preso e também que poderia tirar carta de motorista. Para mim, uma coisa era tão distante quanto a outra.
Eu: Isso te afasta ainda mais da direção?
André: Você quer dizer que dirigir era uma coisa impensável. Aí se eu dirigisse, ser preso não seria algo tão distante assim. Bem, nunca fiz essa relação tão claramente. Mas para dirigir, vou fazer um esforço pela minha namorada. Quero dizer, põe noiva. Escreve aí noiva. Pela minha noiva e pela minha filha. Mas para ser preso, é justamente por elas que não vou me esforçar! Por elas e por minha mãe, coitada da minha mãe.
Eu: Por falar na sua mãe, ela acha um absurdo que você não dirija, porque quando pequeno você só gostava de carro. Brincava com carro, ficava olhando os carros e sabia diferenciar um Corsa de um Pálio.
André: Eu gostava de brincar com carros porque eu podia dirigir rápido meus carrinhos de brinquedo. Ou melhor. Eu gostava de brincar de carro porque não tinha poste. Criança não pensa em poste, não pensa em atropelamento, não pensa nessas coisas que atrapalham a vida. Quando eu estava andando de carro uma vez com minha mãe aos 8 anos, vi uma viatura do corpo de bombeiros parando o trânsito. Minha mãe disse: não olha. Eu olhei e vi que a pessoa só estava daquele jeito porque alguém que dirigia a atropelou. Tenho horror de atropelar alguém, cruzes!
Eu: Sei. Vamos mudar de assunto que eu já vi que você não gosta de falar de carros.
André: Não, não. Vamos encerrar a entrevista mesmo.
Eu: Não posso fazer só mais uma pergunta?
André: Só mais uma.
Eu: Verdade que você não aceita sugestão de ninguém no blog? Nem para fazer correções?
André: Verdade.
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Entrevistas comigo mesmo
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Entrevista com André #5
André chegou para a nossa entrevista um tanto muxoxo. Com as duas mãos na nuca, olhava para cima com a cara de quem acabou de perder o melhor jogador do time.
Eu: Que cara é essa?! Até parece que o Valdívia foi vendido!
André: E pra Arábia, pra Arábia!
Eu: Ah! foi vendido mesmo?!
André: Oito milhões. O melhor jogador do mundo vendido por oito milhões!
Eu: Como foi essa semana para você? Como é ser entrevistado todos os dias?
André: Gostei.
Eu: Parece que você não quer falar mais, né? Ainda bem que isso só foi acontecer na sexta-feira.
Eu: Que cara é essa?! Até parece que o Valdívia foi vendido!
André: E pra Arábia, pra Arábia!
Eu: Ah! foi vendido mesmo?!
André: Oito milhões. O melhor jogador do mundo vendido por oito milhões!
Eu: Como foi essa semana para você? Como é ser entrevistado todos os dias?
André: Gostei.
Eu: Parece que você não quer falar mais, né? Ainda bem que isso só foi acontecer na sexta-feira.
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Entrevistas comigo mesmo
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Entrevista com André #4
André chegou para a entrevista de hoje um tanto ressabiado, com as mãos no bolso. Com um copo de suco de maracujá na mão, sentou-se ao meu lado e chupou o suco do início a além do fim. Além do fim porque depois que terminou, tentou chupar o que não tinha, fazendo aquele barulho que denota má educação. E começou a olhar para mim.
Eu: Não vai pedir desculpas por ontem?
André: Eu não gosto de pedir desculpas. Melhor do que pedir desculpas é dizer que isso não vai se repetir. Sim?
Eu: Ok, mas não sei se os leitores vão gostar disso.
André: Olha. A preocupação com o leitor é um modo de não se preocupar com ele. Porque se você escreve o que ele quer, vai escrever um texto ruim, de segunda qualidade, porque o leitor é provavelmente ruim e gosta de textos de segunda qualidade. Agora, se você não se preocupar com ele, escreverá textos ótimos, de primeira qualidade, que ele realmente precisa. O que num primeiro momento desagradará o leitor, lhe fará bem. O leitor precisa que escrevam cagando para ele!
Eu: É por isso que tem gente que escreve do banheiro?
André: Eu nunca escrevi no banheiro. Nem vem!
Eu: Ok. Tem uma pergunta que muita gente tem feito, e nada mais adequado do que lhe transmitir: É possível anunciar no seu blog?
André: Não.
Eu: Nem no seu jornal? Nada?
André: Não. É muito engraçado. Parece que tudo tem que ser feito para ganhar dinheiro. No meu jornal, a minha publicação, na verdade, o Umaisum, todos dizem: - "Tem que ter anúncio!" Mas meu chapa, um anúncio seria um estupro ao jornal. E não é que ele tem cu, que tem que ser estuprado. Porque eu tenho um exorbitante defeito: o de não fazer todas as coisas da minha vida para falar que fiz ou para ganhar dinheiro. Para ganhar dinheiro é que eu trabalho seis horas por dia. Agora, nas outras coisas eu não preciso ganhar dinheiro. E sempre dizem que eu tenho que ganhar dinheiro com isso... Esse tipo de gente deve ver uma pessoa bonita e dizer: - "Nossa, seu corpo é bonito! Dá para ganhar um dinheirão! Por que você não se prostitui?"
Eu: Sei, sim. Isso acontece muito comigo, na minha publicação, o Umaisum.
André: Nossa, eu tenho uma publicação com o mesmo nome que a sua!
Eu: Já tinha ouvido falar. Bem. Amanhã se encerra a semana com publicações no blog somente de entrevistas suas com você mesmo. Quero lhe fazer uma pergunta. Por que você se entrevista?
André: O que eu faço escancaradamente, as outras pessoas fazem escondido. É assim. Eu reparo que a maioria das pessoas com quem converso perguntam-me uma coisa para falar delas mesmas. Por exemplo: - De que tipo de música você gosta, André?
Eu: Eu gosto de Bidê ou Balde, Adriana Calcanhoto, não sei dizer...
André: Bem, eu gosto de Cássia Eller, Jota Quest, Beethoven, gosto muito de música gospel também, mas para ouvir aos sábados, sabe? Gosto de Led Zeppelin, de Beatles...
Eu: Ahhh.. Entendi! Você não queria ouvir a minha resposta, queria dizer a sua.
André: Isso! Aqui eu pergunto para mim mesmo diretamente. Não preciso usar ninguém. Quer um golinho de suco?
Eu: Não, brigado.
André: Ah, ainda bem que você não quer! Porque não tem mais!
Eu: Não vai pedir desculpas por ontem?
André: Eu não gosto de pedir desculpas. Melhor do que pedir desculpas é dizer que isso não vai se repetir. Sim?
Eu: Ok, mas não sei se os leitores vão gostar disso.
André: Olha. A preocupação com o leitor é um modo de não se preocupar com ele. Porque se você escreve o que ele quer, vai escrever um texto ruim, de segunda qualidade, porque o leitor é provavelmente ruim e gosta de textos de segunda qualidade. Agora, se você não se preocupar com ele, escreverá textos ótimos, de primeira qualidade, que ele realmente precisa. O que num primeiro momento desagradará o leitor, lhe fará bem. O leitor precisa que escrevam cagando para ele!
Eu: É por isso que tem gente que escreve do banheiro?
André: Eu nunca escrevi no banheiro. Nem vem!
Eu: Ok. Tem uma pergunta que muita gente tem feito, e nada mais adequado do que lhe transmitir: É possível anunciar no seu blog?
André: Não.
Eu: Nem no seu jornal? Nada?
André: Não. É muito engraçado. Parece que tudo tem que ser feito para ganhar dinheiro. No meu jornal, a minha publicação, na verdade, o Umaisum, todos dizem: - "Tem que ter anúncio!" Mas meu chapa, um anúncio seria um estupro ao jornal. E não é que ele tem cu, que tem que ser estuprado. Porque eu tenho um exorbitante defeito: o de não fazer todas as coisas da minha vida para falar que fiz ou para ganhar dinheiro. Para ganhar dinheiro é que eu trabalho seis horas por dia. Agora, nas outras coisas eu não preciso ganhar dinheiro. E sempre dizem que eu tenho que ganhar dinheiro com isso... Esse tipo de gente deve ver uma pessoa bonita e dizer: - "Nossa, seu corpo é bonito! Dá para ganhar um dinheirão! Por que você não se prostitui?"
Eu: Sei, sim. Isso acontece muito comigo, na minha publicação, o Umaisum.
André: Nossa, eu tenho uma publicação com o mesmo nome que a sua!
Eu: Já tinha ouvido falar. Bem. Amanhã se encerra a semana com publicações no blog somente de entrevistas suas com você mesmo. Quero lhe fazer uma pergunta. Por que você se entrevista?
André: O que eu faço escancaradamente, as outras pessoas fazem escondido. É assim. Eu reparo que a maioria das pessoas com quem converso perguntam-me uma coisa para falar delas mesmas. Por exemplo: - De que tipo de música você gosta, André?
Eu: Eu gosto de Bidê ou Balde, Adriana Calcanhoto, não sei dizer...
André: Bem, eu gosto de Cássia Eller, Jota Quest, Beethoven, gosto muito de música gospel também, mas para ouvir aos sábados, sabe? Gosto de Led Zeppelin, de Beatles...
Eu: Ahhh.. Entendi! Você não queria ouvir a minha resposta, queria dizer a sua.
André: Isso! Aqui eu pergunto para mim mesmo diretamente. Não preciso usar ninguém. Quer um golinho de suco?
Eu: Não, brigado.
André: Ah, ainda bem que você não quer! Porque não tem mais!
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Entrevista com André #3
Na entrevista de hoje, André se mostra não bi, mas tripolar. Chegou animado, dando respostas efusivas que não costumam fazer parte de seu feitio. No decorrer da entrevista, porém, o clima esquenta. A diferença é como a de um banheiro limpíssimo em que um sujeito entra para lavar as mãos e de repente faz um cocô e não dá descarga.
Eu: Como estamos? Esse sorriso não me engana!
André: Aconteceu uma grande coisa no início desta manhã. Claro que não foi uma medalha de ouro do Brasil nem uma grande notícia sobre meu time. Aconteceu que encontrei meu relógio que não funciona!
Eu: Jura? Onde estava? Você o procurava há muito tempo?
André: Na gaveta de cima.
Eu: Muito bem, muito bem. Vamos ao que interessa. O blog passou a ser mais visitado depois da divulgação de ontem?
André: Rapaz, seu blog é muito freqüentado, viu? Porque desde que nossa entrevista foi publicada, muitas pessoas entraram no meu blog também!
Eu: Uma mão lava a outra.
André: Que que tem mamão?
Eu: Uma mão lava a outra. Mão.
André: Ah, sim!
Eu: Eu tenho uma curiosidade sobre seu blog. Você não se sente invadido? Não vê muitas pessoas se apropriando do que você diz?
André: Vejo, sim. Mas isso aconteceria de qualquer outra forma, como sempre aconteceu. Eu falo uma coisa totalmente nova, e a pessoa olha para mim concordando, como se já tivesse pensado nisso antes. Ou como se eu tivesse dito uma coisa banal. Quanto ao blog, é inevitável. Aconteceria de um jeito ou de outro.
Eu: É verdade, é verdade. Você já viu muitas pessoas dizendo o que você disse como se fosse delas?
André: Já, sim. Mas eu acho que elas fazem isso para se sentir como se fossem eu. É a mesma coisa que eu colocar uma fantasia do Hulk. E agir como se o Hulk fosse eu! Francamente!
Eu: Calma. Não se enerve, que já estamos encerrando. Conte um pouco mais sobre o transtorno tripolar de um superior seu.
André: Superior, alto lá! Superior aqui na firma. Superior a mim, só três pessoas: meu amor, porque é a pessoa mais linda, graciosa, perfumada, ajeitada, gatinha, enfim, porque é a melhor pessoa mesmo do mundo; Edmundo, porque já jogou no meu time; e Michael Phelps, porque teve antes de mim a idéia de se dopar antes de uma Olimpíada. (Michael Phelps e Edmundo são inferiores ao meu amor) Agora, o transtorno de tripolaridade eu inventei para caracterizar uma pessoa de minha firma. Pensei: bipolar é pouco para ela. Por isso: Tripolar! Veja, a tripolaridade deve ser entendida como uma bipolaridade acentuada; assim como a tetrapolaridade é uma tripolaridade acentuada.
Eu: Mas a tripolaridade não seria uma bipolaridade atenuada, já que tem três polos?
André: Veja. É um conceito que não deve ser levado no rigor da palavra. O que você falou é óbvio, mas de uma burrice de entendimento terrível. Ora essa!
Eu: Acho melhor encerrarmos por aqui. Opa, péra aí, dá tchau pelo menos.
Eu: Como estamos? Esse sorriso não me engana!
André: Aconteceu uma grande coisa no início desta manhã. Claro que não foi uma medalha de ouro do Brasil nem uma grande notícia sobre meu time. Aconteceu que encontrei meu relógio que não funciona!
Eu: Jura? Onde estava? Você o procurava há muito tempo?
André: Na gaveta de cima.
Eu: Muito bem, muito bem. Vamos ao que interessa. O blog passou a ser mais visitado depois da divulgação de ontem?
André: Rapaz, seu blog é muito freqüentado, viu? Porque desde que nossa entrevista foi publicada, muitas pessoas entraram no meu blog também!
Eu: Uma mão lava a outra.
André: Que que tem mamão?
Eu: Uma mão lava a outra. Mão.
André: Ah, sim!
Eu: Eu tenho uma curiosidade sobre seu blog. Você não se sente invadido? Não vê muitas pessoas se apropriando do que você diz?
André: Vejo, sim. Mas isso aconteceria de qualquer outra forma, como sempre aconteceu. Eu falo uma coisa totalmente nova, e a pessoa olha para mim concordando, como se já tivesse pensado nisso antes. Ou como se eu tivesse dito uma coisa banal. Quanto ao blog, é inevitável. Aconteceria de um jeito ou de outro.
Eu: É verdade, é verdade. Você já viu muitas pessoas dizendo o que você disse como se fosse delas?
André: Já, sim. Mas eu acho que elas fazem isso para se sentir como se fossem eu. É a mesma coisa que eu colocar uma fantasia do Hulk. E agir como se o Hulk fosse eu! Francamente!
Eu: Calma. Não se enerve, que já estamos encerrando. Conte um pouco mais sobre o transtorno tripolar de um superior seu.
André: Superior, alto lá! Superior aqui na firma. Superior a mim, só três pessoas: meu amor, porque é a pessoa mais linda, graciosa, perfumada, ajeitada, gatinha, enfim, porque é a melhor pessoa mesmo do mundo; Edmundo, porque já jogou no meu time; e Michael Phelps, porque teve antes de mim a idéia de se dopar antes de uma Olimpíada. (Michael Phelps e Edmundo são inferiores ao meu amor) Agora, o transtorno de tripolaridade eu inventei para caracterizar uma pessoa de minha firma. Pensei: bipolar é pouco para ela. Por isso: Tripolar! Veja, a tripolaridade deve ser entendida como uma bipolaridade acentuada; assim como a tetrapolaridade é uma tripolaridade acentuada.
Eu: Mas a tripolaridade não seria uma bipolaridade atenuada, já que tem três polos?
André: Veja. É um conceito que não deve ser levado no rigor da palavra. O que você falou é óbvio, mas de uma burrice de entendimento terrível. Ora essa!
Eu: Acho melhor encerrarmos por aqui. Opa, péra aí, dá tchau pelo menos.
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Entrevistas comigo mesmo
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Entrevista com André #2
Devido ao grande sucesso de ontem, esta semana será especial de entrevistas de André Cintra com ele mesmo. O dono do blog pede desculpas por não ter dito isso ontem, mas ele se justifica dizendo que não fez uma divulgação prévia para evitar um imenso fluxo nos servidores do blog, causando-lhe problemas de ordem financeira.
Hoje, André estava mais charmoso. Chegou logo dizendo que era um prazer me ver, e que era uma pena não me tocar já que ele não tocava espelhos: mera superstição.
Na entrevista de hoje, André conta o endereço de seu blog, para que todos nós possamos conferir os textos brilhantes deste gênio, e ainda nos conta algumas curiosidades excêntricas de sua vida particular.
Continuemos.
Eu: Primeiramente, preciso tirar uma dúvida dos leitores. Ontem mesmo dissemos que você tem um blog, mas não falou o endereço. Diz pra gente!
André: Claro! Anota aí.
Eu: Deixa eu pegar uma caneta. Pronto, pode falar.
André: É dáblio, dáblio, dáblio
Eu: Ã
André: Ponto, eu não sou virgem maria.
Eu: Tudo junto?
André: Isso, tudo junto. Ponto blogspot, ponto com.
Eu: www.eunaosouvirgemmaria.blogspot.com?
André: Isso!
Eu: Agora bastante gente vai entrar, porque o blog é muito lido.
André: Eu sei. Não é à toa que lhe concedo esta entrevista.
Eu: Entendo, entendo. Vamos fazer um ping pong. Soube que você não concede lugar às pessoas de idade nos ônibus, é verdade?
André: É, sim! Faço isso para os velhinhos sentirem na pele o que eles fizeram com meus bizavós!
Eu: É verdade também que você conta as sílabas das palavras que fala?
André: Das que eu falo e das que eu penso! Acho que Deus vê minha cabeça como a contabilidade de sílabas, em que todas as palavras em língua portuguesa têm as sílabas contadas. Gostaria de conhecer as cabeças de contabilidade de sílabas de outras línguas, mas isso é um plano futuro.
Eu: Você poderia ser mais sucinto nas respostas, sim? Isto é ping pong, e você está como que dando dois, três toques antes de me devolver a bolinha. Por que abóbora é laranja e laranja não é abóbora?
André: Porque o primeiro laranja é adjetivo, o segundo é substantivo.
Eu: Ficamos por aqui. Sim?
André: Sim, sim.
Hoje, André estava mais charmoso. Chegou logo dizendo que era um prazer me ver, e que era uma pena não me tocar já que ele não tocava espelhos: mera superstição.
Na entrevista de hoje, André conta o endereço de seu blog, para que todos nós possamos conferir os textos brilhantes deste gênio, e ainda nos conta algumas curiosidades excêntricas de sua vida particular.
Continuemos.
Eu: Primeiramente, preciso tirar uma dúvida dos leitores. Ontem mesmo dissemos que você tem um blog, mas não falou o endereço. Diz pra gente!
André: Claro! Anota aí.
Eu: Deixa eu pegar uma caneta. Pronto, pode falar.
André: É dáblio, dáblio, dáblio
Eu: Ã
André: Ponto, eu não sou virgem maria.
Eu: Tudo junto?
André: Isso, tudo junto. Ponto blogspot, ponto com.
Eu: www.eunaosouvirgemmaria.blogspot.com?
André: Isso!
Eu: Agora bastante gente vai entrar, porque o blog é muito lido.
André: Eu sei. Não é à toa que lhe concedo esta entrevista.
Eu: Entendo, entendo. Vamos fazer um ping pong. Soube que você não concede lugar às pessoas de idade nos ônibus, é verdade?
André: É, sim! Faço isso para os velhinhos sentirem na pele o que eles fizeram com meus bizavós!
Eu: É verdade também que você conta as sílabas das palavras que fala?
André: Das que eu falo e das que eu penso! Acho que Deus vê minha cabeça como a contabilidade de sílabas, em que todas as palavras em língua portuguesa têm as sílabas contadas. Gostaria de conhecer as cabeças de contabilidade de sílabas de outras línguas, mas isso é um plano futuro.
Eu: Você poderia ser mais sucinto nas respostas, sim? Isto é ping pong, e você está como que dando dois, três toques antes de me devolver a bolinha. Por que abóbora é laranja e laranja não é abóbora?
André: Porque o primeiro laranja é adjetivo, o segundo é substantivo.
Eu: Ficamos por aqui. Sim?
André: Sim, sim.
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Entrevistas comigo mesmo
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Entrevista com André
Hoje, o entrevistado de nosso famigerado blog é André Cintra, também conhecido por André Ursípedes. Por falar em jeito de se chamar, André é chamado de Filho por seu pai e por sua mãe, de Amor por sua namorada e noiva, de Grande pelos mendigos e de Andé pelo seu sobrinho - que quer dizer também André.
André é muito conhecido por sua genialidade, sua inventividade, sua bipolaridade - tripolaridade e tetrapolaridade também -, seu nariz acentuado e por seu belíssimo blog (para quem não sabe, o blog Eu não sou virgem, Maria! é de André, também).
Para a entrevista, o blog convocou o melhor escritor da rede de escritores do blog: André Cintra.
Eu: Você é sempre pontual assim? (A entrevista foi marcada para as 16:58 e André chegou nesta exata hora)
André: Sim, sim. Quando marco com alguém, chego na hora. Mas para você não precisar perguntar qual é o segredo de minha pontualidade (eu sei que você está pensando em perguntar isso), eu me prolongo em minha resposta e lhe confidencio: o segredo da minha pontualidade é me programar para chegar sempre meia hora antes. Assim, se eu me atrasar meia hora, estarei no horário combinado!
Eu: Poxa vida. Se soubesse, poderíamos começar a entrevista meia hora antes, porque uso a mesma tática!
André: Sim, sim.
Eu: É verdade que você não gosta de bolo de cenoura?
André: Não gosto de bolo de cenoura nem de cenoura. Acho que cenoura não combina com nenhum tipo de comida. É lamentável que tenham inventado esse bolo. Imagine você o tanto de donas de casa que não fazem deliciosos bolos de chocolate, de fubá - enfim, deliciosos bolos - para fazerem o terrível bolo de cenoura?
Eu: É tudo isso, mesmo?
André: Olha. Na verdade, eu até como bolo de cenoura. Mas é um desperdício deixar de fazer outro bolo para fazer o de cenoura.
Eu: Continuamos outro dia. Sim?
André: Sim, sim.
André é muito conhecido por sua genialidade, sua inventividade, sua bipolaridade - tripolaridade e tetrapolaridade também -, seu nariz acentuado e por seu belíssimo blog (para quem não sabe, o blog Eu não sou virgem, Maria! é de André, também).
Para a entrevista, o blog convocou o melhor escritor da rede de escritores do blog: André Cintra.
Eu: Você é sempre pontual assim? (A entrevista foi marcada para as 16:58 e André chegou nesta exata hora)
André: Sim, sim. Quando marco com alguém, chego na hora. Mas para você não precisar perguntar qual é o segredo de minha pontualidade (eu sei que você está pensando em perguntar isso), eu me prolongo em minha resposta e lhe confidencio: o segredo da minha pontualidade é me programar para chegar sempre meia hora antes. Assim, se eu me atrasar meia hora, estarei no horário combinado!
Eu: Poxa vida. Se soubesse, poderíamos começar a entrevista meia hora antes, porque uso a mesma tática!
André: Sim, sim.
Eu: É verdade que você não gosta de bolo de cenoura?
André: Não gosto de bolo de cenoura nem de cenoura. Acho que cenoura não combina com nenhum tipo de comida. É lamentável que tenham inventado esse bolo. Imagine você o tanto de donas de casa que não fazem deliciosos bolos de chocolate, de fubá - enfim, deliciosos bolos - para fazerem o terrível bolo de cenoura?
Eu: É tudo isso, mesmo?
André: Olha. Na verdade, eu até como bolo de cenoura. Mas é um desperdício deixar de fazer outro bolo para fazer o de cenoura.
Eu: Continuamos outro dia. Sim?
André: Sim, sim.
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