Você deve estranhar deveras por receber um e-mail de uma pessoa séria como eu. Porque sempre que a senhora é lembrada, é para falar de coisas degradantes, como pornografia, nádegas e a objetização da mulher - convenhamos que não há gente muita séria tratando estes assuntos.
O enfoque deste comunicado é outro. Venho falar, pois, sobre suas façanhas. Sobre como alguém que todos sabiam estar no fundo do poço, sai dele e, sem se limpar, começa a frequentar outros lugares.
Eis uma coisa que pouca gente faz: se limpar ao sair do fundo do poço. Parece que o importante é sair e voltar a fazer o que se fazia antes. É um grande engano. No fundo do poço há ratos, baratas e água muito suja. Provavelmente você que esteve lá, deve saber disso muito melhor que eu. Mas não parece!
Carla, assim que você saiu do fundo do poço passou a frequentar igrejas! Agora elas estão todas sujas nos lugares em que você sentou. Como sei disso? Examinei o formato da sujeira que as nádegas formaram e comparei com as fotos das três vezes em que você posou para a playboy e não havia dúvida. Falei com um masturbador especialista em sexo anal e ele confirmou a verdade irrefutável.
Então a aconselho: Lave-se. Depois, pode ir aonde quiser.
Abraços efusivos,
André
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Carta - Fidel Castro
Fidel Castro,
Quando você chegou ao poder, minha reação foi nula. Você tirou uma ilha da miséria, da prostituição e da fome. Mas reconheço que a maior glória deve ter sido tirá-la do capitalismo.
Não ouvi seus primeiros discursos. Horas compridas naquele calor cubano com palavras cheias de um líder que se orgulha do povo que se orgulha do líder. Nenhuma dessas palavras me atingiram. Nem quando você disse um palavrão; nem quando você falou do Palmeiras; nem quando você fez graça; nem quando você gaguejou, provocando risos na platéia. Não reparei.
Sua coragem em peitar os Estados Unidos, Fidel, foi maravilhosa. Um país pobre contra o rico. O pobre que não se importa de ser pobre contra o rico que não se conforma que os outros não queiram ser ricos. Você liderou o país com um socialismo convicto. Mas eu não percebi nadinha.
A União Soviética caiu, e graças às suas forças de união, Cuba continuou prosperando sem os mínimos recursos. Belíssimos engenheiros, grandiosos médicos, incríveis jornalistas, velozes atletas, todos continuaram sendo formados por idéias ricas sem dinheiro. Eu nem aí.
Sabe o que acontece, companheiro? Nasci só em 1987!
Abraço,
André
Quando você chegou ao poder, minha reação foi nula. Você tirou uma ilha da miséria, da prostituição e da fome. Mas reconheço que a maior glória deve ter sido tirá-la do capitalismo.
Não ouvi seus primeiros discursos. Horas compridas naquele calor cubano com palavras cheias de um líder que se orgulha do povo que se orgulha do líder. Nenhuma dessas palavras me atingiram. Nem quando você disse um palavrão; nem quando você falou do Palmeiras; nem quando você fez graça; nem quando você gaguejou, provocando risos na platéia. Não reparei.
Sua coragem em peitar os Estados Unidos, Fidel, foi maravilhosa. Um país pobre contra o rico. O pobre que não se importa de ser pobre contra o rico que não se conforma que os outros não queiram ser ricos. Você liderou o país com um socialismo convicto. Mas eu não percebi nadinha.
A União Soviética caiu, e graças às suas forças de união, Cuba continuou prosperando sem os mínimos recursos. Belíssimos engenheiros, grandiosos médicos, incríveis jornalistas, velozes atletas, todos continuaram sendo formados por idéias ricas sem dinheiro. Eu nem aí.
Sabe o que acontece, companheiro? Nasci só em 1987!
Abraço,
André
Seção:
Cartas
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Carta - Virginia Woolf
Virginia Woolf,
Quando se dá o nome a alguém, é preciso fazer um esforço de pensar mais na pessoa do que em si mesmo.
Por exemplo. Eu queria muito ter um cachorro de nome Gato. Isso, só para dizer que tenho um cachorro com esse nome. Sabe por que não quero mais? Porque pensei no cachorro. Deve ser muito ruim ter um nome de outra espécie.
Agora, seus pais, Virginia, não pensaram em você. Será que todo seu sofrimento vale uma piada? Deve ser horrível ter um nome que lembre genitália.
Graciosamente,
André
Quando se dá o nome a alguém, é preciso fazer um esforço de pensar mais na pessoa do que em si mesmo.
Por exemplo. Eu queria muito ter um cachorro de nome Gato. Isso, só para dizer que tenho um cachorro com esse nome. Sabe por que não quero mais? Porque pensei no cachorro. Deve ser muito ruim ter um nome de outra espécie.
Agora, seus pais, Virginia, não pensaram em você. Será que todo seu sofrimento vale uma piada? Deve ser horrível ter um nome que lembre genitália.
Graciosamente,
André
Seção:
Cartas
Carta - Galileu Galilei
Caro Galileu Galilei,
Você não sabe a dureza que é escrever uma carta que jamais será lida pelo destinatário. Você passa horas pensando, minutos escrevendo, segundos preenchendo o envelope, para a pessoa simplesmente não ler.
Há vários motivos para que isso aconteça. Já mandei uma carta para o Ronnie Von e ele não leu porque não sou famoso. Já escrevi para o Chico Buarque e ele não leu porque não sou inteligente. Para o Richarlyson e ele não me leu porque não sou gay. E agora que te escrevo, sei que você não lerá por um motivo muito mais nobre do que os outros: você não me lerá porque já morreu.
O que me intriga é que quando escrevi para o Ronnie, para o Chico Buarque, para o Ricky, foi na esperança de que lessem! Agora que lhe escrevo, não tenho sequer essa esperança. Aliás, o motivo principal para esta carta é uma pergunta:
- Galileu Galilei, por que eu lhe escrevo esta carta?
Eu não sei. Se souber, por favor me avise.
Grande abraço do amigo e admirador,
André
Você não sabe a dureza que é escrever uma carta que jamais será lida pelo destinatário. Você passa horas pensando, minutos escrevendo, segundos preenchendo o envelope, para a pessoa simplesmente não ler.
Há vários motivos para que isso aconteça. Já mandei uma carta para o Ronnie Von e ele não leu porque não sou famoso. Já escrevi para o Chico Buarque e ele não leu porque não sou inteligente. Para o Richarlyson e ele não me leu porque não sou gay. E agora que te escrevo, sei que você não lerá por um motivo muito mais nobre do que os outros: você não me lerá porque já morreu.
O que me intriga é que quando escrevi para o Ronnie, para o Chico Buarque, para o Ricky, foi na esperança de que lessem! Agora que lhe escrevo, não tenho sequer essa esperança. Aliás, o motivo principal para esta carta é uma pergunta:
- Galileu Galilei, por que eu lhe escrevo esta carta?
Eu não sei. Se souber, por favor me avise.
Grande abraço do amigo e admirador,
André
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