Foi divulgado nesta tarde o que muitos desconfiavam há meses: a morte de todo o elenco da novela Eu não sou Virgem Maria, do blog Eu não sou virgem, Maria!. Os atores Regina Romona, Rodolpho Wellington Borges da Silva, Ruy Rossé, Carlington Putin foram encontrados todos queimados em estado de decomposição na casa de Regina Romona.
Há vários meses a novela saiu do ar justamente no momento em que os atores deixaram de ser vistos perambulando pela Avenida Paulista e rua Augusta, como era de praxe, devido à homossexualidade de todos. Os meios de comunicação sequer noticiaram o fato com o intuito de não atrapalhar as investigações da polícia, que suspeitava de sequestro desde o princípio.
A cada dia que se passava, porém, todas as desconfianças de sequestro se transferiam para outra, muito pior e inabalável: de morte. Porque nenhum sequestrador tentou entrar em contato com a polícia ou as famílias das vítimas. Além disso, todos os atores eram muito gentis no tratamento com o público, levando a crer que nenhum criminoso, mesmo os das piores índoles, sequestraria alguém do elenco de tão afamada novela.
A agonia dos fãs e dos familiares chegou ao fim somente nesta sexta-feira, quando foi divulgado que todos os atores da saga foram encontrados mortos já em estado de decomposição na casa de Regina Romona, que interpretava a dona Rodolpha. Os corpos estavam todos em um semi-círculo, o que leva a crer que morreram cantando.
Segundo a polícia, a morte conjunta não foi causada intencionalmente: um curto circuito em um liquidificador teria incendiado a casa e matado a todos, um por um. "O fogo agiu como um assassino em massa", disse o policial responsável pelo caso, "que foi matando pessoa por pessoa e de repente sumiu".
André Ursípedes, dono do blog produtor da novela, disse que nunca mais fará novelas, "porque os atores sempre morrem no final".
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sexta-feira, 20 de março de 2009
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria! - a novela - décimo sétimo capítulo - terceiro bloco
Voltamos a apresentar Eu não sou Virgem Maria!
Deus muito se emocionou com a defesa do advogado. Ele chegou a dizer em conversas posteriores que nem Ele faria uma defesa tão bela e tão bem feita! Mas faltava ainda a questão do suicídio. Deus dirigiu-se rispidamente a dona Rodolpha:
- A senhora ia se matar, não ia? Eu tive tanto trabalho para projetar o mundo em sete dias, os seres humanos do barro, e você ainda quer livrar-se do privilégio da vida?!
Dona Rodolpha nesta hora foi tão esperta quanto estava assustada:
- Deus. Eu nunca pedi para nascer. Essa história de que cavalo dado não se olha os dentes é absurda! Imagine que tem gente que dá cavalo estragado unicamente para se livrar dele! Fora que ninguém te pediu para criar o mundo em sete dias. Você tinha quanto tempo quiser. Não coloque na minha conta a sua pressa! Mas eu gostava de viver, Deus. Estava quase aceitando a homossexualidade de meu filho. Acontece que eu não ia me matar. Não! Eu só queria conhecer um bombeiro!
Deus riu da situação e abriu as portas do paraíso para dona Rodolpha.
Deus muito se emocionou com a defesa do advogado. Ele chegou a dizer em conversas posteriores que nem Ele faria uma defesa tão bela e tão bem feita! Mas faltava ainda a questão do suicídio. Deus dirigiu-se rispidamente a dona Rodolpha:
- A senhora ia se matar, não ia? Eu tive tanto trabalho para projetar o mundo em sete dias, os seres humanos do barro, e você ainda quer livrar-se do privilégio da vida?!
Dona Rodolpha nesta hora foi tão esperta quanto estava assustada:
- Deus. Eu nunca pedi para nascer. Essa história de que cavalo dado não se olha os dentes é absurda! Imagine que tem gente que dá cavalo estragado unicamente para se livrar dele! Fora que ninguém te pediu para criar o mundo em sete dias. Você tinha quanto tempo quiser. Não coloque na minha conta a sua pressa! Mas eu gostava de viver, Deus. Estava quase aceitando a homossexualidade de meu filho. Acontece que eu não ia me matar. Não! Eu só queria conhecer um bombeiro!
Deus riu da situação e abriu as portas do paraíso para dona Rodolpha.
Eu não sou Virgem Maria! - a novela - décimo sétimo capítulo - segundo bloco
Voltamos a apresentar Eu não sou Virgem Maria!
Péricles pede primeiramente que Deus lhe devolva as roupas. Muito da credibilidade do advogado lhe vem da vestimenta. Ele tem a consciência de que tudo o que falar de nada servirá se não estiver bem vestido. É como um grande texto como este em um blog ruim.
- Mas estamos todos nus!
Péricles percebe que Deus está realmente peladinho! Ele toma um grande susto e pede então que todos se vistam.
- Mas está muito calor! - Diz Deuu, achando muita graça da situação.
- Eu vou me vestir, queira o senhor ou não!
Deus veste Péricles, mas a situação se torna constrangedora unicamente ao advogado. É como ir vestido normalmente a uma festa fantasia!
Deus começou o julgamento:
"Péricles. A defesa de dona Rodolpha é muito difícil. Ela iria ao paraíso certamente se morresse no ano passado. Mas neste ano cometeu duas gafes que certamente são capazes de lhe tirar este privilégio.
Primeiramente renegou o filho unicamente por ele ser homossexual; depois, tinha resolução certa de cometer um suicídio! Foi um tropeção que a livrou do pior!"
Foi nessas palavras que Péricles fez a defesa de dona Rodolpha:
"Deus. Todos concordamos que o Senhor é modelo maior de perfeição.
Não é à toa que quando comemos um prato gostoso de lasanha o chamamos de divino! Que na Bahia se coma um manjar dos Deuses. Que os arrogantes acham que o Senhor é para o céu o que eles são para a terra. Que os nazistas nojentos mentem que o senhor seja loiro.
Por isso, os melhores seres humanos devem sempre tomar suas atitudes como um caminho a ser seguido. Se você descansa aos domingos, devemos também descansar nesse dia. Se você pede que as crianças se aproximem, nós também pedimos. Se você come peixe, peixe comemos. Se você renega os filhos por não seguirem uma ordem sua, nós também devemos renegar os filhos quando não cumprem uma ordem nossa.
Assim como você disse naquele dia para que Adão e Eva não comessem uma maçã, dona Rodolpha, em 23 de maio de 1976 disse para Lúcio o seguinte:
- Meu filho, não seja gay!
Adão e Eva comeram a maçã e o Senhor os renegou; Lúcio teve relações homossexuais e dona Rodolpha o renegou. Há alguma diferença entre Sua atitude e a dela?"
Estamos apresentando Eu não sou Virgem Maria!
Péricles pede primeiramente que Deus lhe devolva as roupas. Muito da credibilidade do advogado lhe vem da vestimenta. Ele tem a consciência de que tudo o que falar de nada servirá se não estiver bem vestido. É como um grande texto como este em um blog ruim.
- Mas estamos todos nus!
Péricles percebe que Deus está realmente peladinho! Ele toma um grande susto e pede então que todos se vistam.
- Mas está muito calor! - Diz Deuu, achando muita graça da situação.
- Eu vou me vestir, queira o senhor ou não!
Deus veste Péricles, mas a situação se torna constrangedora unicamente ao advogado. É como ir vestido normalmente a uma festa fantasia!
Deus começou o julgamento:
"Péricles. A defesa de dona Rodolpha é muito difícil. Ela iria ao paraíso certamente se morresse no ano passado. Mas neste ano cometeu duas gafes que certamente são capazes de lhe tirar este privilégio.
Primeiramente renegou o filho unicamente por ele ser homossexual; depois, tinha resolução certa de cometer um suicídio! Foi um tropeção que a livrou do pior!"
Foi nessas palavras que Péricles fez a defesa de dona Rodolpha:
"Deus. Todos concordamos que o Senhor é modelo maior de perfeição.
Não é à toa que quando comemos um prato gostoso de lasanha o chamamos de divino! Que na Bahia se coma um manjar dos Deuses. Que os arrogantes acham que o Senhor é para o céu o que eles são para a terra. Que os nazistas nojentos mentem que o senhor seja loiro.
Por isso, os melhores seres humanos devem sempre tomar suas atitudes como um caminho a ser seguido. Se você descansa aos domingos, devemos também descansar nesse dia. Se você pede que as crianças se aproximem, nós também pedimos. Se você come peixe, peixe comemos. Se você renega os filhos por não seguirem uma ordem sua, nós também devemos renegar os filhos quando não cumprem uma ordem nossa.
Assim como você disse naquele dia para que Adão e Eva não comessem uma maçã, dona Rodolpha, em 23 de maio de 1976 disse para Lúcio o seguinte:
- Meu filho, não seja gay!
Adão e Eva comeram a maçã e o Senhor os renegou; Lúcio teve relações homossexuais e dona Rodolpha o renegou. Há alguma diferença entre Sua atitude e a dela?"
Estamos apresentando Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria! - a novela - décimo sétimo capítulo - primeiro bloco
Dona Rodolpha tenta subir ao último andar de seu prédio para se matar. Mas ao sair de casa, tropeça e cai por oito lances de escada. Engraçada, a morte de alguém que ia se matarmas morreu sem querer. Deus:
- Rodolpha. Você teve uma sorte de que não faz idéia! Ia diretamente para o inferno, mas esse tropeção lhe garantirá pelo menos a chance de um julgamento!
- Obrigada, Deus! Você tem certeza que eu morri?
- Tenho, sim.
- E agora é que vai ser meu julgamento?
- É.
- Só falo na presença de um advogado!
- Ok! - diz Deus, muito bem humorado.
Neste momento, Péricles Silva Souza Augustes Bernemontes, um advogado de renome, sofre um acidente gravíssimo que lhe tira a vida.
- Pronto! - Diz Deus. - Agora você já pode falar. Péricles, defenda esta mulher, a Rodolpha!
Advogado e ré se entreolham, dando assim um breve cumprimento.
- Comece a defesa, Péricles!
Estamos apresentando Eu não sou Virgem Maria!
- Rodolpha. Você teve uma sorte de que não faz idéia! Ia diretamente para o inferno, mas esse tropeção lhe garantirá pelo menos a chance de um julgamento!
- Obrigada, Deus! Você tem certeza que eu morri?
- Tenho, sim.
- E agora é que vai ser meu julgamento?
- É.
- Só falo na presença de um advogado!
- Ok! - diz Deus, muito bem humorado.
Neste momento, Péricles Silva Souza Augustes Bernemontes, um advogado de renome, sofre um acidente gravíssimo que lhe tira a vida.
- Pronto! - Diz Deus. - Agora você já pode falar. Péricles, defenda esta mulher, a Rodolpha!
Advogado e ré se entreolham, dando assim um breve cumprimento.
- Comece a defesa, Péricles!
Estamos apresentando Eu não sou Virgem Maria!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - décimo sexto capítulo - segundo bloco
Voltamos a apresentar: Eu não sou Virgem Maria!
Dona Rodolpha, sempre com a Guinzo na mão, olha firme para Lúcio. Enquanto isso, tira um baton da bolsa e o corta em três fatias com a faca.
- Não se assusta, Lúcio?
- Um pouquinho, mamãe!
- Fofo.
Agora é a estátua de leão da sala que dona Rodolpha corta em fatias. Que faca poderosa! Mas que faca perigosa!
Lúcio pensa se é melhor sair correndo, e para sua sorte toca o telefone. Ele corre para atender, mas a mãe costa o fio com a faca!
- O que é isso, mamãe?
- Guinzo, meu filho. Essas facas são ótimas! - dona Rodolpha já baba um pouquinho na parte esquerda da boca.
Lúcio fechou o ânus que estava preparando para abrir para o Flavinho!
- Que indecência!
- De quê, mãe?
- Dessa novela!
- Ah, sim! Uma indecência! Tem motivo para falar do meu cuzinho?!
- Não tente me distrair, que eu estou muito concentrada! - E dona Rodolpha enfia a faca na parede e tira sem fazer o menor esforço.
- Mas essa faca é muito afiada, mamãe!
Lúcio pega a lista telefônica para se defender, e dona Rodolpha tenta cortar inteira, mas só consegue acertar uma folha.
Súbito, abaixa as calças do filho para cortar-lhe o pênis.
É claro que não conseguiu. O papel fez a faca perder o corte.
Dona Rodolpha, sempre com a Guinzo na mão, olha firme para Lúcio. Enquanto isso, tira um baton da bolsa e o corta em três fatias com a faca.
- Não se assusta, Lúcio?
- Um pouquinho, mamãe!
- Fofo.
Agora é a estátua de leão da sala que dona Rodolpha corta em fatias. Que faca poderosa! Mas que faca perigosa!
Lúcio pensa se é melhor sair correndo, e para sua sorte toca o telefone. Ele corre para atender, mas a mãe costa o fio com a faca!
- O que é isso, mamãe?
- Guinzo, meu filho. Essas facas são ótimas! - dona Rodolpha já baba um pouquinho na parte esquerda da boca.
Lúcio fechou o ânus que estava preparando para abrir para o Flavinho!
- Que indecência!
- De quê, mãe?
- Dessa novela!
- Ah, sim! Uma indecência! Tem motivo para falar do meu cuzinho?!
- Não tente me distrair, que eu estou muito concentrada! - E dona Rodolpha enfia a faca na parede e tira sem fazer o menor esforço.
- Mas essa faca é muito afiada, mamãe!
Lúcio pega a lista telefônica para se defender, e dona Rodolpha tenta cortar inteira, mas só consegue acertar uma folha.
Súbito, abaixa as calças do filho para cortar-lhe o pênis.
É claro que não conseguiu. O papel fez a faca perder o corte.
Eu não sou Virgem Maria - a novela - décimo sexto capítulo - primeiro bloco
Dona Rodolpha observa Lúcio distraído ao telefone:
- Tá bem, Flavinho. Fofo! Te ligo mais tarde. Beijo, tchau!
- Lúcio! Ao telefone com a Flavinha?
- Não, mamãe! Era o Flavinho!
Música de suspense profundo.
- Mas você nunca foi de mandar beijo ao Flavinho, meu filho! E fofo é mulher que chama homem! O que aconteceu, meu filho?!
- Está tudo escrito na carta! Ai, mãe, estou me sentindo tão bem assim!
- Pois eu não estou! - diz dona Rodolpha, e tira uma faca Guinzo na bolsa.
O suspense aumenta. Lúcio olha assustado para a mãe. E é nesse momento que ela percebe que o filho tinha passado uma base na unha.
- Não dá para continuar desse jeito, Lúcio! Eu não tenho sangue de barata!
- Se você não tem sangue de barata, mamãe, que faça uma transfusão!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
- Tá bem, Flavinho. Fofo! Te ligo mais tarde. Beijo, tchau!
- Lúcio! Ao telefone com a Flavinha?
- Não, mamãe! Era o Flavinho!
Música de suspense profundo.
- Mas você nunca foi de mandar beijo ao Flavinho, meu filho! E fofo é mulher que chama homem! O que aconteceu, meu filho?!
- Está tudo escrito na carta! Ai, mãe, estou me sentindo tão bem assim!
- Pois eu não estou! - diz dona Rodolpha, e tira uma faca Guinzo na bolsa.
O suspense aumenta. Lúcio olha assustado para a mãe. E é nesse momento que ela percebe que o filho tinha passado uma base na unha.
- Não dá para continuar desse jeito, Lúcio! Eu não tenho sangue de barata!
- Se você não tem sangue de barata, mamãe, que faça uma transfusão!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Eu não sou virgem, Maria! - a novela - décimo quinto capítulo
Dona Rodolpha estranhou o cheiro de café às 7 horas da manhã em sua casa. Esse cheiro lhe era comum e ela não sentia desde que...
- NÃO PODE SER - ela pensou alto.
Desde que Lúcio foi passar uns tempos em Moscou. Quando dona Rodolpha sentiu essa cheiro pela última vez, Lúcio não era gay. Agora, é. Gay que nem os meninos que ela olhava feio, que nem os filhos das amigas que ela desprezava. Como aceitar que o menino para quem ela reservava os melhores olhares e os melhores humores era gay?
- Oi, mami! - disse Lúcio com uma pulseira rosa. E pela primeira vez a chamou de mami.
- Com quem você deseja falar, Lúcio?
- Com você, mami!
- Eu sou sua mãe. Sua mami deve ser outra pessoa. Como o senhor está?
- Sem essa, mami! Agora você é minha mami!
Dona Rodolpha inventou que precisava comprar café.
- Mas já tem café, mami! Eu que fiz.
- Não é café. Eu disse bala de goma.
Foi embora para fugir do filho.
- NÃO PODE SER - ela pensou alto.
Desde que Lúcio foi passar uns tempos em Moscou. Quando dona Rodolpha sentiu essa cheiro pela última vez, Lúcio não era gay. Agora, é. Gay que nem os meninos que ela olhava feio, que nem os filhos das amigas que ela desprezava. Como aceitar que o menino para quem ela reservava os melhores olhares e os melhores humores era gay?
- Oi, mami! - disse Lúcio com uma pulseira rosa. E pela primeira vez a chamou de mami.
- Com quem você deseja falar, Lúcio?
- Com você, mami!
- Eu sou sua mãe. Sua mami deve ser outra pessoa. Como o senhor está?
- Sem essa, mami! Agora você é minha mami!
Dona Rodolpha inventou que precisava comprar café.
- Mas já tem café, mami! Eu que fiz.
- Não é café. Eu disse bala de goma.
Foi embora para fugir do filho.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria! - a novela - décimo quarto capítulo
Quem olhava para Lúcio achava que ele não estava bem. E tinha razão.
O rapaz pegou herpes peniana quanto copulou com uma russa que possuía herpes vaginal, perdeu a matrícula da faculdade, brigou feio com a mãe, raspou o carro numa lombada e ainda foi fotografado enquanto balançava o pênis após urinar em um mijador do shopping.
Esses quinze dias sem novela arruinaram mesmo a vida do jovem moço. Principalmente porque não recebeu salário.
Ele recebe um telefonema e vai correndo atender.
- Alô?
Lúcio, sou eu.
- Eu, quem?
O André, que escreve a novela.
- Fala, André! Nossa, eu precisava muito falar com você!
Por quê? O que aconteceu?
- Bixo, não bastasse a herpes peniana que contraí após copular com uma russa que possuía herpes vaginal, perdi a matrícula da facul, briguei feio com a mamãe, raspei a caranga numa lombada e ainda fui fotografado balançando a piroca depois de urinar no shopping!
Quanta desgraça! Mas eu já sabia de tudo. Fica tranqüilo, que a novela vai voltar. E continua rezando para mim, ok?
- Beleza! Tem como você me adiantar cinco mangos?
Tem, sim. Aqui, ó.
- Brigado. Valeu.
O rapaz pegou herpes peniana quanto copulou com uma russa que possuía herpes vaginal, perdeu a matrícula da faculdade, brigou feio com a mãe, raspou o carro numa lombada e ainda foi fotografado enquanto balançava o pênis após urinar em um mijador do shopping.
Esses quinze dias sem novela arruinaram mesmo a vida do jovem moço. Principalmente porque não recebeu salário.
Ele recebe um telefonema e vai correndo atender.
- Alô?
Lúcio, sou eu.
- Eu, quem?
O André, que escreve a novela.
- Fala, André! Nossa, eu precisava muito falar com você!
Por quê? O que aconteceu?
- Bixo, não bastasse a herpes peniana que contraí após copular com uma russa que possuía herpes vaginal, perdi a matrícula da facul, briguei feio com a mamãe, raspei a caranga numa lombada e ainda fui fotografado balançando a piroca depois de urinar no shopping!
Quanta desgraça! Mas eu já sabia de tudo. Fica tranqüilo, que a novela vai voltar. E continua rezando para mim, ok?
- Beleza! Tem como você me adiantar cinco mangos?
Tem, sim. Aqui, ó.
- Brigado. Valeu.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Décimo terceiro capítulo - segundo bloco
Voltamos a apresentar: Eu não sou Virgem Maria!
Dona Rodolpha tem uma característica de que gosto muito. Quando ouve um defeito de alguém, sente a mesma sensação de que se alguém tivesse exaltado qualidades dela mesma!
É claro que isso é um defeito, e eis aqui algo incompreensível: por que em novelas sentimos raiva dos defeitos do personagens, se é por causa deles - os defeitos - que a novela fica boa? Imagine uma novela cheia de virtudes; uma novela cheia de Gabrielas Duartes sem nenhuma Renata Sorrah para tentar enfiar o facão na chata?! Uma novela boa não se faz com virtudes! Assim como um bom jogo de futebol, uma boa novela não ganharia o troféu fair-play.
Pois Dona Rodolpha viu uma garota linda na fila da loja. Primeiro pensou, "essa seria perfeita para meu filho!" Depois de pensar que o filho não seria perfeito para ela, tratou de procurar um belo defeito. E o encontrou por um relevo por cima da blusa. "Ela certamente deve ter uma verruga ali acima do peito!"
- Vem cá, bem! Viu, tem um creme muito bom para verruga. Chama-se Verrugol, você passa e ela sai!
Assim, sem motivo nenhum. Só para amolar a bonitona, já que o creme nem existe!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Dona Rodolpha tem uma característica de que gosto muito. Quando ouve um defeito de alguém, sente a mesma sensação de que se alguém tivesse exaltado qualidades dela mesma!
É claro que isso é um defeito, e eis aqui algo incompreensível: por que em novelas sentimos raiva dos defeitos do personagens, se é por causa deles - os defeitos - que a novela fica boa? Imagine uma novela cheia de virtudes; uma novela cheia de Gabrielas Duartes sem nenhuma Renata Sorrah para tentar enfiar o facão na chata?! Uma novela boa não se faz com virtudes! Assim como um bom jogo de futebol, uma boa novela não ganharia o troféu fair-play.
Pois Dona Rodolpha viu uma garota linda na fila da loja. Primeiro pensou, "essa seria perfeita para meu filho!" Depois de pensar que o filho não seria perfeito para ela, tratou de procurar um belo defeito. E o encontrou por um relevo por cima da blusa. "Ela certamente deve ter uma verruga ali acima do peito!"
- Vem cá, bem! Viu, tem um creme muito bom para verruga. Chama-se Verrugol, você passa e ela sai!
Assim, sem motivo nenhum. Só para amolar a bonitona, já que o creme nem existe!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Décimo terceiro capítulo - primeiro bloco
De protesto por eu não mencioná-la por vários capítulos, Solange ficou sentada em seu quarto por sete dias seguidos. Virada para a parede. Sem tomar nada, sem beber uma golinho d´água, e o pior: sem fazer xixi. Qualquer um passa três horas sem comer. Mas passar três horas sem fazer xixi é de um esforço só comparável ao de três dias sem fazer cocô! Cruzes!
Mas esta é uma história ficcional. Os personagens só morrem quando eu percebo. E Solange é tão desprezível, que ficou todos esses dias sem comer e eu nem notei! Estava concentrado em dona Rodolpha.
Solange.
- Que é?
Joguei um pedaço de comida no outro canto, e ela saiu correndo, agora mortinha de fome. Pela pressa, ela tropeçou e bateu a cabeça no chão, e caída ficará mais sete dias. Agora em coma. Para não fazer mais protestos no meio da novela. É preciso manter os personagens com a rédea curta!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
Mas esta é uma história ficcional. Os personagens só morrem quando eu percebo. E Solange é tão desprezível, que ficou todos esses dias sem comer e eu nem notei! Estava concentrado em dona Rodolpha.
Solange.
- Que é?
Joguei um pedaço de comida no outro canto, e ela saiu correndo, agora mortinha de fome. Pela pressa, ela tropeçou e bateu a cabeça no chão, e caída ficará mais sete dias. Agora em coma. Para não fazer mais protestos no meio da novela. É preciso manter os personagens com a rédea curta!
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Décimo segundo capítulo
Dona Rodolpha está vendo televisão com a mão no queixo, quando de repente a põe no coração para exclamar o seguinte:
- Ai, o Brito! Como eu gosto do Brito!
O Brito é esse mesmo, o Brito Jr. da Record. Dona Rodolpha fica encantada ao perceber como este homem pode ser tão charmoso apesar de ser careca, ou em como esse homem pode ser tão careca apesar de ser charmoso. Não sei qual é a ordem, mas o encanto foi enorme. Brito estava comentando alguma coisa sobre qualquer assassinato quando lhe escapou uma risadinha.
Dona Rodolpha levantou-se abruptamente porque era preciso ir ao psicólogo. A primeira idéia era de ir ao psicólogo para procurar o melhor tratamento para o filho, o pederasta.
- Rodolpha?
- Sim, quem está falando comigo?
- Aqui é Deus, Rodolpha. Vim para lhe dizer que pederastia não é doença. Talvez a verdadeira doença seja achar que pederastia é doença. Ah! E me ouvir não é doença, não. Fique tranqüila.
A segunda idéia foi a de tratar a ela mesma, primeiro porque estava enlouquecendo por seu filho ser gay, depois porque estava ouvindo Deus com uma freqüência assustadora.
Imagens da cidade.
Dona Rodolpha na sala de espera, lendo a revista Caras.
- Senhora secretária, a senhora teria uma caneta para me emprestar, por favor?
A senhora secretária não emprestaria se soubesse que dona Rodolpha desenharia bigodes em todas as mulheres e cabelos compridos em todos os homens. Aquela Caras ficou toda invertida. Um escândalo.
- Dona Rodolpha Albuquerque!
Ela se encaminhou ao médico, o cumprimentou e mal o doutor fechou a porta, que dona Rodolpha foi logo falando.
- Gay, gay, gay, meu filho é gay! Ouviu? Gay! Ele é gay!
- Quem? O Lucinho? É gay?
- Gay! O Lúcio é gay, doutor! Meu filho é gay!
- Eu bem desconfiei quando vi a capa do jornal. Mas o que lhe traz aqui?
- Como o que me traz aqui, doutor?! Meu filho é gay! Ele precisa de tratamento urgente, pois está vindo ao Brasil!
- Quem precisa de tratamento é a senhora. A senhora está com depressão.
- Depressão, doutor? Não é depressão, não! É algo muito mais sério! Eu acho que é síndrome de down!
- Ah! - o doutor ri calmamente - síndrome de down, a senhora não tem. Deixe-me só conferir aqui. Não, não. Não é síndrome de down. Muitas pessoas confundem depressão com síndrome de down, querem mandar no doutor, dizer que é mesmo síndrome de down. Mas não é, Eu lhe garanto. A senhora tem depressão!
- Oh! - com a mão na boca - Me desculpe.
- Ai, o Brito! Como eu gosto do Brito!
O Brito é esse mesmo, o Brito Jr. da Record. Dona Rodolpha fica encantada ao perceber como este homem pode ser tão charmoso apesar de ser careca, ou em como esse homem pode ser tão careca apesar de ser charmoso. Não sei qual é a ordem, mas o encanto foi enorme. Brito estava comentando alguma coisa sobre qualquer assassinato quando lhe escapou uma risadinha.
Dona Rodolpha levantou-se abruptamente porque era preciso ir ao psicólogo. A primeira idéia era de ir ao psicólogo para procurar o melhor tratamento para o filho, o pederasta.
- Rodolpha?
- Sim, quem está falando comigo?
- Aqui é Deus, Rodolpha. Vim para lhe dizer que pederastia não é doença. Talvez a verdadeira doença seja achar que pederastia é doença. Ah! E me ouvir não é doença, não. Fique tranqüila.
A segunda idéia foi a de tratar a ela mesma, primeiro porque estava enlouquecendo por seu filho ser gay, depois porque estava ouvindo Deus com uma freqüência assustadora.
Imagens da cidade.
Dona Rodolpha na sala de espera, lendo a revista Caras.
- Senhora secretária, a senhora teria uma caneta para me emprestar, por favor?
A senhora secretária não emprestaria se soubesse que dona Rodolpha desenharia bigodes em todas as mulheres e cabelos compridos em todos os homens. Aquela Caras ficou toda invertida. Um escândalo.
- Dona Rodolpha Albuquerque!
Ela se encaminhou ao médico, o cumprimentou e mal o doutor fechou a porta, que dona Rodolpha foi logo falando.
- Gay, gay, gay, meu filho é gay! Ouviu? Gay! Ele é gay!
- Quem? O Lucinho? É gay?
- Gay! O Lúcio é gay, doutor! Meu filho é gay!
- Eu bem desconfiei quando vi a capa do jornal. Mas o que lhe traz aqui?
- Como o que me traz aqui, doutor?! Meu filho é gay! Ele precisa de tratamento urgente, pois está vindo ao Brasil!
- Quem precisa de tratamento é a senhora. A senhora está com depressão.
- Depressão, doutor? Não é depressão, não! É algo muito mais sério! Eu acho que é síndrome de down!
- Ah! - o doutor ri calmamente - síndrome de down, a senhora não tem. Deixe-me só conferir aqui. Não, não. Não é síndrome de down. Muitas pessoas confundem depressão com síndrome de down, querem mandar no doutor, dizer que é mesmo síndrome de down. Mas não é, Eu lhe garanto. A senhora tem depressão!
- Oh! - com a mão na boca - Me desculpe.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Décimo primeiro capítulo
Não sei de onde dona Rodolpha tirou que filho gay não vale nada. Não há mal algum em ter filho gay. O único ponto ruim de uma outra pessoa de sexo oposto ser gay é quando se está interessado sexualmente nela.
- Seria dona Rodolpha uma mãe incestuosa?! - o leitor pergunta.
E mais:
- Dona Rodolpha abusou do próprio filho na infância?!
Não contente:
- Dona Rodolpha matou o marido para ficar a sós com Lúcio?!
Não, minha gente. Dona Rodolpha não tem interesse sexual nenhum pelo filho. Aliás, ela o acha meio gay, desculpe, meio molenga para a idade dele. Ela não se interessa por homens molengas. Pior ainda por filhos molengas. Mesmo se ele fosse durão, ela não se interessaria. Quem faz o tipo de dona Rodolpha é o porteiro. Eis o motivo por que ela não aceita a homossexualidade do filho: - Ela se constrangeria com o porteiro.
Não propriamente zombada, porque aquele homem é um poço de profissionalismo imbecil. Dona Rodolpha veste a melhor sandália, o melhor biquini, o melhor chapéu para se exibir para aquele homem, mas ele só diz três coisas. A primeira é "Bom dia, Dona Rodolpha". Segunda: "As cartas, Dona Rodolpha". A terceira e preferida dela: "Quer que eu carregue as compras, dona Rodolpha?", ela sempre quer. Ela faz compras para ouvir aquilo, para ele carregar aquilo, para pegar o elevador com ele! Não, ele não sobe no elevador. Só entra até descarregar as compras.
Uma vez ele deu preferência às compras de uma mocinha. Rodolpha ficou três dias inteiros sem ir às compras para fazer ciúmes, e o porteiro pensou somente que ela estava com problemas financeiros - mudou de opinião, achando que era a menopausa, quando reparou que ela não lhe respondia o bom dia. Outra vez ela o fechou no elevador, ficaram somente os dois naquele cubículo. Os dois e sucrilhos, sabão em pó e leite para fazer bastante peso. Vinte leites. Ela já tinha mais de 200, porque ela adorava vê-lo carregar leites! Mas ele gentilmente abriu a porta e pediu desculpas sem reparar que aquela mulher oleosa ficara mais vermelha que espinha.
Enfim. Tudo que dona Rodolpha sabia sobre ele era que se chamava Roberval. Estava escrito no crachá.
- Seria dona Rodolpha uma mãe incestuosa?! - o leitor pergunta.
E mais:
- Dona Rodolpha abusou do próprio filho na infância?!
Não contente:
- Dona Rodolpha matou o marido para ficar a sós com Lúcio?!
Não, minha gente. Dona Rodolpha não tem interesse sexual nenhum pelo filho. Aliás, ela o acha meio gay, desculpe, meio molenga para a idade dele. Ela não se interessa por homens molengas. Pior ainda por filhos molengas. Mesmo se ele fosse durão, ela não se interessaria. Quem faz o tipo de dona Rodolpha é o porteiro. Eis o motivo por que ela não aceita a homossexualidade do filho: - Ela se constrangeria com o porteiro.
Não propriamente zombada, porque aquele homem é um poço de profissionalismo imbecil. Dona Rodolpha veste a melhor sandália, o melhor biquini, o melhor chapéu para se exibir para aquele homem, mas ele só diz três coisas. A primeira é "Bom dia, Dona Rodolpha". Segunda: "As cartas, Dona Rodolpha". A terceira e preferida dela: "Quer que eu carregue as compras, dona Rodolpha?", ela sempre quer. Ela faz compras para ouvir aquilo, para ele carregar aquilo, para pegar o elevador com ele! Não, ele não sobe no elevador. Só entra até descarregar as compras.
Uma vez ele deu preferência às compras de uma mocinha. Rodolpha ficou três dias inteiros sem ir às compras para fazer ciúmes, e o porteiro pensou somente que ela estava com problemas financeiros - mudou de opinião, achando que era a menopausa, quando reparou que ela não lhe respondia o bom dia. Outra vez ela o fechou no elevador, ficaram somente os dois naquele cubículo. Os dois e sucrilhos, sabão em pó e leite para fazer bastante peso. Vinte leites. Ela já tinha mais de 200, porque ela adorava vê-lo carregar leites! Mas ele gentilmente abriu a porta e pediu desculpas sem reparar que aquela mulher oleosa ficara mais vermelha que espinha.
Enfim. Tudo que dona Rodolpha sabia sobre ele era que se chamava Roberval. Estava escrito no crachá.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria! - a novela - Décimo capítulo (A coisa está esquentando!)
Dona rodolpha recebe a carta de Lúcio e diz um palavrão somente com a boca, sem som. Só dá para ouvir levemente a palavra "pariu". Ela dá um tapinha na boca e faz o sinal da cruz. Deus, se lhe desse ouvidos, diria:
- De ter falado palavrão, você se arrepende; mas de querer que o filho morra só pela opção sexual dele você não se arrepende, não é, dona Rodolpha?
Aliás, Deus disse isso, mas ela fingiu que não ouviu. E depois teve que fingir que não acreditava em Deus. Fingimento que mais tarde passaria porque ela precisava Lhe pedir que deixasse o filho na Rússia. Ou que pelo menos não fosse gay!
Nessa hora, Deus lhe respondeu:
- Minha filha. Ser gay não é defeito. Eu mesmo já achei em alguns momentos que minhas criações masculinas eram melhores que as femininas! Olhava os homens e tinha que repetir para mim mesmo: São seus filhos! São seus filhos! Só depois da Juliana é que me resolvi quanto a isso. Bem, você não me ouviu agora. Foi só uma alucinação. Passar bem.
Dona Rodolpha pegou sua caneta tinteiro e mordendo a língua escreveu:
"Lúcio, meu filho,
Não vejo problema nenhum na sua opção sexual. Mas eu adoro a Rússia e acho que seria bom que você passasse mais tempo aí. Quem sabe mais 43 anos?
Grande abraço,
de sua mãe,
Rodolpha"
- De ter falado palavrão, você se arrepende; mas de querer que o filho morra só pela opção sexual dele você não se arrepende, não é, dona Rodolpha?
Aliás, Deus disse isso, mas ela fingiu que não ouviu. E depois teve que fingir que não acreditava em Deus. Fingimento que mais tarde passaria porque ela precisava Lhe pedir que deixasse o filho na Rússia. Ou que pelo menos não fosse gay!
Nessa hora, Deus lhe respondeu:
- Minha filha. Ser gay não é defeito. Eu mesmo já achei em alguns momentos que minhas criações masculinas eram melhores que as femininas! Olhava os homens e tinha que repetir para mim mesmo: São seus filhos! São seus filhos! Só depois da Juliana é que me resolvi quanto a isso. Bem, você não me ouviu agora. Foi só uma alucinação. Passar bem.
Dona Rodolpha pegou sua caneta tinteiro e mordendo a língua escreveu:
"Lúcio, meu filho,
Não vejo problema nenhum na sua opção sexual. Mas eu adoro a Rússia e acho que seria bom que você passasse mais tempo aí. Quem sabe mais 43 anos?
Grande abraço,
de sua mãe,
Rodolpha"
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Nono capítulo, segundo bloco
Voltamos a apresentar: Eu não sou Virgem Maria!
Lúcio saca uma caneta de seu terno e vai logo escrevendo uma carta.
"Querida mãe,
Foi com muita alegria que recebi sua carta. Entendo a demora, já que foi muito humilhante para você ver aquela foto e aquela manchete no jornal. É bom saber que a senhora me perdoou. E saiba por aqui que eu também a perdoei.
O que vou lhe falar é um grande segredo, mas também um grande alívio e, por que não?, uma grande alegria para mim.
Mãe. Eu vou voltar para o Brasil. Aqui na Rússia, tive muitas mulheres. Não posso dizer que de todas as cores, porque são todas brancas loiras. Em nenhuma encontrei o amor e a alegria que encontrei... nos meus amigos! Mãe, tinham todos razão! Eu sou gay, mamãe! Eu sou gay!
Vou voltar. E se prepare.
Beijos do seu filho,
Lúcio"
Música de suspense do Menudo.
Lúcio saca uma caneta de seu terno e vai logo escrevendo uma carta.
"Querida mãe,
Foi com muita alegria que recebi sua carta. Entendo a demora, já que foi muito humilhante para você ver aquela foto e aquela manchete no jornal. É bom saber que a senhora me perdoou. E saiba por aqui que eu também a perdoei.
O que vou lhe falar é um grande segredo, mas também um grande alívio e, por que não?, uma grande alegria para mim.
Mãe. Eu vou voltar para o Brasil. Aqui na Rússia, tive muitas mulheres. Não posso dizer que de todas as cores, porque são todas brancas loiras. Em nenhuma encontrei o amor e a alegria que encontrei... nos meus amigos! Mãe, tinham todos razão! Eu sou gay, mamãe! Eu sou gay!
Vou voltar. E se prepare.
Beijos do seu filho,
Lúcio"
Música de suspense do Menudo.
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Nono capítulo, primeiro bloco
Lúcio recebe uma carta. Uma carta de sua mãe, a dona Rodolpha. Ele lê com os olhos cheios de lágrimas.
"Lúcio, meu filho,
Tudo bem?
Você faz tanta falta, meu filho, que eu não sei de onde tirar forças para fazer as simples coisas da vida. Antes eu acordava para te acordar; fazia o café da manhã para você; ia beber com minhas amigas para sentir a sua falta; e mandava a empregada fazer o feijão para você.
Agora que você não está, nem mesmo escovar os dentes eu escovo, porque você não vai reclamar de meu bafo.
Seguinte. Fiz uma espécie de pesquisa entre as pessoas que nos são mais próximas. A conclusão foi tão animadora para mim quanto tenho certeza de que será para você. Filho, ninguém mais acha que você é gay! Pode voltar assim que quiser, que sua vida continuará normalmente, como se você não tivesse saído na capa do jornal com um travesti segurando sua genitália!
Venha o quanto antes.
Com o amor de mãe,
Rodolpha"
Ele olha para a janela, já chorando.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
"Lúcio, meu filho,
Tudo bem?
Você faz tanta falta, meu filho, que eu não sei de onde tirar forças para fazer as simples coisas da vida. Antes eu acordava para te acordar; fazia o café da manhã para você; ia beber com minhas amigas para sentir a sua falta; e mandava a empregada fazer o feijão para você.
Agora que você não está, nem mesmo escovar os dentes eu escovo, porque você não vai reclamar de meu bafo.
Seguinte. Fiz uma espécie de pesquisa entre as pessoas que nos são mais próximas. A conclusão foi tão animadora para mim quanto tenho certeza de que será para você. Filho, ninguém mais acha que você é gay! Pode voltar assim que quiser, que sua vida continuará normalmente, como se você não tivesse saído na capa do jornal com um travesti segurando sua genitália!
Venha o quanto antes.
Com o amor de mãe,
Rodolpha"
Ele olha para a janela, já chorando.
Estamos apresentando: Eu não sou Virgem Maria!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Oitavo capítulo, bloco único
Na Rússia, a procura de um Lada* que pudesse transportá-lo aonde quer que seu pensamento comunista ordenasse, Lúcio procurou uma revendedora autorizada do veículo.
- Não tem. - disse um velho de aproximadamente 46 anos em tom lamentoso. Eu sei muito bem que com 46 anos dificilmente alguém é velho, a não ser que esteja nos anos 1950, 60, ou menos que isso, quando a expectativa de vida era deveras menor. Mas este era um senhor saudosista. Ele gostava muito mais dos anos antigos, e praticamente vivia neles. Por isso ser velho aos 46 anos.
Lúcio pensou: "Poxa vida."
Se fosse uma pessoa mais profunda e de melhor vocabulário, ele teria pensado: "É de uma incomensurável pena que não exista uma revendedora oficial de Ladas, embora Ladas ainda existam. Como pode?! Acho que criarei uma, quando minhas notas pecuniárias me favorecerem. Aquele senhor taciturno deve lamentar tanto quanto eu! Eu lhe daria um amplexo apertado se estivesse em um dia emocionado."
Ocorreu que Lúcio achou um anúncio em um jornal de Moscou e comprou um Lada antigo de cor branca.
Na Avenida Lênin, às 18 horas de um domingo, ele esmagou o carro em uma árvore de um jeito tão feio, que parecia de propósito. E o carro também pareceu uma sanfona. Mas ninguém pensou isso pela falta de popularidade das sanfonas na Rússia.
Primeiro os curiosos se preocuparam em saber se o homem que estava dentro do carro estava vivo. Depois de sair com inúmeros ferimentos, embora vivo, os curiosos todos trataram de adicionar-lhe alguns machucados, porque não se bate um Lada tão precioso e antigo daquele jeito.
* Lada é um carro
- Não tem. - disse um velho de aproximadamente 46 anos em tom lamentoso. Eu sei muito bem que com 46 anos dificilmente alguém é velho, a não ser que esteja nos anos 1950, 60, ou menos que isso, quando a expectativa de vida era deveras menor. Mas este era um senhor saudosista. Ele gostava muito mais dos anos antigos, e praticamente vivia neles. Por isso ser velho aos 46 anos.
Lúcio pensou: "Poxa vida."
Se fosse uma pessoa mais profunda e de melhor vocabulário, ele teria pensado: "É de uma incomensurável pena que não exista uma revendedora oficial de Ladas, embora Ladas ainda existam. Como pode?! Acho que criarei uma, quando minhas notas pecuniárias me favorecerem. Aquele senhor taciturno deve lamentar tanto quanto eu! Eu lhe daria um amplexo apertado se estivesse em um dia emocionado."
Ocorreu que Lúcio achou um anúncio em um jornal de Moscou e comprou um Lada antigo de cor branca.
Na Avenida Lênin, às 18 horas de um domingo, ele esmagou o carro em uma árvore de um jeito tão feio, que parecia de propósito. E o carro também pareceu uma sanfona. Mas ninguém pensou isso pela falta de popularidade das sanfonas na Rússia.
Primeiro os curiosos se preocuparam em saber se o homem que estava dentro do carro estava vivo. Depois de sair com inúmeros ferimentos, embora vivo, os curiosos todos trataram de adicionar-lhe alguns machucados, porque não se bate um Lada tão precioso e antigo daquele jeito.
* Lada é um carro
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Sétimo capítulo, segundo bloco
Uma capa de jornal, em russo. Na foto principal, está Lúcio com uma loira um pouco maior que ele - e olhe que Lúcio tem 1,93m. A manchete: "Lúcio, o brasileiro eleito o melhor militar de toda a Rússia"
Na cama com a mulher da capa e mais outras duas, Lúcio pegar o jornal e começa a tocar a música de fundo: "Tudo que eu quero é ter o mundo aos meus pés" Lúcio toma uma vodka num gole muito comprido. E a música continua: "E nada mais!" *
* A banda Autoramas cedeu gentilmente a música Megalomania à novela Eu não sou Virgem Maria!
Na cama com a mulher da capa e mais outras duas, Lúcio pegar o jornal e começa a tocar a música de fundo: "Tudo que eu quero é ter o mundo aos meus pés" Lúcio toma uma vodka num gole muito comprido. E a música continua: "E nada mais!" *
* A banda Autoramas cedeu gentilmente a música Megalomania à novela Eu não sou Virgem Maria!
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Sétimo capítulo, primeiro bloco
Lúcio pega um avião vermelho, azul e branco. As aeromoças falam numa língua que você não saberia que era russo se eu não falasse: -"É russo." Para onde? Rússia. Não sei por que ele escolheu país tão exótico. Você veja como são as coisas. Se ele tivesse feito uma escolha ruim, como Estados Unidos, França, Portugal, eu não perguntaria o porquê da escolha. Agora, quem faz o que é certo é que tem que se justificar. Por que Rússia, meu querido Lúcio?
- Sempre gostei da Rússia. Na Guerra Fria sempre torcia para os Soviéticos. Aliás, acho Vodka muito mais gostoso do que Budweiser. E prefiro o Putin ao Bush.
Só por isso?
- Ah! Lá em casa tenho Net!
O que isso tem a ver?
- Skavuska!
Pois bem. Lúcio desembarcou naquele belíssimo aeroporto, que vemos comumente no 007 com gente morrendo. Mas nesse momento ninguém morria. Pelo menos, a câmera não pegou um russo morto. Pelo contrário. Russo bom é russo vivo, mas eles não precisavam acenas tanto para a câmera. Não entendo por que tanto acenam para algo que não conhecem!
Lúcio saiu do aeroporto para andar triunfalmente por Moscou. Sorria para todas as coisas, admirava até as paisagens feias, as pessoas feias, o frio medonho. Não importava para ele que aquilo era horrível. Nada lhe era ruim. Ruim era São Paulo, onde todos o achavam gay. Na Rússia, ninguém teria esta desconfiança. Ou, se tivesse, ele não sabe ouvir russo, mesmo.
Ele anda sempre em frente, como se soubesse o caminho de uma cidade em que nunca esteve antes. Essa é a cena que quando a gente vê na novela, tem a sensação de já ter vivido, mas que se pensada friamente, é claro que um guia seria útil, no mínimo. Eis que ele entra em um prédio muito bonito e luxuoso. Palavras em russo indicam: - Exército.
- Sempre gostei da Rússia. Na Guerra Fria sempre torcia para os Soviéticos. Aliás, acho Vodka muito mais gostoso do que Budweiser. E prefiro o Putin ao Bush.
Só por isso?
- Ah! Lá em casa tenho Net!
O que isso tem a ver?
- Skavuska!
Pois bem. Lúcio desembarcou naquele belíssimo aeroporto, que vemos comumente no 007 com gente morrendo. Mas nesse momento ninguém morria. Pelo menos, a câmera não pegou um russo morto. Pelo contrário. Russo bom é russo vivo, mas eles não precisavam acenas tanto para a câmera. Não entendo por que tanto acenam para algo que não conhecem!
Lúcio saiu do aeroporto para andar triunfalmente por Moscou. Sorria para todas as coisas, admirava até as paisagens feias, as pessoas feias, o frio medonho. Não importava para ele que aquilo era horrível. Nada lhe era ruim. Ruim era São Paulo, onde todos o achavam gay. Na Rússia, ninguém teria esta desconfiança. Ou, se tivesse, ele não sabe ouvir russo, mesmo.
Ele anda sempre em frente, como se soubesse o caminho de uma cidade em que nunca esteve antes. Essa é a cena que quando a gente vê na novela, tem a sensação de já ter vivido, mas que se pensada friamente, é claro que um guia seria útil, no mínimo. Eis que ele entra em um prédio muito bonito e luxuoso. Palavras em russo indicam: - Exército.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Sexto capítulo, bloco único
A empregada de dona Rodolpha estava tirando o pó da prateleira onde fica a coleção de miniaturas do seu Astolfo só para fazer hora, porque não tinha pó nenhum. E mesmo que tivesse, aquele pó não precisaria ser incomodado. Coleção de infância. São coisas que realmente têm seu valor, mas ninguém tem saco para dar o valor, entende? Tinha um espelhinho, para onde ela olhou fixamente porque lá estava refletida a barriga de dona Rodolpha. Este foi o pensamento da empregada:
- Todas as barrigas se parecem.
- Todas as barrigas se parecem.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Eu não sou Virgem Maria - a novela - Quinto capítulo, segundo bloco
Voltamos a apresentar: Eu não sou Virgem Maria!
Rodolpha volta do desmaio e se surpreende com o médico novo.
- O que aconteceu com o doutor Armindo?!
- Ele sumiu. Ele e o Marquinhos sumiram.
Dona Rodolpha desmaia novamente, mas dessa vez, não sei, não!
Rodolpha volta do desmaio e se surpreende com o médico novo.
- O que aconteceu com o doutor Armindo?!
- Ele sumiu. Ele e o Marquinhos sumiram.
Dona Rodolpha desmaia novamente, mas dessa vez, não sei, não!
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