quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entrevista com lideranças - George W. Bush

Hoje começam neste blog os relatos de minhas viagens pelo mundo para a reconciliação mundial.

Entrevistei todas as lideranças que me interessavam nos horários em que eu queria e nas cidades deles - pois o patrocínio do blog pagou toda a caravana. Elas precisam de gente que as trate como se não fossem celebridades para que lembrem o que foi que as tornou tão importantes assim.

Foram todas tão simpáticas, que isto serviu para engrandecer minha auto-estima e minha arrogância. Imagine que tomei tapinha nas costas do Bush! Que o Obama me serviu cafezinho! E que mandei o Bono Vox calar o boca enquanto ele cantava aquela música pela milésima vez.

Eu tentei ser humilde.

A minha missão era devolver a paz ao mundo. Mas paz não tem graça. Então todo o caos que retirei de uns cantos, devolvi em outros. Deixei Bush mais mansinho e Obama mais nervoso; O Kaká mais diabólico e o Edmundo um pouco crente.

Para abrir esta série, creio que o presidente dos Estados Unidos é a pessoa mais adequada. Não me importo com este país, mas é legal zombar do presidente nas horas em que as coisas não estão dando certo como se esperava.

O lugar em que Bush me recepcionou foi uma coincidência entre o que ele queria e o que eu desejava: Casa Branca. Porque era a casa dele e também o lugar mais interessante que creio que haja nos Estados Unidos.

Eu fui de terno, que era para poder vestir o botton do Palmeiras. Bush estava de terno porque ele fica mais à vontade assim do que de pijama. Vida de presidente é fogo.

"E aí, Bush!", eu perguntei. Um comprido silêncio se seguiu. Eu silenciei e fiz cara invocada, para pressioná-lo; mas ele não percebeu e foi somente um silêncio que me honraria muito depois, pois é quase que inimaginável um silêncio daquele tamanho em uma agenda tão atribulada.

Bush me perguntou, então, onde é que eu estava hospedado.

"Na casa do Obama!" Ele não tomou um segundo de susto e começou a falar sobre a Cláudia Ohana. Disse que a Playboy dela é um mito, um sucesso, mas foi quando ele começou a falar das novelas que eu percebi: Ele não ouviu corretamente. Confundiu Ohana com Obama. Ao que eu o interrompi: - "Não é Ohana. É Obama". E ele disse: "Ah, que susto! Pensei que fosse no Obama!"

Dei-lhe uma bronca preciosa! Ele é uma pessoa alucinada, que escuta o que quer. Mas parece que não ouviu minha bronca, pois logo a seguir me disse que eu não sou arrogante como pareço no blog. Eu lhe confirmei que eu não era arrogante, antes tímido! E que a timidez é a grande qualidade de nossa época, já que os tímidos não enchem tanto o saco. "Imagine, Bush!, que tem gente que vem me questionando sobre a autoria do Ensaio sobre a cegueta, obra que no mínimo inspirou o Saramago!"

"O que é Saramago?", Bush perguntou.

Eu ri e anotei para usar na minha entrevista intimidadora com Saramago.

"Bush", eu disse, "acho que é preciso sempre diferenciar o pai do filho. Meu pai, por exemplo, faz pizza e eu sou um gênio. Agora. Você e seu pai são idênticos!"

"É, o bigode lembra."

"Mas vocês não têm bigode!"

Bush fez a cara que melhor lhe caracteriza.

"Por que você quis a reeleição?"

"Sabe, rapaz, que quando entrei na Casa Branca o que mais me encantou foi um chocolatinho. Desde então, só penso nesse chocolatinho. É me dar um desses que eu assino qualquer coisa!"

Sabe como era o chocolatinho?

"Ele é pequeno, vem numa embalagem azul e está escrito BIS em cima."

"Tem muitos no Brasil!"

"Jura? Acho que vou para lá em Janeiro, então. Obrigado."

Precisava finalizar esta entrevista insuportável: "Que recado você mandaria para o Obama?"

Antes de responder, fez uma ligação em inglês e não entendi nada. "Eu falaria para ele aproveitar os queijos que deixei no freezer!"

Antes de me despedir, ele me deu um gilete para entregar para a Cláudia Ohana.

Um comentário:

Babi disse...

Adoro BIS também!