quinta-feira, 31 de julho de 2008

Aviso

Muita gente tem entrado no blog sem passar o código de barras no caixa. Peço a gentileza de seguir esta regra para que a contabilização seja feita. O preço se encontra no verso.

O código de barras está ali, de baixo da perna esquerda da manequim.

Um muito obrigado,

A direção

Reprise Fantasma

27/03/2006 - meu amor não gosta do texto mas gosta de mim
Por André Cintra de Souza Pereira

Quanto mais voltas dão os ponteiros do relógio, mais o relógio vale. É este o pensamento em vigência da "Entre Outras Coisas", uma loja de antigüidades, localizada na rua Cardoso de Almeida.

Há 28 anos no mesmo local (35 de existência, mais sete em outro lugar), a loja encanta pela contradição ambiente: há diversos objetos antiqüíssimos em todas as partes, mas permanece um clima ameno, contemporâneo. A admiração pelo Antigo é feita pela bagagem histórica que só ele possui.

Mas que história? Por serem tão antigas, é obvio que aquelas coisas têm história (não há, neste local, qualquer objeto que seja intranscendente), mas é impossível saber qual história.

Arriete Carbonari, que por lá trabalha por puras paixão e vocação, nos atendeu em uma cadeira dourada de forro vermelho. Quantas agonias sentaram naquela cadeira? Quantas pessoas morreram ali, sentadas? As histórias incógnitas preenchem de mistério a história usual.

Mas, então, a história é feita pelos objetos ou pelas pessoas? Pelas pessoas, que contagiam os objetos, que contagiam outras pessoas.

É, pois, inconcebível comparar as importâncias das pessoas e dos objetos. Vale mais um coração partido de 1827 ou uma obra de arte de 1827? Vale mais, talvez, a obra de arte feita graças a um coração partido.

Cabe ressaltar a figura que é Arriete. Quem não se encanta pelas antigüidades, deve falar com Arriete.

Com 53 anos, é uma das donas, e sempre foi encantadas por antigüidades. "Quando menor, me vestia com as roupas de minha avó.", disse. Ela é capaz de colorir o antigo que só é fosco por nossos preconceitos. Afinal, o passado de hoje é tão passado quanto o de 7 anos atrás, mas é novo e seu valor será acrescido conforme for passando o tempo.

A visitação é válida até para os que nada desejam comprar, pois vale pelo "museu gratuito", e pela gratuidade do encantamento em um lugar que não fará ninguém reviver o passado, mas - em um ambiente repleto de objetos testemunhas de histórias, numa reprise fantasma - dará o gosto de como foi.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Voyeur #4

O quarto era azul até a hora em que desligou a TV.

Voyeur #3

Entrou no quarto, pegou um lápis e saiu rapidamente.

Voyeur #2

Espreguiçou-se voluptosamente. Acho que agradeceu a si mesmo pelo esforço do dia só pela delícia de se espreguiçar agora. Apagou a luz.

Voyeur #1

O homem tirou a camisa e fechou a janela.

Pesquisa revela que André Cintra é chamado mais de 30 vezes por dia em seu trabalho

Em pesquisa realizada entre os dias 21 e 30 de julho, foi constatado que o estagiário André Cintra, 21, é chamado, em média, 32 vezes por dia. Sua chefe lidera o ranking, com 31 pedidos diários.

André mesmo fez o levantamento, marcando com um tracinho a cada vez em que era chamado. "Fiz tantos tracinhos, que receei que a tinta da caneta acabasse", garante o jovem. De fato, é possível notar que nos primeiros dias, as anotações estão mais fortes do que nos últimos dias, quando é possível notar uma maior pressão na caneta.

Ele diz não se importar com o grande número de chamados - 4 vezes por hora - já que é sinal de que está trabalhando. "É melhor ser chamado e ter um salário do que não ser chamado e não ter um salário!", diz em muito bom humor.

Após o dia 31, esse número de chamadas deve diminuir, já que os outros estagiários voltarão ao serviço e André trabalhará menos horas - cerca de seis diárias.

André Cintra não toma mais Coca-Cola nos dias de semana

Desde segunda-feira passada, dia 21, o paulista André Cintra não toma mais Coca-Cola de segunda a sexta-feira. Ele tomou esta atitude em acordo com a namorada e noiva, Juliana, para reduzir os danos que a bebida lhe causa no estômago.

"Resolvemos fazer assim quando em um sábado, após tomar três latas deliciosas, meu estômago reclamou veementemente", revela. Apesar do esforço inicial, não tem sido difícil para seguir a risca a abstinência, o que não surpreende, já que chegou a ficar um ano - entre os anos de 2006 e 2007 - sem tomar o refrigerante devido a uma promessa, além de sentir as mudanças em seu próprio corpo.

"Agora eu me alimento melhor, saboreio mais os alimentos e não fico naquela ânsia de tomar Coca que eu sempre ficava antes do almoço e da janta", diz. Outras melhorias foram sentidas até no sono, "porque agora estou com menos cafeína no sangue, por isso consigo dormir com maior facilidade. E acredite: Meu sono está até mais profundo!"

Se antes André tomava uma lata do refrigerante no almoço, e três copos na janta, calcula-se que até agora ele deixou de tomar um litro do refrigerante por dia. Na noite desta quarta-feira, André deixará de ter tomado oito litros. Ele ainda recomenda: "Faça como eu, troque sua Coca por um suquinho. É mais gostoso e faz bem!"



Em 2006, André não tomou Coca por conta de promessa

A ausência de Coca-Cola nas refeições de André não é novidade. Em 2006, ele ficou um ano sem tomar o refrigerante por conta de uma promessa. O motivo ele não revela, mas garante que era questão de vida ou morte.

"Precisava muito dessa coisa, e peguei pesado. Deus não me ia negar a troca. Um ano sem Coca Cola era o maior sacrifício que eu poderia fazer sem morrer, é claro", diz, ressabiado de que estivessem descobrindo seu segredo.

Ele garante que cumpriu a promessa a risca. "Tinha muito medo. Se via uma Coca pela frente, arrepiava de nojo!"

terça-feira, 29 de julho de 2008

Jin Jin annd the Pin Up

Eu tenho uma banda gaúcha. O nome dela, você mesmo pode ver no título deste texto. Mas eu vou repeti-lo porque é um nome muito feio para ser dito duas vezes. Eu adoro a feiúra. Jin Jin annd the Pin Up, com dois ênes no and.

Era para ser uma banda paulista experimental. Mas os experimentos precisavam ser aplicados. Então, pelo mesmo motivo que Einsten resolveu falar para alguém que estava fazendo uma bomba atômica, resolvi passar no cartório e mudar a residência da minha banda para o Rio Grande do Sul. Porque hoje, as qualidades possíveis de uma banda são: boa sonoridade, hits frenéticos, boa melodia, tudo o mais. Mas a principal qualidade que a banda pode ter é: ser gaúcha. E é essa qualidade, a qualidade primordial, que torna uma banda conhecida.

Cantamos também com o sotaque gaúcho. Não nos é difícil improvisar o sotaque, porque já estávamos acostumados a utilizá-lo na hora de conseguir os melhores contratos nas gravadoras e as melhores peças nas churrascarias.

Agora que faço sucesso, são três os tipos de pessoas que entram em contato com a minha música. Tem os idiotas, que gostam só porque faz sucesso; tem os bobos, que não gostam só porque faz sucesso; e tem os fãs que valem a pena, que gostam apesar de fazer sucesso.

Os fãs me escrevem e-mails e eu lhes respondo sempre assim: "Este e-mail não pôde ser entregue. Tente novamente ou desista." Metade deles tentam novamente, e eu respondo da mesma forma. E então, um quinto deles tentam novamente - 10% do número inicial. A estes, escrevo uma mensagem assim: "E aí, qual é a boa? Vamos conversar." É assim que faço amizades virtuais através de minha banda.

Toco baixo, berimbau, piano e bateria. Também improviso no violão, no teclado, bato palma e pandeiro. Sim, sim, também temos músicas.

Perguntam-me freqüentemente das influências. Respondo que meu pai, minha avó e, sobretudo, minha noiva são uma grande influência em minha vida. Aí o repórter diz: "influência musical, quero dizer." Musical, nenhuma. Não gosto de ouvir música. Agora, tenho uma certeza influência dos gaúchos, no sotaque.

André Cintra trabalha dobrado

Desde do dia 16 deste mês, André Cintra tem trabalhado dobrado. Ele entra às 11h e sai às 19h, quando ingressa na estação Anhangabaú lotada e volta para casa.

O motivo de tanto trabalho é compensar o pouco trabalho do início do mês. "Não trabalhei nada nos quinze primeiros dias. Zero", revela André, no intervalo entre uma função e outra.

Para compensar a ausência de André, foi outra pessoa que trabalhou a mais nos quinze primeiros dias - agora, ela folga. Assim, o dobro das horas de trabalho são coincidentes ao dobro de funções.

André compensa dias de folga porque é estagiário. Estagiário, além de não ter fundos de garantia, folgas e aviso prévio, não tem férias. Para descansar, é necessário que o estagiário faça uma compensação.

Ofensas de um grande homem #4

- Ora, seu gordo!

O homem de um metro e noventa e oito disse para o menino que segurava uma bola colorida e suava. A camisa do menino, de tão enxarcada, parecia que ela mesma suava, não o menino. O menino soube que o homenzarrão se dirigia a ele, mas ele queria, muito, brincar com a bola que acabara de ganhar, e apenas fungou com o nariz, duas vezes.

Ofensas de um grande homem #3

- Sua virgem!

Com um metro e noventa e oito, o imenso homem dirigiu suas palavras à freira transmitindo a idéia de que cada centímetro de sua altura corresponde a uma trepada. Claro que a freira era muito pequenininha. Uma anã sem deformações. É pequena para um pingüim; tinha dificuldades de subir degraus normais; pulava para sair da rua em direção à sarjeta; se punha de ponta dos pés para enxergar uma maquete em sua totalidade; enfim, era uma freira muito, muito pequena. Não vou falar da ausência de beleza, pois era tão pequena, tão ínfima, que sua feiúra passava desapercebida, demonstrando que um defeito encobre o outro.

Mas ela riu com a ponta dos lábios e pediu licença ao imenso homem, porque precisava passar.

Ofensas de um grande homem #2

- Cachorro velho!

Com doze quilos além de seu peso ideal de doze quilos, mirou aquele gigante homem de um metro e noventa e oito, sem ouvi-lo. Depois mirou o pão de queijo que ele segurava em uma das mãos. O cãozinho pára para pensar se olhou primeiro o pão de queijo ou o homem. Ele pensa que não é por que está com catorze anos, que todos vão lhe oferecer pão de queijo de mão beijada, que tem que ficar sempre esperto. O homem não resiste e lhe oferece o pão de queijo inteiro. O cachorro engole o pão de queijo e se vira para deitar. Deitado, percebe que ficou primeiro impressionado com a altura do homem para depois reparar no delicioso pão de queijo. Pensa:

- Estou ficando velho!

Ofensas de um grande homem #1

- Você tem mãos de lagosta!

De cima para baixo, disse o homem de um metro e noventa e oito para a menina que estava sentada ao chão brincando com seus brinquedos. Ela não fez nada. Apenas olhou para o alto, distraída e mexeu também distraidamente suas mãos de lagostas.

Isto não foi uma ofensa.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Roberval destruindo a Floresta Amazônica

O homem ligou a serra-elétrica e encarou a árvore de trezentos anos.

Antes de cortá-la ainda vacilou e acelerou o motor como fazem nos filmes. Então ouviu o seu nome, bem baixinho:

- Roberval.

Desligou a serra e pôde ouvir agora com mais clareza:

- Roberval, sou eu, a árvore!

Não sei por quê, mas ele não se assustou ao ouvir a árvore falar com ele. Não sei se ele não sabia que árvores não falavam, mas, para mim, ocorreu que ele estava tão sozinho e uma companhia numa hora dessas caiu-lhe tão bem quanto Coca-Cola com lazanha.

- Ô, minha arvorezinha, pode falar!

- Roberval, é o seguinte:

Neste instante, Roberval teve a primeira suspeita. Como a árvore sabia o nome dele?

- Está escrito na sua camiseta.

- Ah, sim.

- Roberval, não me serre, Roberval. Eu sou tão antiga, tenho tantos frutos, faço tão bem para a natureza e para os homens! Você me serrar por dinheiro é tão hediondo quanto matar criança prá fazer sabão! Pense nos seus filhos, nos seus netos!

- Quero que eles tenham mesas e cadeiras sempre de ótima qualidade!

- De que adianta mesas de boa qualidade, quando se sentam na mesa e não têm um ar gostoso para respirar?!

- Olha, Jaque, a senhora pode conversar comigo o quanto quiser, mas

- Como assim, Jaque?

- Está escrito no seu tronco.

- Não, Roberval. É que estava escrito "Cada um desperta em mim a Jaque que merece", de uma mulher que veio me visitar um dia e cravou isso em mim. Um dia, veio um moço me serrar. Ele chegou a cortar um pouquinho, bem na parte em que estava cravada a frase, quando o convenci a não me matar mais.

Eu achei de uma indiscrição ímpar, que Roberval não tivesse a curiosidade de perguntar à árvore o nome dela. Na verdade, não me importo com a indiscrição dele, nem com a tristeza da árvore ao perceber que Roberval não queria sequer saber o nome dela. Fiquei é curioso, como se chama a árvore?!

- Hum, sei...

- Olha, Roberval, não me mata. Eu sou oca, os cupins me comeram toda por dentro!

- Oca, com esse papo cabeça?!

E Roberval serrou a árvore de uma vez só, pois precisava voltar logo para casa e conversar com uma pessoa.

O cachorro e a mulher

Nada de anormal acontece, uma vez que a mulher não estava latindo e quem abanava o rabo era o cachorro. Os dois ofegavam, mas era o cachorro quem fazia mais barulho. Quem usava a correntinha era o cachorro, apesar de a mulher portar um colar de coração.

No bolso da mulher, dois sacos plásticos. Um era para ser usado quando o cachorro fizesse cocô e tivesse alguém olhando; o segundo era para se já tivesse usado o primeiro e o cachorro resolvesse defecar justamente quando tivesse outra pessoa olhando. O cachorro nunca fazia cocô três vezes.

Passou outro cachorro do outro lado da rua e foi o cachorro quem latiu e a mulher quem o controlou. Foi no pescoço do cachorro que doeu quando a coleira foi puxada e foi a mulher quem disse “xiu, xiu, xiu!”

O cachorro se acalmou e foi ele quem puxou a coleira para ir à arvore que estava na sombra. E ele também quem levantou a perna e fez um xixi espesso. A mulher foi quem ficou corada quando passaram três rapazes sem camisa de bicicleta.

Nada de anormal. Um dos rapazes grita:

- Cachorra!

Aquele shortinho não era para ser usado por uma mulher ao meio dia de uma quarta-feira nublada.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ironia nervosa

"Foi por causa de uma falha com o cobrador do ônibus. Eu acho errado que a prefeitura contrate cobradores de ônibus automatizados. Porque agora eles não reclamam que a gente dê uma nota muito grande, aí vem o próximo e não dá uma nota tão grande e fica sem troco. E os motoristas ficam sem saber o que fazer. Outro dia um se sensibilizou, foi tentar me ajudar e bateu o ônibus no poste azul.

Também sou contra esses postes azuis que a prefeitura mandou importar de Berlim. Eu gosto de azul. Mas o azul borra e eu detesto azul sujo. Azul é que nem cu, que a gente precisa limpar constantemente. Eu sinto indigestão quando vejo o azul sujo. Azul é que nem mão, que a gente tem que limpar antes de comer.

Resumidamente, o cobrador automatizado não me deu o troco e foram passando as estações. Isso enquanto eu via horrorizado os postes azuis sujos. E agora estou aqui, atrasado."

- Sei.

Toalha verde-limão

Olhou-se nu ao espelho e percebeu que, atrás de si, a toalha verde limão estava jogada ao chão. A toalha, toda molhada, tão verde limão, caída no chão. A água ajuda a reter a sujeira na toalha. E ele se secaria nela depois. Fez:

- Eca!

Nu, tirou a toalha de onde se encontrava e viu, sem maiores dramas, que estava um pouco suja, mas talvez não fosse por ter ficado jogada ao chão. Secou um pouco mais o cabelo e algumas gostas foram jogadas ao ar.

Meu deus, a janela estava aberta!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Pelos pêlos pubianos

O menino pegou o xampu que transforma os cabelos comuns em cabelos excepcionais e aplicou nos pêlos pubianos.

Notou logo a diferença: os pêlos estavam mais soltinhos, mais brilhantes e com uma cor deveras agradável. Enfim, não seria exagero dizer que aqueles pêlos pubianos poderiam ser utilizados na cabeça com relativo sucesso.

Reaplicou o produto para melhores resultados, e o resultado foi ainda mais surpreendente, tornando o termo pentelho indigno àqueles pêlos tão pubianos!

Ele pensou em passar a chapinha, mas o xampu era tão bom, que valorizou os pêlos em sua essência pixaim.

Pegou a cueca mais fina que tinha, e a vestiu antes do shorts branco. A camiseta era um pouco curta, que ele havia ganhado dois anos antes, de presente de aniversário da tia.

No ponto de ônibus, se espreguiçou, e todos puderam ver aqueles pêlos pubianos excepcionais.

Ewerton Clides aceta contrato de quatro anos com o blog Eu não sou virgem, Maria!

Agora é oficial. Ewerton Clides assinará textos exclusivos para o blog Eu não sou virgem, Maria!, do maior gênio do momento, André Cintra. Confira uma entrevista com Ewerton Clides em que ele explica melhor como se desenrolou toda a negociação.

Como é trabalhar para o maior gênio do momento?

Trabalhar para mim é muito fácil. Já me adaptei ao meu ritmo de estudos, de conversas, de alimentação, de sono e de conversa. Eu tenho interagido muito bem comigo mesmo, apesar da idade avançada.

Então, melhor dizendo: Como é trabalhar para o André Cintra, ou Ursípedes?

O André é um grande gênio. Creio que o segundo maior da atualidade, somente atrás de mim, Ewerton Clides. Mas devo ressaltar que a única posição que lhe separa de mim neste ranking não confere uma baixa distância de genialidade: André é muito pior que eu, em todos os aspectos. Mas estava a responder a sua pergunta, que não lembro qual era. O senhor poderia repeti-la, se não fosse desagradar?

Como é trabalhar para o André Cintra, ou Ursípedes?

Vou reaproveitar a bela introdução da resposta anterior: O André é um grande gênio. Creio que o segundo maior da atualidade, somente atrás de mim, Ewerton Clides. Mas devo ressaltar que a única posição que lhe separa de mim não confere uma baixa distância de genialidade: André é muito pior que eu, em todos os aspectos. Mas eu não trabalho para ele; eu trabalho com ele. Não temos atritos.

Você é gay?

Não.

Você tem preconceito contra os gays?

Não.

Como foi a negociação com o André para que você escrevesse no blog?

Foi rápida, fácil e sem entreveros. Ele me perguntou, certo dia: - "Quer escrever no meu blog?" Ao que eu lhe disse: - "Sim, sim."

Então todas as notícias anteriores sobre a negociação com o André são falsas?

Sim, inclusive aquela que você escreveu.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Fila

1. Só falta ele sair, que é a minha vez. Por que estou achando que ele é o que mais demorou só porque é a minha vez? Eu sempre acho que o que mais demorou é o que estava na minha frente. Estou até me acostumando a detestar previamente o sujeito que está na minha frente só porque eu sei que ele vai demorar mais. Poxa vida, a velha na frente dele demorou tão pouquinho. E eu que deixei ele entrar na minha frente só porque eu achei que seria errado odiar esse velha.

2. É só o cara que está sendo atendido agora, a pessoa da frente, e eu. Em dez minutos tudo termina? Cruzes, essa pessoa da frente parece estar mais ansiosa que eu: não pára de balançar a perna. Poderiam inventar um walkman que funcione pela energia dos ansiosos que movem as pernas assim. Mas coitados, iam ficar mais ansiosos porque a música ia ficar muito rápida. Acho que a música não ia

3. Minha vez, agora é minha vez!

2. Não é, deixa eu terminar meu pensamento! A música não ia tocar mais rápido, acho que a energia excedente se dissiparia. Isso, se dissiparia.

3. Sujeitinho tolo. Acabei de chegar, e esse médico parece estar há mais de três horas com aquele cara que acabou de entrar. E esse filho da puta da minha frente ainda fica ocupando a fila de pensamentos! Filho da puta, me irritei. Venho outro dia.

3. Ui! O rapaz que estava na minha frente saiu daqui bufando e eu passei na frente dele! Acho que não deve demorar muito. Não tem ninguém atrás de mim. É ruim quando isso acontece, porque eu sinto que poderia ter ficado o tempo até que a outra pessoa chegue fazendo outra coisa antes. Entendeu? Não precisa entender, eu estou só pensando.

sábado, 26 de abril de 2008

Mão no estômago

Coloco a mão no estômago para mostrar que sinto fome. Meu estômago, se pudesse, comeria a minha mão. Da mesma forma que a minha boca comeria meu estômago, tão desesperada que nem pensaria que em seguida não haveria mais estômago para digerir o estômago comido.

Mas ponho a mão desde a infância. Na infância, minha mãe estava vendo e me dava comida. Hoje coloco pela esperança absurda de alguém me ver e dizer: — "André, quer uma bala?"

— Sim, aceito — eu diria, disfarçando e necessidade e a vergonha.

Sobre a originalidade do Haroldão

De hoje em diante, seu nome nunca mais será o mesmo, disse o moço do cartório ao mudar meu nome para Haroldo.

- Moço.

- Quê.

- É Aroldo com agá, né? Haroldo.

- Isso.

Agradeci-lhe veementemente, inclusive cumprimentando-lhe as mãos. Dizem que sou pegajoso, mas chiclete é pegajoso e eu já vi várias mulheres, crianças e homens já adultos comprando na banca. Inclusive, vejo gente importante mascando chiclete em vários momentos importantes. Assim, por que evitariam o Haroldão aqui?

Eu mesmo nunca achei muito agradável gente pegajosa. O problema dos pegajosos é que eles são propositalmente pegajosos. Eu, não. Eu sou assim sem querer. E se estou falando assim, é porque dizem:

- Haroldinho, meu deus! Como você é pegajoso.

Eu respondo sempre na teoria do chiclete. Eu acho que o talento do chiclete é ser pegajoso. O problema é ser uma ervilha e querer ser rosa e pegajosa como um chiclete. Ou ser um chiclete e ser verde e sem gosto como uma ervilha. Aí não dá. É cada um com a sua função. Pois há quem goste de gente pegajosa como eu. É raro, mas tem. Assim como não é tão comum gente que goste de ervilha tanto assim.

O que eu quero dizer desde que comecei é que se eu tentasse ser uma ervilha, deixaria de agradar quem gosta de gente chiclete, ao mesmo tempo em que não agradaria gente que gosta de ervilha, porque essas pessoas preferem as originais.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Clássicos? Sei. #1 - Eça de Queiroz, O Primo Basílio

Bem, meu contrato com os grandes escritores expirou na última sexta. Eles não são de nada, e eu sou demais.

Ele me enviam os originais com as idéias horríveis, textos mal escritos, e eu transformo tudo em clássico!

Eça de Queiroz, Dostoiévski, Machado de Assis, Oscar Wilde, Viginia Woolf, Schopenhauer, Albert Camus, Joaquim José da Silva Xavier, Pero Vaz de Caminha, Monteiro Lobato, Nietzsche, Camões, Rubem Braga, Kafka, Sartre, Cícero, Jorge Amado, Platão, Balzac, Victor Hugo...

Vou publicar a partir de hoje, os originais que todos estes canalhas me enviaram seguidos dos clássicos em que os transformei. Começaremos com Eça de Queiroz, em Os Maias. Neste caso, publicarei a carta que estava anexa aos meus originais - os que valem, os que alterei.

:

Caro Eça,

Não se esqueça de que os pagamentos vencem no próximo dia dezesseis.

Recebi os novos originais, e já lhe informo que mudei inclusive partes do enredo.

Não altere nada antes de me informar.

Veja um pequeno trecho dos originais que você me enviou:

"Luísa parecia que estava com sono ou entediada, e bufou. Limpou com a própria carta, a marca que o macarrão de Juliana deixou-lhe nos lábios, o que nos leva a pensar que bufou por conta de um pequeno enfado por Juliana. De repente se deu conta de que era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e ficou cheia de si! Sentiu-se melhor que antes (se fosse uma prostituta, o próprio preço teria inflacionado).

Enfim, no meio daquela tarde chata, foi bom receber a carta."

Agora, confira como será publicado, após as minhas alterações:

"E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"

Percebe como fica melhor? Percebe que deveria pagar tudo em dia?

Tenha mais vergonha, Eça, antes de me enviar os originais. Assim ficarei tímido na próxima vez em que nos encontrarmos para um chop matinal.

Abraços,

André Cintra

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Um metro e um tiquinho

Eu não gostava de ser humano antes de conhecer um ser-humano.

Desculpas antecipadas

Domingo passado, o São Paulo ganhou do Palmeiras com o gol de mão do Adriano.

Os sãopaulinos diziam que eu reclamava do juiz. Mas não culpei o juiz em momento algum. O juiz errou por uma limitação técnica, enquanto o Adriano errou por uma limitação de caráter.

Foi por isso que legitimei que no segundo jogo o Palmeiras jogasse com mais de 17 regras. Porque quando o adversário se utiliza do baixo caráter, é dado o direito se baixar o caráter junto sem que isso lhe tire o caráter — como quando o boxista recebe um golpe baixo nas bolas!

Mas no segundo jogo, o Palmeiras ganhou sem precisar dessas coisas — o que lamento, já que sonhei a semana inteira com o Marcos fazendo o gol da classificação de mão numa cortada semelhante à do Giba.

E o São Paulo escancarou novamente seu baixo caráter ao, no intervalo do jogo, sabotar o spray de pimenta.

— Mas cadê as provas, meu caro!?

As provas que valem não são as técnicas. A polícia encontrará vestígios de pimenta no vestiário, nas camisas dos jogadores... Mas o São Paulo sempre tenta bloquear o Palestra, como o Bosco no jogo passado.

O Bosco simulando a pilhada na cabeça é a prova incontestável. E se você contestar, o blog é meu e eu deleto o comentário!

Mas a maior falha de caráter nisso tudo foi a desculpa antecipada.

Quem tem o medo do fracasso, arruma uma desculpa antecipada. Eu fazia isso quando ia mal nas provas de português. Antes da prova, dizia à professora que tive enjôo na noite anterior. E a nota vinha do tamanho do Marco Aurélio Cunha.

A desculpa antecipada é a de quem sabe que vai perder.

— E que não merece ganhar.

São Longuinho

O maior sonho das mulheres brasileiras é o de ser amada pelos rapazes como eles amam os times de futebol.

Elas querem ser exaltadas pelos defeitos da mesma forma de que são defendidas pelas qualidades; que os parceiros odeiem as rivais e as critiquem pelo que tem de ruim, e enfaticamente pelo que têm de bom — mesmo que isso pareça alucinação; que os rapazes saiam com elas mesmo quando chove; que tatuem os nomes delas...

Outro dia, meu amor fez um pedido a São Longuinho:

— Quero que meu namorado me ame como ele ama o time dele!

Depois de algumas horas, pensou:

— Gente, como ele está estranho!

E assim, desfez o pedido.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ela e o homenzarrão contra inimigos furiosos

Ela vem descendo aquela escada como se cada degrau fosse um inimigo dormindo - não convém pisar com força ou displiscência em um inimigo dormindo, que poderoso que é, não hesitaria em tombar qualquer um que o acordasse.  
 
Põe a mãozinha direita na cara, e a esquerda não põe porque foi feita para segurar a bolsa. Se ela não gostasse muito, tanto assim, de bolsa, as duas mãos estariam na cara cobrindo o rosto - o máximo possível para ninguém ver que ela está com medo do degrau, o bastante para que se possa ver os degraus e calculá-los.
 
Pensa na possibilidade uma em dois trilhões de ter uma catota no nariz e decide voltar para ir ao banheiro. Mas pensa na possibilidade uma em um trilhão de cair da escada ao dar meia volta; e é por comparação de possibilidades que continua a descer, a despeito da catota uma em dois trilhões.
 
Vê o homenzarrão que ama vir correndo na sua direção com cara de quem não viu catota no nariz dela e se sente aliviada duas vezes . Primeiro, porque no nariz dele tem duas, duas catotas. E depois, que o homenzarrão está com cara de quem não se importaria se no nariz dela tivesse catota.
 
O segundo alívio a deixa muito feliz, mas não acredita muito. Não acredita e prefere não utilizar esse alívio para lhe dar o exemplo na hora da bronca. E é como ter um carro de air bag perfeito: você não iria bater com ele de frente a 200km por hora, de frente, se pudesse desviar.
 
O homenzarrão a encontra, segura na mão dela, e ela não se preocupa mais com degrau inimigo. Porque que inimigo seria tão poderoso assim contra um homenzarrão desses?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Mais ou menos

Roberto tem quarenta e cinco anos, mas eu não tenho certeza.
 
Ele disse que tem quarenta e cinco, mas eu pergutei-lhe que horas eram e ele disse: - Duas e quarenta e cinco. Olhei o relógio da rua, o mesmo que ele tinha olhado, e eram duas e quarenta e quatro.
 
- E agora, como ficamos?

Um pote de Nescau

Atiraram na cabeça de alguém como se fosse um pote de Nescau.

A cabeça da pessoa espatifou-se. E não é mais possível distinguir se é homem ou mulher. Ninguém saberá daquele topete que deu um trabalhão para ficar pronto, da barba propositalmente casual, das opiniões que ele tinha sobre a bandeira da Tchecoslováquia, das leituras de Machados de Assis que ele achava um pau no cu, e de quando ele deu o cu pela primeira vez.

Atiraram na cabeça de alguém como se fosse um pote de Nescau. E ouvi alguém dizer que o assassino não gosta de Nescau.

- Se fosse Toddy, tomaria mais cuidado.

O porteiro e a senhora

O porteiro olhou a senhora com raiva e empinou o nariz o bastante para ela desconfiar - o pouco para não ter certeza - de que ele empinou o nariz. A senhora tinha emprego que paga cinco mil, tinha chocotone Bauducco, tinha tênis de 500 original e tinha apartamento. Mas para entrar no apartamento, tinha o porteiro.

O porteiro espirrou forte, do jeito que porteiro espirra - que só porteiro espirra - para que a senhora do 63 pegasse as cartas com nojo.

Depois colocou a cabeça para fora da guarita para certificar-se de que era ela. Franziu o cenho, voltou para dentro da guarita, abriu a porta da guarita, olhou para a senhora loira que pintou o cabelo recentemente e disse: - Ah!

E abriu o portão.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Onde está Wally?

Uma praia cheia. Faz muito sol e não há nuvens.

No mar, um navio amarelo soltando muita fumaça, deixando um rastro por trás, assim como os outros três navios mais ao fundo; um homem sem camisa maneja um barco à vela; um rapaz loiro surfa de sunga azul; um bote salva-vidas leva quatro velhinhas de cabelos brancos; um pai entra no mar com o filho, que olha para o pai com medo do frio da água e segura-lhe o braço esquerdo com força.

Há um navio pirata. Pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata; rapaz com cabelos penteados sob um gorro com listras verticais amarelas e pretas, óculos fundo de garrafa e olhos arregalados, sorri de orelha grande a orelha grande, mantém várias tralhas em seu pescoço, blusa com listras iguais às do gorro, veste calça pretra e sapato marrom; pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata, pirata.

Na areia, próxima ao mar, uma velha de bengala é cega e caminha. Um homem segura o cachorro pela coleira, mas é o cachorro - mais forte - quem comanda o homem; um guarda segue os dois; a velha de bengala não percebe a aproximação e está prestes a cair; em posição confortável, menino aponta a cena olhando para o pai. Rapaz com cabelos penteados sob um gorro com listras verticais vermelhas e brancas, óculos fundo de garrafa e olhos arregalados, sorri de orelha grande a orelha grande, mantém várias tralhas em seu pescoço, blusa com listras iguais às do gorro, veste calça azul e sapato marrom.

Mais distante, um senhor com cara 51% mendigo, 49% holandês, está deitado na areia com uma lupa e procura; um moço vende sorvete, com três crianças ao redor - o pai de uma delas parece zangado; criança toma sorvete de limão com cara contente; crianças brincam com bola gigante; a bola gigante vai na direção de um sorvete de uma criança, que olha para o pai; mãe olha o mar satisfeita com cara de mãe que não sabe que a filha está tomando sorvete de limão, aquele que mancha a pele.

Moça de cócoras sobre uma toalha vermelha; cidadão porto-riquenho ajoelhado tirando o chapéu para a moça; senhor com os ombros vermelhos; moça de camiseta azul.

Uma praia cheia. Faz muito sol e não há nuvens.

André Cintra e Ewerton Clides iniciam negociações

Clipping automático

Folha Express, 22:56

As especulações sobre a sondagem de André Cintra ao sociólogo Ewerton Clides parecem ter fundamento. Depois de tantas negativas de André, a história se inverteu a ponto de ele mesmo admitir que "há certo sentido" em tantas especulações.

"Ele não é do tipo de sociólogo que não escreve em internet ou para outras pessoas", diz André. "Ter Ewerton Clides em meu blog seriam duas honras: uma honra para mim e outra para ele, já que a admiração é mútua."

Sobre o mal entendido envolvendo os dois, André Cintra diz que "tudo foi resolvido após uma ligação de Juliana à residência oficial de Ewerton Clides", e as negociações iniciaram e já evoluíram.

Curiosa foi a forma de como a idéia surgiu. "Eu não tinha pensado em chamá-lo para meu blog. Mas a imprensa especulou isso sem fundamento algum, e deu a idéia! Por que não chamá-lo? Chamei!", revela André entre risos.

O encaminhar das negociações indicará quando Ewerton Clides escreverá no blog, e se escreverá. Mas André está animado e não medirá esforços para concretizar a contratação, a ser visto que o número de visitantes no Eu não sou virgem, Maria! triplicou desde o início das especulações.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Mete a boca oca #3

Quando me fazem perguntas, sinto-me lisongeado. Olho secamente para a pessoa com a satisfação de saber que ela pensa que eu sou uma pessoa que sabe da resposta.

Há também quem pergunte a outra pessoa por esta ser uma pessoa que sabe respostas. É um nível superior. Vejamos:

A pessoa que sabe da resposta é específica. É como perguntar a alguém de relógio:

- Que horas são?

E a pessoa que sabe de respostas é uma pessoa em quem se confia, em quem se sabe que sabe. É assim que me senti quando Gengis perguntou-me, aqui mesmo neste blog:

- O que você acha do crescente número de ciclistas no litoral paulista?

Resposta: Fico encantado que cresça o número de ciclistas no litoral paulista, Gengis. A bicicleta, além de preservar o ar ao utilizá-la no lugar de um carro, reforça os glúteos.

Assim, as pessoas do litoral viverão mais tempo e verão glúteos mais bonitos. Ou melhor: - Verão glúteos mais bonitos por mais tempo.

Eu não me interesso por glúteos de ciclistas. A única coisa que me encuca é que o aumento de ciclistas aumenta o número de quedas de bicicletas. Mas isto favorece o aumento da venda de joelheiras e capacetes.

Gengis. Perceba que a economia será favorecida, e a criação de empregos no ramo de produção de joelheiras e capacete é considerável.

Fora isso, Gengis, não sei. Mas obrigado por perguntar.

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Você, leitor deste blog, pode fazer perguntas. Isso mesmo, pergunte para sua mãe, pergunte para o cobrador do ônibus, pergunte para quem quiser!

Mas a novidade é que também é possível perguntar para mim! E eu respondo.

sábado, 12 de janeiro de 2008

André Cintra atravessa a rua sem ser pego

Após atravessar a rua Monte Alegre na última terça-feira olhando somente para um lado, o brasileiro André Cintra admitiu que só conseguiu êxito por saber que a rua é de mão única.

"Sempre passei por aqui e sei que aqui os carros não sobem - só descem. Por isso, olho somente para cima e sei que não vem nenhum carro de baixo", afirmou o estudante e trabalhador.

A tranqüilidade de André contrasta com a irresponsabilidade de motoristas do Brasil, que chegam até a pagar pela carteira de motorista, sem as habilidades requerentes a quem dirige.

"Sei que não é muito recomendável confiar assim na prudência dos outros. Mas já estou na faixa, a rua é de mão única... Só se vier um louco, para me atropelar! Mesmo que tenha comprado a carteira, a pessoa tem que estar mais louca que porco espinho arrepiado!", disse.

Além da prudência que lhe é natural, André apela também para os instintos auditivos para não ser pego de surpresa. "Sempre fico com os ouvidos bem ouriçados! Porque carro nunca é silencioso. Posso atravessar tranqüilamente a rua de olhos fechados se não ouvir nenhum barulhinho."

Hoje, André atravessa a rua tranqüilamente, mas nem sempre foi assim. Quando tinha dez anos, um carro quebrou o espelho retrovisor lateral em sua bacia.

"Eu estava esperando para atravessar, e tinha muita pressa - porque além de Coca, tinha bife à milanesa. Aí estava quase no meio da rua. A moça ia virar e bateu o espelho com tudo em mim, na bacia", revela.

André leva nesta terça-feira sua rotina tranqüilamente, e pelo que estima, pretende atravessar 27 ruas, embora não as conte conscientemente.

André Cintra corta o cabelo

Quem pensava que André Cintra fosse manter o cabelo da altura que estava, muito se enganou. Na tarde deste sábado, André cortou o cabelo no salão de beleza Les Amis, zona sul de São Paulo, e agora espera não mais ser comparado a um leão.

"Fui muito comparado a leões nos últimos dias, creio que por causa do cabelo", revela. "Isto não chega a me incomodar. Gosto muito de leões, seria até uma forma de homenageá-los".

Mas quem não gosta de leões é a namorada do estudante de jornalismo. "Aquilo estava muito feio, precisando de uma hidratação! Cortar era a melhor solução, para começar um novo corte, do zero.", diz Juliana, a namorada. "Se ele cuidasse, tudo bem. Como não cuida, tem que passar a tesoura!"

O corte escolhido foi o tradicional, e não houve incidentes. Assim, André espera cortar o cabelo novamente somente daqui a noventa dias, quando seus cabelos estiverem com comprimento aproximado ao que estava hoje pela manhã, antes do corte.

Tudo durou certa de vinte minutos e custou vinte reais aos cofres de André, aproximadamente 5% de seu orçamento mensal.

Mete a boca oca #2

Wilson, leitor deste blog, talvez seja uma pessoa muito curiosa.

(Gastei muito tempo para escrever a primeira linha deste post. Eu ia dizer que Wilson é curioso, mas como saber? Talvez ele não seja curioso e tenha feito somente duas perguntas. Eu não me importo com preconceitos. Me importo é com Wilson.)

Wilson ficou satisfeito com minha resposta. E fez uma pergunta que nada tem a ver com blogs.

Perguntou-me: Por que abóbora é laranja e laranja não é abóbora?

Resposta: Quando dizemos que abóbora é laranja, queremos dizer que a cor dela é laranja, talvez alaranjada. Isso: laranja é cor e fruta.

E não se pode dizer que laranja é abóbora, porque abóbora não é cor, só é fruta.

Em sua pergunta de efeito, a matemática não cabe, Wilson. Ou seja: abóbora = laranja e laranja = abóbora não são equações plausíveis.

Para simplificarmos a sua pergunta, transcrevâmo-la de outra forma: "Por que a fruta abóbora tem a cor laranja e a fruta laranja não é a fruta abóbora?"

Perceba que uma fruta é só uma fruta, não outra fruta.

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Você, leitor deste blog, pode fazer perguntas. Isso mesmo, pergunte para sua mãe, pergunte para o cobrador do ônibus, pergunte para quem quiser!

Mas a novidade é que também é possível perguntar para mim! E eu respondo.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mete a boca oca

Quem inaugura o espaço de perguntas do leitor é Wilson, que perguntou:

- É possível comentar neste blog?

Wilson, antes de você perguntar, eu não sabia a resposta. Mas como eu soube da sua pergunta, posso responder-lhe seguramente que:

Resposta: Sim.

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Você, leitor deste blog, pode fazer perguntas. Isso mesmo, pergunte para sua mãe, pergunte para o cobrador do ônibus, pergunte para quem quiser!

Mas a novidade é que também é possível perguntar para mim! E eu respondo.

Ewerton Clides desmente sondagens de blog

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Folha Express, 22:56

O sociólogo Ewerton Clides desmentiu nesta sexta-feira que tenha sido convidado para escrever no blog Eu não sou virgem, Maria! Ewerton Clides alegou que não pretende escrever em outros blogs, já que tem muito trabalho para manter o próprio.

"Meu blog ocupa grande tempo da minha vida. Claro que não ocupa parte majoritária da minha vida, mas sete minutos por dia para mim equivale, em produção, às suas seis horas de trabalho ridículo, queridinha", diz Ewerton Clides. "E tome lá cuidado para escrever sempre Ewerton Clides, nunca somente Ewerton ou somente Clides!", recomenda.

Os boatos de que Ewerton Clides iria escrever para o blog começaram quando uma câmera flagrou Ewerton Clides conversando com o dono do blog. "Eles estavam discretos. Ewerton Clides se vestia de marrom e media um metro e cinqüenta e dois, creio.", conta o cinegrafista amador.

Mas as especulações terminam por aí. André Ursípedes, ou Cintra, quando perguntado sobre o ocorrido desmentiu tudo. "É claro que seria uma honra magnífica contar com Ewerton Clides em meu blog, mas acontece, minha chapa, que ele ficou furioso comigo! Ele achou que perguntei da falecida mãe dele."

E por isso, as relações dos dois estão estremecidas, o que inviabiliza qualquer tipo de parceria.

Enquanto isso, Ewerton Clides lançou seu novo livro, A economia aquática, e André não lançou livro nenhum.

Adriane Galisteu

Uma moça de aparentemente 18 anos se aproximou de mim e cutucou-me com a bengala. Quer bolo, quer? Ela me perguntou assim. Eu disse, bolo de quê? Porque cavalo dado a gente não olha os dentes, né? Mas o cavalo que ainda não foi dado, a gente pode olhar o que quiser, para não ficar com um cavalo inútil. Ou para não ficar com um cavalo, para quem não gosta de cavalo.

É. Imagina se você mora em um apartamento. Você está em sua casa, descascando batata, e escuta no corredor um barulhão o dia todo, mas não quer olhar para não se meter. Aí toca a campainha e é um amigo seu com um cavalo para você.

- É teu!

Mas eu não moro em um apartamento, você diria antes, se o cavalo não fosse seu.

Tem gente que dá cavalos dados que não se olham os dentes para se livrar de cavalos doentes.

A moça disse que o bolo era de chocolate, e eu aceitei. Disse para a moça: Agora você já pode casar! Mas eu já sou casada, ela disse. Aí que eu reparei que olhei as velinhas ao contrário. Não eram 18. Aquela mulher estava fazendo oitenta e um anos!

Pedro Bial

Passo 51% de meu tempo odiando o Pedro Bial secamente. É uma coisa simples. Todo o resto de minha vida - a cor da minha escova de dente, o grau de salinidade de gel que eu não uso no cabelo, a cor da minha unha, a sujeira debaixo da minha unha, os pêlos do meu cabelo, a marca do xampu - ocupa 49% de toda a minha existência. E mesmo menor numericamente, estes itens ocupam maior espaço para contar. Não sei por quê.

Sondagens a Ewerton Clides

Não confirmo as sondagens a Ewerton Clides de que tenho sido acusado.

Isto tudo vem de um encontro que com ele tive na última terça-feira, no litoral paulista, em frente a uma padaria rústica. Disse-lhe somente "Olá, Ewerton Clides, tudo bem com a sua mão?", ao que ele respondeu "Isto não é pergunta que se faça!"

Ou seja. Pelo mesmo motivo de que surgiram boatos de que Ewerton Clides estaria assinando carta de intenção para escrever neste blog, é que Ewerton Clides não escreverá neste blog tão logo.

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Como sou um pouco fanho, quero dizer a Ewerton Clides que tenho a certeza de que ele se irritou com a minha pergunta por ter pensado que perguntei se está tudo bem com a mãe dele, a morta, não com a mão acidentada na semana passada.

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Ewerton Clides machucou a mão na semana passada ao tentar alcançar um livro antigo de sua coleção. Este livro estava muito em cima, e Ewerton Clides teve que apoiar o pé em lugares não muito confiáveis, como livros sociológicos.

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Livros sociológicos não são confiáveis para se apoiar os pés, quanto menos para se ler. É possível reparar que esse tipo de livro é sempre envernizado na capa, deixando-o escorregadio em contato com outros livros, quanto mais com outros livros de sociologia. A próxima parte é um recado exclusivo a Ewerton Clides, portanto não o leia.

André Ursípedes

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Ewerton Clides, você não deve se irritar assim com minha pergunta. Tenha a humildade de dizer "Quê?". Você sabe que não irei responder queijo, como aquele jovem da última semana.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

André Cintra perde seu guarda-chuva em lanchonete movimentada

Não foi desta vez que o guarda-chuva preferido de André Cintra foi perdido. Por pouco.

Na tarde desta quinta-feira, ao almoçar um sanduíche de pernil com Coca-Cola em uma movimentada lanchonete da zona central de São Paulo, André Cintra esqueceu seu quarda-chuva enorme no balcão, para reencontrá-lo cerca de vinte e cinco minutos mais tarde, sem danos.

"Eu estava com a pasta do Umaisum e conversava animadamente com meu irmão", diz André. "Além disso, me preocupava em pegar meu Vale-Refeição dentro da minha carteirazinha!".

O guarda-chuva permaneceu na lanchonete enquanto André mostrava as redondezas do Centro para seu irmão e o levava até o metrô. "Nem senti falta! Andava tranqüilamente. Porque guarda-chuva é grande e incomoda de andar. Essas coisas, a gente não percebe quando perde, porque é assim com incômodos: - A gente só os vê quando chegam. Incômodos saem à francesa", revela.

E foi fazendo o caminho de volta do metrô, rumo ao trabalho, que percebeu que estava sem o guarda-chuva. "Eu vi um moço vendendo guarda-chuva. Pensei: ainda bem que tenho o meu, que esse aí tá muito caro! Mas cadê o meu?!" Estava na lanchonete.

Então André foi à lanchonete, onde encontrou seu guarda-chuva com relativa confusão. "Primeiro perguntei para um garçon que estava lá sem fazer nada. Ele procurou junto comigo e não achou nada. O servente também não sabia de nada!", informa André. "Mas aí um freguês que estava almoçando disse que tinham guardado nos fundos. Aí sim encontrei."

André tinha outro guarda-chuva, mas foi jogado fora pela mãe pelo péssimo estado de convervação.

Eu não sou virgem, Maria!

Olha, minha filha, eu sou uma pessoa muito respeitosa. Gosto muito de ajudar as criancinhas lá da minha escola. Eu sou professora, sabe. De pré. E elas tratam a gente mal, sabe? Falam que meu cabelo é pixaim, que parece mola. Aí eu falo, ô Maurinho, mas você adora mola! Não na cabeça, ele diz.

E meu salário é bem ruinzinho, sabe? Mil e pouco, e ainda tem o vale transporte descontado no salário. E o vale transporte que eles descontam é pra corinthiano ficar encoxando a gente de pau duro.

Desculpa, não me olha assim, mas eles se esfregam de pau duro na gente. Em mim, que não sou lá essas coisas, eles esfregam assim. Imagina em mulher gostosa e bunduda? Credo, dá até arrepio. Arrepio ruim, viu!

É quase isso que eu quero dizer, Maria. Não olha desse jeito, que é aí que eu não consigo dizer! Não, cala boca! Tá bom, eu digo:

- Eu não sou virgem, Maria!