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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Uma recomendação

Quem passa por essas bandas costumeiramente - além de ter muito bom gosto - sabe muito bem que não costumo elogiar outros sites.

Poxa vida. Eu me esforço tanto para manter uma soberba convincente! Elogiar outro site seria como admitir que não sou perfeito. Ou pior: Que alguém é melhor do que eu!

Um segundo desta humildade poderia facilmente desmascarar quase um ano de altivez.

Acontece que desta vez é inevitável.

Li um texto tão magnífico em outro site, que pensei primeiramente:

- Eu poderia tê-lo escrito!

E depois:

- É digno do Eu não sou virgem, Maria!

É um texto que tem uma lógica fenomenal. Ele diz que a etiqueta convencional trata do banheiro para fora. Ou seja, é a lógica de que tudo o que não se pode fazer do lado de fora do banheiro, dentro pode.

Isto não é verdade. Mas vai notar isso?!

É um texto sobre a etiqueta dentro do banheiro. Ele será exibido em três partes. Eis o link da primeira: http://www.mcorporation.com.br/2008/12/12/etiqueta-de-banheiro/#more-373

Mal posso esperar pelas outras duas!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sobre o dia da consciência feia

A participatividade deveria ser um talento raro. Este é, sim, um dos grandes defeitos de Deus. Ele distribui participatividade aos bons e aos ruins sem o menor critério! Quanto talento deixamos de apreciar por um gênio não ser participativo! E quantas besteiras temos que ouvir por um idiota ser participativo!

Pois um leitor participativo deste blog comentou em ocasião de minha proposta do dia da consciência albina, que os feios é que deveriam ter seu dia, já que são o mais discriminados.

Entendo perfeitamente o leitor, pois tenho uma incomensurável capacidade de compreender ignorâncias. É claro que deve ser um leitor bem intencionado, é claro que deve gostar muito de mim, como é claro que foi um comentário despretensioso, impensado.

Já é hora de pararmos de fazer coisas despretensiosas. Ainda mais em um lugar tão importante como este blog. Imagine você que os comentários aqui vem aos milhões. Não pense que isto é um convite ao comentário qualquer, pois ao mesmo tempo em que o comentário se perde em meio à multidão, a multidão tem a possibilidade de lê-lo.

Meu leitor. Os feios já atrapalham demais a nossa vida.

Você entra no ônibus em um dia agradável e vê um sujeito feio. O que faz? Aliás, o que você sente? É como se o dia se tornasse menos agradável e menos bonito. Deus teve o trabalho de fazer um belo dia de sol, Kassab teve que limpar a cidade inteira, para vir um feio ao seu lado e estragar todos estes esforços conjuntos.

Os feios, se não fossem úteis na indústria, deveriam passar a vida em casa se escondendo.

Da mesma forma que eu, pessoa de grandessíssimo talento, me exponho aqui, o feio deve se esconder sempre que possível. O feio tem que ir de casa ao trabalho, do trabalho para casa.

É por isso que não se emprega feios em finais de semana. Porque são dias de lazer, de beleza pelas ruas. Os feios estragariam a alegria do final de semana. Os bonitos adoram os finais de semana por verem menos feios nas ruas; e os feios adoram os finais de semana por não terem de expor a própria feiúra para todos.

A ignorância do leitor deixou escapar outra coisa importante: que os feios estão incluídos no dia de consciência negra, da consciência albina, no dia da mulher, dia das crianças, dia do funcionário público...

Seja qual for o feio, ele sempre vai ter um feriado no qual se enquadrar. Até Jesus, se fosse feio, teria o Natal.

E se o sujeito for feio, muito feio, que até os feriados o rejeitem, ele não se desespera totalmente. Porque tem o ano novo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dia da Consciência Albina

Sabemos que os negros foram escravizados por 400 anos e, como se não bastasse, pagaram o que sofreram com o preconceito recebido depois. Daí criarem o Dia da Consciência Negra. É uma data belíssima, além de ser um belo soco nas bolas dos idiotas que ainda têm esse preconceito retardado.

O certo seria que no dia da Consciência Negra, os brancos trabalhassem dobrado. Mas os negros são gentis e não querem troco. Eles só querem que se lembrem muito bem do passado para poderem esquecê-lo tranqüilamente.

Eles não são os únicos que sofreram preconceito. Minha avó, por exemplo, sofreu preconceito, por isso criaram o Dia da Mulher, embora não seja feriado. Os índios também foram escravizados, e dia 19 de Abril é dia deles.

- E os albinos? - Perguntam os leitores desesperadamente.

Os albinos sofreram por todos os tempos, e não há uma data para lembrarmos deles.

Há milhares de anos, têm recebido preconceito do Sol, que os pune com muito mais rigor do que pune os outros. E os outros o punem por isso, em dobro!

Albino não pode ser carteiro, não pode ser juiz de futebol, não pode ser jogador de futebol, não pode ir ao parque com a namorada! Albino não pode nada antes das 18, nada que seja fora de casa!

Criemos o dia da Consciência Albina. Sugiro a data no solstício de verão.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sigam-me os bons

Mas mantenham uma certa distância.

Tudo bem que este blog é um sucesso nacional; que entre mais gente nele do que em outros blogs meus famosos; que este design é atraente e ao mesmo tempo inovador; que há notícias de que até ovelhas têm acompanhado com certa regularidade; que a propaganda disfarçada no Orkut dê efeito assustador; que o nome é engraçado e contraditório; e que é sempre bom ter uma referência genial em tempos infrutíferos a genialidades.

Tudo bem.

Mas não me siga de tão perto. Me dá aflição.

Agradecimento

Este blog agradece à Revista Época pela 81ª colocação em sua lista de blogs publicada na semana passada.

O agradecimento veio por pura humildade e educação. Se a Época fosse filha Deste blog, tomaria um dura daquelas, pois não há nem no Brasil, quanto menos na China, blog de melhor qualidade que este.

A Diretoria

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os leitores

Há dois tipos de leitores deste blog.

O primeiro é de gente de um bom gosto direto. Que lê este blog para trocar idéias ruins por idéias boas; para reciclar a mente. Enfim, para se deparar com algo de superior na literatura universal. É essa gente que em outras épocas lia Shakespeare, Cervantes, Dostoievski, e que até o início deste ano não sabia o que fazer nas horas vagas, pois este blog ainda não existia.

O segundo tipo é de um bom gosto indireto. É de gente não necessariamente invejosa que entra para falar mal. Essa gente não tem a capacidade do telespectador. É gente recalcada que não aceita que nasceu para ser platéia de grandes astros da literatura universal, e vem aqui para falar mal. Porém, só por vir ao blog já é um bom gosto. Escolher bem o que falar mal já é bom gosto. Um bom gosto indireto.

Pois sábado um leitor do primeiro tipo me telefonou para dizer que gosta muito de meu blog e que eu estava de parabéns. Eis um defeito do primeiro tipo: achar que por gostar do blog é uma pessoa tão boa quanto eu.

Não é. Meu corte de cabelo é insuperável.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sobre visitas

Este blog tem recebido muitas visitas. Somente ontem, foram 16. É por isso que não digo que meu blog é minha casa. Porque as pessoas poderiam misturar e ao invés de visitarem meu blog, visitarem minha casa. Se dois terços das 16 pessoas pedirem copo d´água; um terço quiser pão de queijo; metade ficar para a janta e passar duas horas em casa, eu gastaria dois litros d´água, dezenove pães de queijo, duas garrafas pet de Coca-Cola e, o pior: quatorze horas do meu dia.

Rapaz, eu passaria meu dia inteiro recebendo visitas!

Quando entrarem em meu blog, se sintam em casa, mas jamais confundam: meu blog não é minha casa.

Ponto com

Quando este blog foi criado, a expectativa que se lançou sobre ele foi a mesma da ocasião do nascimento de John Lennon: nenhuma.

Assim como os pais de John Lennon, eu não tinha a menor idéia de que havia criado o que seria a maior representação da cultura pop do século. Eles queriam um filho e criaram um ídolo! Eu queria apenas um blog e criei um marco da representação, da arte e, por que não?, do esoterismo.

Este blog merecia um domínio personalizado, sem nada de blogspot o seguindo como um parasita desavergonhado.

Por isso, na hora de indicar para seus amigos, não diga dáblio, dáblio, dáblio; ponto eu não sou virgem maria; ponto blogspot; ponto com. Não. Diga dáblio, dáblio, dáblio; ponto eu não sou virgem Maria; ponto com!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A lição da careca

Dizem que Britney Spears enlouqueceu. Primeiro cortou o cabelo até ficar careca. E desde então comprou perucas, muitas perucas. A próxima, com a qual aparecerá em público nos próximos shows, custará um milhão de dólares.

Com este dinheiro, uma pessoa pobre poderia comprar um jogador de futebol. E ainda teria cabelo de verdade. Mas Britney, como não tem, gasta todo este montante em perucas.

Esta história mostra uma contradição muito comum de todas as épocas. A do rico careca que daria todo seu dinheiro para ter cabelos. E ao mesmo tempo, do outro lado da rua, há o pobre cabeludo que daria todos os cabelos para ser rico.

Pois que o rico compra perucas. O nosso mundo é o que há gente ruiva, loira, grisalha, mas careca! Esta é a vingança dos pobres que não têm um milhão – mas têm cabelo. O rico compra a peruca que quiser, da cor que quiser. Mas sempre haverá alguém a lhe apontar e propalar com força: - "Careca!"

Porque não é só o cabelo da peruca que é diferente. Há a postura da pessoa que muda. Não há problema algum em ser careca. Há até quem goste - e nisso não há o menor mau gosto. O problema está em achar ruim não ter cabelos. Tão ruim, que se compra uma peruca.

É neste momento que o rico percebe que há coisas que não se compram, como cafuné, beijo, chulé, simpatia, sapiência, dedo, beleza, decência, nome bonito e cabelo! E isto é deveras salutar.

O pobre deve exaltar mais seus cabelos. Da mesma maneira com que o rico ostenta seus carros caros. O despeito não pode ser em vão.

O rico de nosso tempo perdeu a noção do seu tamanho. O que mais lhe carece ouvir é que ele é apenas rico. E assim, capaz de ter apenas o que o dinheiro alcança. E nos tempos em que dinheiro parece ser tudo, ficar careca é uma grande lição.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Editorial - Olimpíadas

É inaceitável a intolerância à beleza presente na China pós-comunista. E a abertura das Olimpíadas foi um claro exemplo disso.

No início da apresentação, uma garota chinesa canta o hino chinês. Ora. O hino francês é muito mais bonito de se ouvir. E a menina chinesa poderia ser trocada por outra um pouco menos chinesa - conquanto que soubesse cantar o hino francês sem sotaque.

Fora isso, o estádio Ninho de Pássaro deveria passar por severas reformas. Este é um estádio que consegue ao mesmo tempo ignorar a tradição e recusar a evolução. É a aberração em forma de estádio. Talvez uma andorinha cega fizesse melhor um ninho para seus filhotes. Os chineses deveriam olhar com mais atenção o estádio Palestra Itália, por exemplo.

E, finalmente, no desfile de atletas, não havia um sequer que seria capa de revistas como a Vogue e a Época. Ou seja, não tinha um que seria tão bonito para ser capa da Vogue e nenhum tão assassino que seria capa da Época. E aqui não me refiro somente aos atletas chineses, não. Itália, Espanha, Estados Unidos e, por que não?, Brasil exibiram a quem quisesse ver atletas que definitivamente não nasceram para aparecer na televisão. Porém, todos nós sabemos de quem é a organização, e culpar os chineses novamente é inevitável.

A China precisa mudar o foco de sua vida. A abertura das Olimpíadas mostrará que viver pelo trabalho é um desperdício enquanto há tanta beleza para o mundo. Com tanta feiúra, deve ser por isso que os chineses têm os olhos tão pequenininhos.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Sondagens a Ewerton Clides

Não confirmo as sondagens a Ewerton Clides de que tenho sido acusado.

Isto tudo vem de um encontro que com ele tive na última terça-feira, no litoral paulista, em frente a uma padaria rústica. Disse-lhe somente "Olá, Ewerton Clides, tudo bem com a sua mão?", ao que ele respondeu "Isto não é pergunta que se faça!"

Ou seja. Pelo mesmo motivo de que surgiram boatos de que Ewerton Clides estaria assinando carta de intenção para escrever neste blog, é que Ewerton Clides não escreverá neste blog tão logo.

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Como sou um pouco fanho, quero dizer a Ewerton Clides que tenho a certeza de que ele se irritou com a minha pergunta por ter pensado que perguntei se está tudo bem com a mãe dele, a morta, não com a mão acidentada na semana passada.

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Ewerton Clides machucou a mão na semana passada ao tentar alcançar um livro antigo de sua coleção. Este livro estava muito em cima, e Ewerton Clides teve que apoiar o pé em lugares não muito confiáveis, como livros sociológicos.

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Livros sociológicos não são confiáveis para se apoiar os pés, quanto menos para se ler. É possível reparar que esse tipo de livro é sempre envernizado na capa, deixando-o escorregadio em contato com outros livros, quanto mais com outros livros de sociologia. A próxima parte é um recado exclusivo a Ewerton Clides, portanto não o leia.

André Ursípedes

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Ewerton Clides, você não deve se irritar assim com minha pergunta. Tenha a humildade de dizer "Quê?". Você sabe que não irei responder queijo, como aquele jovem da última semana.