quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Giorgio Armani

Armando, garboso, alto e careca, entrou no banheiro público com uma incomensurável vontade de defecar. Nunca evacuava fora de casa, por considerar este um hábito sagrado, quando lê o jornal ao mesmo tempo em que aproveita a delícia que se é tirar de si algo que pesa.

Quando criança, foi um médico à sua escola e lhe esclareceu que doenças podem ser contraídas quando se senta em uma privada pública. O médico mostrou – mostrando fotos que “não lhe deixavam mentir” - que estas doenças podem desativar o poder sexual de uma pessoa sadia com verrugas por toda a genitália.

Com um raciocínio brilhante, Armando, no banheiro, vê cinco cabines da porta até a janela. Notou que a primeira era a mais utilizada, a segunda um pouco menos, a terceira um pouco menos que a segunda, a quarta ainda menos, e que a quinta, pela distância, quase nunca era utilizada. E se dirigiu a ela para defecar sem contrair doenças.

Minutos antes, Jorge – um sujeito bonachão, de muito respeito, pois estava acima do peso - foi ao mesmo banheiro. O médico que foi à escola de Armando nunca foi à escola de Jorge fazer palestras. Nem este médico, nem nenhum outro. E Jorge tinha o hábito de fazer cocô fora de casa. Ele não considerava este um ritual sagrado. Ele nem lia jornais. Evacuar era simplesmente tirar de si uma ou duas coisas marrons. Um hábito, para ele, intranscendente.

Mas ultimamente Jorge percebeu em seu saco escrotal, uma ou duas verrugas. Não foi ao médico porque tinha medo. Como seu medo era pessoal e ninguém tinha culpa ou relação com ele, Jorge entrou no banheiro e viu cinco cabines. Certamente a primeira era a mais utilizada, a segunda um pouco menos, a terceira menos ainda, a quarta menos e a quinta devia ser raramente utilizada. Pensou:

- Vou na quinta, porque essas verrugas podem ser transmissíveis.

Esta é a causa da verruga marrom que apareceu no saco escrotal de Armando na última quinta-feira.

3 comentários:

Juliana disse...

Espero que pelo menos o banheiro não seja pago, como o da rodoviária, e ele não tenha pago pra contrair as tais verrugas.

Anônimo disse...

Esse cocô saiu caro!

Juliana disse...

E o que que ele vai dizer pra esposa dele?
Isso me lembra aquela história do cara que perdeu a aliança.