segunda-feira, 27 de abril de 2009

Anedota primeira

Um amigo otorrinolaringologista certo dia me perguntou se eu poderia ajudá-lo. Disse-lhe prontamente que sim, e que não seria sem o maior prazer. Ele morreu três dias depois e posso falar que foi um grande alívio, já que detesto gargantas e orelhas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Calças ultra camufláveis - modelo praia

Muito tem se falado sobre minha nova invenção.

Um amigo meu, em seu discurso na ONU, chegou a dizer o seguinte, não sem grande emoção: "Leonardo Da Vinci desenvolveu o pára-quedas, Santos Dummont fez o avião, e o André criou as roupas ultra camufláveis". Concordo com ele que o paraquedas e o avião são grandes invenções, e que muitas vidas melhoraram por causa deles. Mas as roupas ultra camufláveis não têm paralelo em toda a história da humanidade. Reconheço, porém, a boa intenção de meu amigo ao me comparar com gente de primeiríssima grandeza.

Comecei com as calças por uma simples questão estética. Minha primeira ideia era criar as cuecas ultra camufláveis, para que os homossexuais de baixa estatura peniana não se sentissem constrangidos ao frequentarem uma sauna. Porém, as cuecas se tornaram mais difíceis por minha dificuldade em lidar com os modelos. Tinha que ficar ajustando as cuecas, e um modelo se excitou por acidente. Sorte que não toquei em nada!

Como se pode ver na foto acima, as calças são realmente ultra camufláveis. Muitos chegaram a dizer que se trata somente de uma foto montagem. A eles, digo: "Como seria uma foto montagem, se na sombra dá para ver que a mulher tem, sim, pernas? Hein? Vocês viram a sombra? Acho que não! Pois agora vejam!". Além disso, eu não faria uma coisa dessas com meus leitores. Não arriscaria anos de brilhantismo e credibilidade por conta de uma invenção que não seria de fato uma invenção.

Os invejosos que duvidam desta criação não querem reconhecer a utilidade destas vestimentas. Agora, ficou muito mais fácil de se passar um susto em alguém. Se antes tínhamos de nos esconder atrás de muros ou postes, agora basta vestir as roupas ultra camufláveis, se postar na frente de alguém e:

- Bu.

Que susto!

Há grande utilidade também nos usos militares, para jogadores de futebol que queiram passar desapercebidos pelos adversários, caçadores em busca de peixes ou periquitos, ou até mesmo donas de casa que não queiram se importar com manchas do dia a dia.

O único problema que devo reconhecer é o de que há gente mal cheirosa que será percebida pelo cheiro. Ou, se der sorte, poderá causar o efeito de gases humanos no local. Mas poxa vida, passar desodorante é tão difícil assim?
Os outros problemas, não os reconheço.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

André x Fernando Pessoa - 2º round

Minhas declarações causaram rebuliço em Portugal. Fernando Pessoa jamais havia sido tão humilhado diante de um número tão grande de pessoas. Chegou até a circular um boato dando conta de que o poeta havia tentado o suicídio e conseguido - o que foi desmentido horas depois, quando foi visto chorando e comendo pastéis de Belém.

Fernando prometeu grandes declarações bombásticas que prometiam me causar muita vergonha. “Ele se sentirá como se estivesse nu em público!”, declarou Fernando, exaltado. "Fernando Pessoa promete envergonhar André de cabo a rabo", era a manchete de um dos principais jornais de Lisboa. "Fernando Pessoa chora; André ri", era a manchete de um jornal de Coimbra. "Benfica vence mais uma", a manchete de um periódico de Aveiro, mas esta não nos interessa.

A resposta tão aguardada foi esperada durante todo o dia, mas foi só nas últimas horas da noite que Fernando Pessoa apareceu sorridente em um programa de auditório - o mais visto do país. Ninguém esperava tanto contentamento depois de tanta vergonha. O apresentador chegou a insinuar loucura do grande poeta, mas não restava dúvida: A resposta estava pronta.

Conversaram primeiro sobre amenidades, como poesia e literatura portuguesa. Falaram muito sobre o tempo, se chove, se não chove. Os dois eram cúmplices de um grand finale. Aos dezenove minutos de conversa, o apresentador não se conteve e finalmente perguntou:

- Fernando, e quanto o que disse André no blog Eu não sou virgem, Maria!?

- Uma vergonha. Ele arrepender-se-á de ter dito tantas coisas ruins sobre mim.

- Por quê?

- Dar-lhe-ei a resposta agora.

Não foi sem grande susto que a plateia ouviu o que vem a seguir, depois de tantas mesóclises:

O André é um fingidor. Finge tão completamente, Que chega a fingir que é dor, A dor que deveras sente.

Ouviu-se aplausos por todo o país. Houve quem soltasse rojões. Até o minuto de silêncio foi interrompido em um grande clássico do futebol nacional. A bolsa de Coimbra subiu. O mundo aumentou imediatamente a importação de pastéis de Belém. Bruno Aleixo não ouviu, porque era tarde e já estava dormindo. Fernando Pessoa ouvia os aplausos tão merecidos, e no meio de tantas lágrimas, abraçou o apresentador e se despediu desta grande noite. Enfim o poeta se redimia.

William

Fazemos coisas terríveis em nome da seriedade. William é um bom exemplo disso. Ele se nega, se corrompe, se exclui - pela seriedade. E faria muito mais.

Veja a roupa dele. Sempre um terno escolhido por outrem, que ficaria perfeito em qualquer um. E o semblante? A mesma coisa. É um esforço contínuo para que não prestemos atenção nele. É um disfarçado profissional e proposital. Esta tentativa é tão nítida e engraçada, que o pensamento óbvio provocado é: “O que ele quer esconder com tanta seriedade?”

Nunca sei se a seriedade existe mesmo ou se o que chamamos de seriedade é somente uma negação do que nos é cômico. Nesta segunda opção, ela seria somente um anteparo entre o cômico íntimo e o olhar alheio. Um anteparo que pode ser transparente, uma peneira ou algo inexpugnável, que de vez em quando – quase nunca – se distrai, e tudo o que é engraçado e cômico de uma determinada pessoa é escancarado de repente.

William pretende, sempre, transmitir confiança e seriedade a tudo que diz. Na maioria das vezes, consegue. Porém, sua personalidade é revelada em seu erro. Ou melhor: Ele se escancara quando perde o controle da situação e sua seriedade se esvai em um segundo, como numa explosão. Seu anteparo abre uma fresta, e toda sua personalidade é extravasada em um pequeno sorriso, ou num olhar engraçado.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

André x Fernando Pessoa

É grande, a concorrência literária. Mais do que gladiadores em uma arena, os escritores se atacam, porque neste meio o fracasso de um é proporcional ao sucesso de outro. Se por um acaso Paulo Coelho passasse a vender menos livros, seu concorrente direto Machado de Assis venderia os livros perdidos por Paulo Coelho. O contrário também ocorreria.

Ultimamente meu sucesso literário tem incomodado muitos de quem já fui fã. Recebi um comunicado mal educado de Oscar Wilde, um fax bomba de Baudelaire, e um telefonema anônimo de Nietzsche. (Se o telefonema era anônimo, como eu sei que era Nietzsche? Aquela bigode não engana.) O pior ataque, porém, recebi de Fernando Pessoa. Vocês não imaginam do que um português com o ego ferido é capaz.

Pessoa tem redigido com nomes falsos, cartas aos mais variados jornais da Europa difamando meu nome e meu blog. Felizmente estes meios de comunicação não me conhecem e a repercussão não tem sido abundante. Porém, eu os conheço e fiquei profundamente magoado.

Um dos motivos que me torna superior a Fernando Pessoa – e creio que é por isso que este homem tem tanto me incomodado - é que posso provar que realmente tenho vários eus. Fernando dizia que era múltiplo, mas eram somente palavras. Cadê as fotos, com Fernando lado a lado com Fernando? Ou mais: Alberto Caiero possuía RG? Álvaro de Campos já foi visto estressado no meio do trânsito? Por um acaso o médico Ricardo Reis tinha pacientes?

Pior que isso, todos tinham a mesma caligrafia - aqui sou ainda mais superior, pois ninguém pode comprovar nas entrevistas comigo mesmo que as caligrafias são diferentes, pois são todas digitadas.

É por isso que trago uma foto que comprova a minha total multiplicidade. Era um sábado ensolarado quando me reuni comigo quatro vezes para controlar um barco em alta velocidade. Peço, pois, ao senhor Fernando Pessoa que pare com sua má e falsa literatura, ultrapassada por mim. E também que não me importune mais nos jornais europeus - pois ele não faz ideia do quanto custa importar tantos jornais.

Ps: Aos que me acusam de foto montagem, sugiro que parem de ler textos e poesias do senhor Fernando Pessoa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Nossas tias

Não é a bomba atômica, o grande mal da humanidade. Nem as abelhas - mas disso, você já sabia. O grande mal da humanidade é o bom senso.

Quando nossas tias discutem conosco, parece que há sempre uma contagem regressiva até que elas peçam que utilizemos o bom senso. "Use o bom senso, meu sobrinho, que não terá mais dúvidas", é o que elas dizem - ou quando não dizem, pensam. Ou seja. Enquanto nossas tias nos oferecem grato amor, elas estão na verdade correndo atrás do grande mal da humanidade!

Isto ocorre sempre quando elas dizem: "Diz com quem andas que te direi quem és". Esta frase, típica do bom senso, é de uma mentira singular.

Como é possível descobrir quem a pessoa é sabendo somente com quem ela anda? Apenas uma pequena parte da população mundial – as ricas e as famosas - tem os amigos de acordo com a própria personalidade. Estas pessoas são as especiais, que têm a possibilidade de escolher os amigos. Elas, sim, têm nos amigos uma indicação do que são.

Mas ao resto da humanidade, restam os amigos que a vida, ou o acaso, oferece. Estas pessoas não escolhem os amigos, senão os toleram.

Se você disser que anda com Sidney Magal, Robson Martins e Péricles Chamusca, tudo o que posso dizer é que você anda com Sidney Magal, Robson Martins e Péricles Chamusca.

O certo, então, seria: "Diga com quem anda que te direi quem são"!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Einstein cumpre sua promessa

Atendi o telefone e uma voz cansada com o tempo me disse:

- André. Me dê o sinal de fax. Sim?

Desliguei sem prestar muita atenção e apertei o START do fax. Uma folha começou a ser impressa, e percebi que tinha grande importância. Ei-la:



Abaixo, havia o recado: "Não falei que daria Palmeiras? Pintei meu cabelo de verde conforme prometido. Abraço. A. Einstein"

Grande gênio. Verifiquei mais tarde que meu fax não imprime fotos coloridas. Mas isto é uma explicação que só Einstein nos poderia fornecer.

Clássicos? Sei. - Drummond

Era uma segunda-feira chuvosa como a de hoje, quando Carlos Drummond de Andrade tocou à minha porta. Olhei pelo olho mágico e suspeitei que fosse o poeta. Mas precisei certificar-me, porque àquela época não era comum que gente importante deste tipo me procurasse. Também porque meu olho não distingue muito bem os velhos.

- Quem é?

- Sou eu - respondeu uma voz cansada. Drummond era genial, mas não era bom para coisas comuns e cotidianas, como uma pergunta corriqueira deste tipo.

- Eu quem?

- Ah, sim. O Drummond.

Abri a porta o mais rápido que pude. Que prazer, ajudar o poeta! Percebi, no entanto, que esta rapidez o assustou um pouco. Foi preciso um copo d’água para que se sentisse melhor e mais ambientado.

Conversamos sobre amenidades. Sobre as diferenças e semelhanças entre São Paulo e Minas, entre São Paulo e o Rio, e entre o Rio e Minas. Nada demais. No final, concluímos que as únicas diferenças dignas de menção eram que em Minas, o pão de queijo era preparado em casa, que no Rio tinha praia, e que em São Paulo não tinha praia nem pão de queijo - ou seja, esta cidade é um mal necessário.

Aproveitei que falamos em pão de queijo e o servi com um pão de queijo do dia de ontem, que para minha surpresa, o agradou.

- Está delicioso! É de ontem? Os pães de queijo ruins ficam melhores no dia seguinte. Ficam mais sequinhos.

Era, sim. Chegamos ao assunto principal. O assunto digno de movê-lo de Minas Gerais até minha casa.

- André, colega, preciso escrever uma poesia e estou sem assunto. Preciso que você me dê um tema!

Um tema? Na hora pensei em alguma guerra, em algum carro, em alguma coisa que me favorecesse.

- Palmeiras! Faça uma poesia sobre o Palmeiras.

- Eu não faria uma poesia de um time que não fosse meu.

- Então fale sobre pão de queijo, ué.

- Muito óbvio. Todo mundo já sabe que sou mineiro.

Foi então que eu disse, já sem paciência:

- Então olhe para minha cara e escreva o que lhe vier à cabeça!

- Tá bom.

Olhe olhava fixamente para mim, e fiquei um pouco constrangido. Pensei que fosse falar da cor dos meus olhos, ou da diferença de coloração que uma bochecha é capaz. Nada disso. Depois de cinco minutos:

- Posso recitar?

- Sim, sim. Pode.

- No meio do nariz tinha uma espinha
tinha uma espinha no meio do nariz
tinha uma espinha
no meio do nariz tinha uma espinha.

- Pare, pare! Pare, que não posso mais ouvir o que você acabou de escrever!
Se antes já estava envergonhado, agora fiquei mais envergonhado que criança feia. Era preciso algo que mudasse o assunto. A poesia era boa, mas o tema ruim. Neste momento, veio-me à cabeça um insight com destino à eternidade.

- Dirce! - era o nome de minha empregada. - Traga uma pedra!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Einstein trombadinha



A série de entrevistas com lideranças mundiais está sendo uma grande sucesso. Percebi que o leitor gosta que eu tenha boas companhias, e que isso pode acrescentar bastante ao debate. Houve muitos questionamentos quando souberam que Obina entraria para a lista, mas cessaram todos após a entrevista, quando puderam perceber a capacidade intelectual deste homem e artilheiro.

Hoje, entrevistarei um gênio. Mas um gênio, gênio mesmo. É assustador ouvir a minha geração utilizando esta palavra. Usam gênio se referindo a um sujeito bom, a uma coisa legal, engraçada ou divertida. Ou seja, hoje em dia genial é fazer uma coisa muito boa. Só que genial é muito mais que isso. Genial é fazer o que ninguém fez, nem poderia imaginar. Genial é fazer mais do que se pensava que um ser humano poderia fazer.

Quando você for chamar alguém de gênio, tente comparar esta pessoa com gênios de outras épocas. Pense: Este sujeito inventou o pára-quedas? Inventou o avião? Intuiu a criação dos planetas? Descobriu que a Terra não é redonda?

Se sim, para pelo menos uma destas perguntas ou similares, a pessoas pode, sim, ser considerada genial. Caso contrário, ela só será muito legal - e olhe que isso já é uma grande coisa, pois a grande maioria das pessoas é composta de chatos irremediáveis!

Mas eu falava do convidado de hoje. Ele é inquestionavelmente um gênio, é alemão e parece meio louco. É o tipo de sujeito referência, que simboliza o ápice da inteligência humana. Não é Obina, não é Obama, muito menos sou eu. Trata-se, é claro, de Albert Einstein.

- Einstein. Olá!

- Olá, meu chapa. Tudo em cima?

Einstein me recebeu em sua casa no século XX. Nós nos encontramos no começo deste ano, aqui no século XXI, numa visita que ele concedeu a meu blog. A conversa foi a seguinte:

- Olá, André! Permita-me apresentar. Meu nome é Albert Einstein, e sou um cientista que viveu há muito tempo. Passei anos pegando elevadores rápidos para avançar no tempo, poder encontrá-lo e ler seu blog. É um grande prazer conhecê-lo.

Caramba, eu pensei, o Einstein veio até aqui só para me conhecer!

- Oi, Einstein! Eu já ouvi falar de você. Vamos conversar. Você veio de muito longe. Deve estar com sede!

- Estou, sim! Muita sede. Você teria uma água tônica?

Deveria desconfiar. Bebida de velho.

- Ter, não tenho. Mas vamos até ali comprar uma bem geladinha.

Sentamo-nos no bar e conversamos, conversamos. O bom de conversar com uma pessoa inteligente e interessante é que ela faz aflorar o lado inteligente e interessante dos outros. Comigo não foi nada diferente. Falei sobre física, opinei sobre bioquímica, e até critiquei descobertas dele mesmo, Einstein.

- Entendo que você critique a bomba atômica, por exemplo. Mas eu só queria inventar o microondas! Aliás, como se escreve microondas na nova ortografia?

- Não sei, Einstein, não sei!

Achei esquisito que ele soubesse deste detalhe da língua portuguesa, já que teimava em falar em alemão. Eu, que não sei alemão, apenas intuí as palavras que ele disse. E vou dizer uma coisa. É muito difícil intuir o alemão, já que todas palavras parecem ter conotações nazistas.

Depois de muito papo, vi que ele tinha uma anotação esquisita: E=mc. Achei que aquilo não batia e opinei:

- Einstein. É ao quadrado. E, igual a MC ao quadrado.

Ele fez uma cara de espanto, fez rápidas contas no guardanapo e me olhou assustado:

- Você vai contar para alguém que foi você quem disse?

- Não, Albert. Fica tranquilo. Só tenta falar do meu blog para seus alunos, não sei.

- Falo. Falo, sim.

Neste momento ele alegou uma desculpa qualquer e disse que tinha que ir embora. Comprou várias águas tônicas geladas, e entrou no elevador. Agora teria que andar numa velocidade menor, para voltar ao tempo. Eu disse que tudo bem, e fui embora.

Desde então, me dediquei a fundo ao alemão. Eis uma língua muito chata. Parece que as palavras não fazem sentido ligando umas às outras, além de parecer que são somente ruídos e, como já disse, nazistas. Mas Einstein não era nazista, e para um melhor papo, era necessário aprender a língua maldita.

Foi hoje de manhã que ele veio, no mesmo elevador. Percebi que ele estava virado de costas, ajeitando o cabelo com o auxílio do espelho.

- Ué! Pensei que você fosse despenteado!

- E sou! É que dá muito trabalho despentear o cabelo.

- Perguntei mal. Eu pensei é que você fosse despenteado por desleixo!

- Bah! Imagine! Eu não sou um homem a frente do tempo? Então. Eu me antecipei à moda do século XX e tenho o cabelo como se tem hoje: comprido e despenteado.

- Caramba! Você é mesmo um gênio.

- Rapaz, mais sessenta anos pegando elevador rápido só para falar com você, então vamos falar de coisas mais importantes. Aliás, prefiro que seja lá em casa. Vamos entrar neste elevador para voltar ao tempo.

Posso dizer que voltar ao tempo é muito mais entediante do que parece. Imagine entrar em um elevador e esperar 60 anos para encontrar uma cidade antiga e sem graça? E depois mais 60 para voltar, porque o velho que estava contigo se esqueceu de comprar a água tônica. Faço grandes coisas por uma grande entrevista.

Chegando na casa de Einstein é que começamos a entrevista.

- Agora eu aprendi a falar alemão! – eu disse.

- Por que você não disse antes? Eu já sabia falar português! Só falei em alemão porque achei que você estivesse compreendendo.

Puta que pariu.

- Tudo bem. Vamos falar em português, mesmo. E aí, como vão as descobertas?

- Vão bem. Olha, você estava certo. É E=mc². Acho que minha maior invenção é sua!

- Não se preocupe. Prefiro que seja sua. Você é um homem tão bom.

- Obrigado. Mas eu cumpri a minha parte do trato. Escrevi na lousa que seu blog é o melhor do mundo. Pedi para um aluno tirar a foto no celular aqui.



- Mas esse celular é meu! Eu o perdi bem naquele dia em que nos encontramos!

- Você não perdeu. Eu peguei para que tirar essa foto. Ficou boa, não?

- Ficou, sim, seu trombadinha. Agora posso começar a gravar? Pensei em entrevistá-lo para a série de entrevistas com lideranças mundiais.

- Claro! Eu estava louco para entrar nessa lista. Agora resolveu escutar os mortos?

- É bom ouvir quem não pode mais dizer, não é? Você é morto, mas é muito inteligente. Creio que é melhor entrevistar você morto do que a Xuxa viva, por exemplo.

- Concordo, embora não conheça essa Xuxa. Porém posso presumir que ela não seja tão inteligente nem tenha coisas tão relevantes para dizer como eu tenho.

- É mesmo. Começa me dizendo uma frase de efeito.

- Se for para destruir, não destrua uma casa, um prédio, ou um bairro. Destrua logo uma cidade inteira!

- Opa! Assim começo a pensar que você quis criar a bomba atômica de propósito!

- Acho que você não ouviu direito. Eu disse se for para construir. Construir, não destruir.

- Sei... como você sabe que eu ouvi destruir, então?

- Pela cara que você fez na hora em que eu disse construir. Intui que você tivesse ouvido o contrário.

- Olha. Não tenho muito mais tempo. Me diz, por favor, quem ganha hoje. Palmeiras ou Sport?

- Palmeiras. E depois do jogo eu ainda pinto o cabelo de verde!

- Tá bom. Você vai de elevador?

- Vou, sim. Só vou comprar umas águas tônicas antes.

Demos abraços fortes e efusivos e nos despedimos.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Funcionário do mês - Abril

Quando Joelma foi eleita a funcionária do mês, muitos foram os leitores que protestaram. Mal consegui entrar no prédio ENSVM, de tantos que eram os manifestantes. Tinha um que tive a impressão de que ele estava nu – uma pessoa que me acompanhava disse que ele não estava nu, a roupa dele que era bege.

Nas faixas, estava escrito sempre com algum erro de português que a música dela é ruim, as letras são mal feitas, a voz dela é insuportável e até, pasmem, que o loiro dela é tingido. Ao que eu responderia que os leitores costumam fazer comentários ruins, mal compostos e - ainda bem que não posso ouvi-los, mas se pudesse a voz deles seriam da mesma forma insuportáveis.

A diferença entre a Joelma e os leitores, é que a Joelma melhora o mundo, pelo menos para as pessoas que compram os CDs do Calypso e dançam daquele jeito. É por isso que ela recebeu o título de funcionária do mês.

Isto, porém, pode causar um problema a longo prazo. Deixo que Deus lhes explique:

"Você deve saber que para um relacionamento comprido se manter estável, é preciso que a mulher admire o homem. Mais que isso: É preciso que ela se sinta inferior ao homem. Assim, as coisas ficam na ordem certa: A mulher se sente presa ao homem por ser dependente dele, e o homem se sente preso à mulher por ela ser dependente dele.

É esta ordem que o título de Joelma poderia abalar. Se Chimbinha não ganhasse o título de funcionário do mês, Joelma se veria superior a ele. O casamento poderia acabar, e pior, a banda também.

O fim do Calypso seria ruim para os que gostam e para os que não gostam da banda. Os dois teriam carreira solo, para desespero dos que não gostam, pois teriam que aturar o dobro do que aturam atualmente. Aqueles que gostam de Calypso, ouviriam duas bandas de que gostam, mas que nunca seriam tão boas quanto Calypso.

Parabéns a Chimbinha, o funcionário deste mês!"

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Trecho de um livro gay que nunca foi escrito

"Quando comprei a primeira revista G, não esperava que fosse comprar a segunda, a terceira e todas as outras seguintes. E quando comprei a última, tinha plena certeza de que seria a última, e que precisaria jogar todas fora.

Alguém acreditaria se eu dissesse que não sou homossexual? Eu não sou homossexual. Comprar a revista G, não quer dizer se excitar com ela. Tenho um apreço pela estética masculina que não tenho pela feminina. É isso: Apreço é uma coisa, atração sexual é outra.

Não se foram só as revistas. A cama de solteiro, o raque tridimensional das Casas Bahia, a tevê, aqueles talheres bregas, os quadros de infância, os portas-retratos com fotos de gente que nem conheço, o sofá da sala e o fogão.

O fogão foi por engano."

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Regra de convivência #36 - Dispõe sobre a necessidade de se abreviar sobrenomes pornográficos

Uma das maiores desculpas que as crianças dão para que possam fazer o que quiserem, é dizer que não pediram para nascer. Elas dizem isso porque querem fazer várias coisas que os adultos não deixam. O engraçado é que depois vão crescer, e poderão realizar tudo a que foram impedidos, mas não desejarão mais. Não sei por quê.

Essas crianças não entendem que - tudo bem, não pediram para nascer - mas recebem diversas outras vantagens que também não pediram. Quando a mãe faz bife à milanesa, ninguém deixa de comer por que não pediu. E quando têm escolas boas, não precisam trabalhar, podem ir ao médico à primeira necessidade, não reclamam de nada.

O motivo disso é que ninguém reclama de herança boa, só de herança ruim. Depois de algum tempo, se aprende que pode mostrar a herança boa, e que não se pode reclamar da herança ruim, porque isso seria uma forma de exibi-la ao público.

Quem não sabe disso é que não abrevia os sobrenomes pornográficos. Ninguém gosta de ter Pinto no sobrenome, mas é uma herança e temos que aceitá-la. Aceitá-la, não exibi-la. A simples exibição do sobrenome ruim pode ser comparada ao elogio da pobreza, da fome ou até mesmo da feiura.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Pergunta do leitor (com réplica!)

O leitor da internet é um ser mui sensível. Ele, muito criticado por não perceber ironias ou outras minúcias textuais, é capaz de detectar no primeiro olhar qualquer alteração na paginação de um site! Quando uma simples figura deste espaço é modificada na última linha, chego a receber centenas de e-mails com protestos efusivos. Há quem ameace deixar de ler o site. A estes respondo:

- Obrigado. Não esperava que esta alteração conquistasse tamanho sucesso.

Há cerca de três semanas, modifiquei a parte direita deste site, e onde estava a minha descrição, há diversas outras. É sobre isto que trata a pergunta da vez.

Pergunta: Por que você mudou aquilo tudo? Ficou um horror.

Resposta: Meu grande amigo leitor.

Admito que as mudanças neste blog tiraram dele um pouco de sua vasta beleza. Quem digitava http://www.eunaosouvirgemmaria.com/, ou procurasse pornografia com a Virgem Maria no google e sem querer entrasse aqui, se deparava com um belíssimo blog muito convidativo à leitura. Logo de antemão, já era possível saber quem criava este espaço, as críticas que já recebeu em toda imprensa mundial, e-mail para contato e outras coisas mais. Era um exemplo de paginação!

Eis o primeiro grande problema. Exemplo é uma coisa que serve para copiar sem ser notado. E me dói os rins quando vejo que alguém copiou o que tanto me custou para criar. É um certo ciúmes que tenho do texto. É este tipo de gente que pensa que a grande coisa de se escrever são as glórias do elogio, não os orgasmos criativos.

Leitor querido, era preciso mudar! Para isso, tive a ideia súbita de situar quem chegasse neste blog. A parte direita virou como um filme, que no começo a Terra é vista de longe, então a câmera vai se aproximando, aproximando, aproximando, quando, ufa!, chega no criador de toda a história. É exatamente isto que acontece neste espaço.

Fora isso, o blog virou menos exibicionista. Minha assinatura não é mais tão evidente. Porque o importante são os textos.

A ausência da beleza anterior é, sim, aparente. Mas o blog ficou melhor. É como um sujeito lindo que fica menos bonito quando põe óculos. Seria melhor que ele não precisasse usar óculos. Mas é algo inevitável.

Sim?

Abraços aconchegantes,

André

Réplica do leitor: Entendi sua resposta. Mas o sujeito do exemplo final não precisa necessariamente usar óculos. Existe lentes de contato hoje em dia.

Tréplica: Leitor perspicaz,

Não quis mencionar, mas o sujeito em questão morre de aflição de lentes de contato!

Obrigado,

André

Carla Perez,

Você deve estranhar deveras por receber um e-mail de uma pessoa séria como eu. Porque sempre que a senhora é lembrada, é para falar de coisas degradantes, como pornografia, nádegas e a objetização da mulher - convenhamos que não há gente muita séria tratando estes assuntos.

O enfoque deste comunicado é outro. Venho falar, pois, sobre suas façanhas. Sobre como alguém que todos sabiam estar no fundo do poço, sai dele e, sem se limpar, começa a frequentar outros lugares.

Eis uma coisa que pouca gente faz: se limpar ao sair do fundo do poço. Parece que o importante é sair e voltar a fazer o que se fazia antes. É um grande engano. No fundo do poço há ratos, baratas e água muito suja. Provavelmente você que esteve lá, deve saber disso muito melhor que eu. Mas não parece!

Carla, assim que você saiu do fundo do poço passou a frequentar igrejas! Agora elas estão todas sujas nos lugares em que você sentou. Como sei disso? Examinei o formato da sujeira que as nádegas formaram e comparei com as fotos das três vezes em que você posou para a playboy e não havia dúvida. Falei com um masturbador especialista em sexo anal e ele confirmou a verdade irrefutável.

Então a aconselho: Lave-se. Depois, pode ir aonde quiser.

Abraços efusivos,

André

Deu, o singular de Deus;

não são poucas as pessoas que procuram Deu para pedir conselhos ou simples palpites. Melhor palpites:

- Conselhos dão os grandes sábios ou os grandes fanfarrões. Eu, Deu, prefiro dar palpite, para ninguém vir cobrar depois!

Não são poucas as vezes também que os palpites dão certo, por isso há quem diga que o mais correto seria dizer previsões. Mas Deu prefere manter a cautela:

- É por isso que dão certo, porque são simples palpites. Tem gente que diz que eu não poderia chamá-los de palpites, já que como é grande a percentagem de acerto, deveria ter outro nome. A eles, os matemáticos, eu digo que não há base científica ou teórica nenhuma nisso tudo para se ter outro nome que não palpites. Outro dia alguém me perguntou o que poderia fazer para melhorar o mundo, e eu lhe disse para comprar mais melancias, simplesmente porque eu estava com vontade de melancias naquele instante. Não é que esse sujeito é hoje o maior plantador de melancias do mundo?!

Houve um caso peculiar que aqui cabe menção.

Tavares, um sujeito vindo do norte da Itália, muito procurou Deu. Ele precisava de uma previsão que, segundo ele, daria conclusão à sua vida. Eu disse que segundo ele, porque eu não saberia explicar o que isso significa, caso o leitor depois perguntasse. Tavares tentou por diversas vezes marcar hora com Deu, nunca obtendo sucesso, achando que a secretária de Deu não queria facilitar. Somente numa terça-feira, enquanto saía do mercado, foi que encontrou Deu, que foi logo dizendo:

- Sei bem que te chama Tavares, assim como sei que queres falar comigo. Não marquei hora porque não queria falar com você por um motivo muito particular. Rapaz, eu não queria estar na tua pele!

- Por quê, meu Deu? Por quê?

- Porque tens micose!

terça-feira, 31 de março de 2009

Perguntas mais frequentes

Muitos leitores enviam perguntas diariamente sempre indagando sobre o funcionamento do blog e outras coisas mais. De tanto responder estes e-mails - desculpem-me - inúteis, tive uma crise de tendinite - logo eu, que sequer sei o que é um tendão.

Então aqui lhes apresento uma lista das perguntas mais frequentes, que deve sempre ser lida antes de se fazer uma pergunta a mim.

1 - Eu comento sempre no seu blog e você nunca comenta no meu. O que eu faço?
Há quem pense que a parte de comentários é a parte mais importante de um blog. Tudo bem que se pense assim - eu não quero mudar a ideia de ninguém. Mas não é o caso deste blog.

Este blog é muito expositivo. É aceitável que o leitor se sinta melhor por dizer que gostou de um texto, ou então para acrescentar uma ideia nova. Claro, não há o menor problema. Utilize, mesmo, este espaço como um desabafo. Sabe por quê?

Porque não o lerei.

2 - Eu acho o Vinícius de Moraes um machista. Isto significa que eu sou feia?
É uma grande alegria quando a leitora nem pergunta e já oferece a resposta de antemão. Parabéns, se esta é a sua pergunta, pois você já sabe a resposta. Sim, você é feia.

3 - Você é muito distraído?
Agradeço esta pergunta, pois ela demonstra uma das minhas metas para o século vinte e um: Acabar com o mito de que sou distraído.

As pessoas me vêem na rua olhando para nada e vão logo dizendo: "O André é um distraído!". De repente, eu esbarro em alguma coisa e dizem a mesma coisa. E quando eu esqueço a faca no meio do prato, também.

Ora. Não é que eu seja distraído. É que estou sempre pensando em alguma coisa melhor. Enquanto todo mundo pensa na forma certa de andar, de comer, de se vestir, eu estou pensando na mais nova filosofia ocidental para publicar depois no blog. Minha "distração", é, pois, a fonte de toda inspiração que cria este espaço de que vocês gostam tanto.

4 - Por que você diz que não é virgem no nome do blog?
O nome deste blog não sou eu dizendo. Ele é, na verdade, uma citação. Quem é curioso e pesquisa neste blog as respostas de todos os problemas e as dúvidas universais, sabe que no primeiro texto publicado aqui há uma moça dizendo: "Eu não sou virgem, Maria!".

Se sou virgem ou não, é outra pergunta.

5 - Você faz humor?
Este não é um blog de humor. É capaz que às vezes a pessoa leia o blog e ache graça. Isto é até comum. Há também quem vá ao cemitério e sinta vontade de rir quando o sujeito vai sendo enterrado. Eu mesmo, outro dia, durante o velório de uma grande celebridade, desatei a rir como se estivesse ouvindo uma grande piada!

Este blog foi feito para mostrar minhas ideias. Para não deixá-las morrer antes que fossem escritas e registradas. Todo humor é acidental. Não há nada mais chato que o humor proposital.

6 - Se eu linkar o seu blog, você linka o meu?
Esta pergunta é uma adaptação de uma brincadeira de crianças devassas. Elas dizem para alguém do sexo oposto: "Se eu mostrar o meu, você mostra o seu?"

Bem, no meu caso, não há acordo possível. Eu posso somente colocar o link do seu blog se eu realmente gostar dele. Poxa vida. Me esforço tanto para parecer esnobe e irascível, e o sujeito vem com perguntas colaborativas? Cobram-me amizade no momento em que mais desejo a discórdia?

Quem quiser ter o link neste blog, que faça um blog legal. Não tanto quanto o meu, pois eu ficaria com inveja e não o indicaria.

7 - Há outros lugares onde posso ler textos seus?
Há. Há, sim.

8 - Diga onde, cara pálida.
No site da revista M... (http://www.mcorporation.com/), em cocolaborações; no e-blogs também tem textos, mas vocês já os leram aqui.

9 - Você tem espelho? Se sim, por que sempre aparece despenteado nas fotos do blog?
Seria uma grande tentação responder que não, pois me dispensaria da segunda pergunta. Mas infelizmente tenho espelho - um no banheiro e outro no quarto.

Creio que você fez a pergunta erroneamente. O correto seria perguntar se eu tenho e se o utilizo, porque eu realmente tenho, mas nunca me vejo pelo espelho.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Deu, o singular de Deus;

a manutenção das características que tornam as mulheres seres femininos sempre foi uma grande preocupação de Deu.

Uma vez, quando viu uma mulher de calça, entrou em coma. Quatro meses depois, ao acordar, dizia somente: "De calça! Ela estava de calça! Juro que vi! Uma mulher de calça!"

O médico recomendou terapia intensiva com psicólogos e anti-depressivos. À medida em que o tratamento foi avançando, Deu foi afrouxando as exigências fundamentais para a feminilidade da mulher. Hoje ele vê uma mulher de calça sem grandes arrepios. Ouve uma fêmea dizendo "obrigado" e nem a corrige!

Só há um hábito que nenhum psicólogo consegue corrigir. Nem os de Harvard! Ei-lo:

- Mulher com os pêlos das axilas compridos, para mim é homem! - costuma dizer Deu, o singular de Deus.

José

José descobriria a cura do câncer; falaria a cura da AIDS, sem pestanejar. Dissertaria sobre as razões para a impossibilidade da paz mundial no estado atual e as soluções; daria a receita para o fim da fome na África e no resto do mundo como quem recita um nega maluca. Comporia sonetos mais belos que de Camões e mais profundos que de Shakespeare; desenvolveria toda uma filosofia mais profunda que de Kant e mais charmosos que de Nietzsche. Resolveria o problema da violência das grandes metrópoles; dissolveria as grandes brigas por terra no campo. Criaria mulheres que já nasceriam sem pêlos nas axilas; inventaria cirurgias plásticas indolores.

José, porém, é mudo. Como se não bastasse, não tem braços e não pode escrever. E todas essas coisas, infelizmente, não serão possíveis.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Minha tia-avó

Uma vez, ao ver uma moça que finalmente morria pelo câncer, minha tia-avó, já emaconhada, disse: “Foi um alívio”. Porque a moça sofreu tanto com essa doença e também com o tratamento, que a única cura que ela poderia almejar era a morte.

Semana passada, quem morreu foi Clodovil. Ele não tinha câncer, não tinha AIDS, não tinha qualquer doença que anunciasse sua morte com alguma antecedência. Morreu vítima de um AVC: de um dia para o outro, ele já não mais existia. Minha tia-avó, ao ler no jornal a notícia fatal, disse o de sempre: “Foi um alívio”. Porém, desta vez havia um complemento: “Foi um alívio para todos nós! Graças a Deus morreu este homem!”

quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobre o poeta

Vinícius de Moraes é o grande sujeito do Brasil. É amado pelas mulheres que desvirginou e pelos pais das mulheres desvirginadas; pelas mulheres que por causa dele tornaram-se adúlteras e, acreditem, pelos maridos destas mulheres - porque eles não seriam maridos destas mulheres não fossem os inevitáveis versos de Vinícius utilizados na conquista amorosas.

Ele é tão boa praça, que não ofenderia nem se quisesse. Poderia mandar qualquer um tomar no cu sem que o interlocutor ficasse nervoso. Sabe por quê? Porque ele nunca falaria isso. É respeitado por, mesmo podendo maltratar, não maltratou. Deus dá às vezes, talvez por engano, o poder da ruindade àqueles que não são ruins. É como se Ele desse em 1945 o poder de usar a bomba atômica a quem não utilizaria jamais. Ali, acho que Ele errou.

Os poemas de Vinícius escreveu têm o dom da beleza universal. Agrada a qualquer gosto, diferentemente dos poemas dos outros artistas. Já vi anarquistas que sabiam o soneto da separação de cor e advogados que o pronunciavam em voz alta; analfabetos dizendo que não seja imortal, posto que é chama, e professores acadêmicos gritando mas que seja infinito enquanto dure. A melhor definição "daquilo que agrada a gregos e troianos" é Vinícius, embora ele tenha escrito toda sua obra em português, não em grego ou troiano.

Se você vir alguém falando mal dele, saiba que é por inveja. Ou por despeito, por não ter conquistado um brotinho usando um poema dele. Só há um aparte, ou correção, em relação a este grande homem. Digo. Se eu o encontrasse, diria o seguinte, depois de todos os elogios:

- Vinícius! Se a vida fosse a arte do encontro, as pessoas não entrariam no ônibus! Entrariam em uma galeria de arte!

terça-feira, 24 de março de 2009

Reunião na redação do site Eu não sou virgem, Maria!

Esta é uma transcrição fidedigna da última e fatídica reunião que ocorreu na redação deste site. Foi nela que tomei a decisão peremptória de demitir tantos funcionários, agravando ainda mais a crise que assola o mundo desde o ano passado. Acho que é por conta dessas demissões que o Papa Móvel teve que circular aberto por falta de verba no departamento blindatório da igreja.

Os nomes aqui apresentados são fictícios. Tome cuidado, que alguns nomes são verdadeiros, para confundir o leitor. Assim: se o sujeito se chama Sérgio, e eu digo que o nome é de mentira, uma boa tática é dizer que ele se chama Sérgio. Desta forma, o leitor pensará em todos os nomes possíveis, menos em Sérgio. Não entendeu? Leia de novo.

O comandante (eu): Bom dia, pessoal. Tudo bem? Ao contrário do tempo, que hoje se encontra lindamente, a firma não vai bem. Senão vejamos.

Neste momento, apresento um gráfico terrível.

O comandante (eu): Vêem esta tabela? Ela demonstra os lucros que obtivemos nos últimos meses. Estamos perdendo muito do lucro. Se antes ganhávamos sete milhões por mês, agora são somente seis milhões e quinhentos. Parece pouco, vendo que se trata ainda de bastante dinheiro. Mas quinhentos mil por mês fazem muita falta. E resolvi cortar alguns cargos. Vocês terão a oportunidade de argumentar a fim de me convencer a mantê-los no cargo. Pode ser que eu demita todos, pode ser que eu não demita nenhum. Vai depender do poder de argumentação dos senhores e do meu humor. Comece você, Sérgio.

Sérgio tosse, visivelmente constrangido. Ele não sabe por onde começar a argumentação. Tem tantos argumentos, que fica difícil eleger um.

Funcionário número um (Sérgio): Bem, senhor. Fica difícil pedir para que fiquemos, quando na verdade somos somente funcionários figurativos. Mas este é justamente meu argumento. Peço para ficar para que o senhor se sinta mais poderoso, pagando pelos seus funcionários. Peço inclusive um aumento, assim o senhor será mais poderoso ainda. Afinal, não é qualquer um que paga trinta mil por mês a um funcionário que não faça nada.

O comandante (eu): Sérgio. O senhor possui um ótimo argumento, mas mesmo assim vou demiti-lo.

Funcionário número um (Sérgio): Por que, senhor? Por quê?

O comandante (eu): Seu ótimo argumento para mantê-lo no cargo acabou suscitando em mim um excelente argumento para demiti-lo. Se é bom demitir alguém que ganhe pouco, melhor ainda é demitir alguém que ganhe tanto quanto você!

O funcionário demitido se entrega às lágrimas, mas chora ainda mais quando perde a dignidade.

O comandante (eu): Esqueci de dizer que os demitidos vão deixando a reunião. Sérgio, vá embora.

Sérgio se despede dos outros funcionários e minha secretária abre a porta para ele apertando um botão.

O comandante (eu): Putrécia, agora a senhora.

A secretária (Putrécia): Mas o senhor disse que não ia me demitir porque fui eu que dei a ideia das demissões!

O comandante (eu): Putrécia, a sua ideia foi muito boa. Mas a senhora não se envergonha? Se não fosse a senhora, várias pessoas não seriam demitidas. A senhora que deu a ideia e terá que se submeter também a esse processo seletivo. Saiba que sua argumentação terá que ser excepcional, porque estou pensando em implementar na firma sensores nas portas. A senhora ficará sem função!

A secretária (Putrécia): O meu argumento é um só, e o senhor mesmo já o disse. Se não fosse por mim, a empresa faliria, pois fui eu que tive a ideia das demissões. Creio que agora que o senhor já revelou a todos que a ideia foi minha, terá que demitir todos os outros e manter somente eu. O clima ficaria horrível trabalhando com gente que teve o cargo arriscado por minha causa.

O comandante (eu): Putrécia. A argumentação ia muito bem, quando a senhora sugeriu que todos terão que ser demitidos para a senhora ficar. Não vou demiti-la agora. Se demitir todos, você fica. Se ao menos um for mantido no cargo, você vai embora.

A secretária (Putrécia): O senhor é fogo.

Putrécia faz uma cara que demonstra clara irritação e solta um palavrão sem voz.

O comandante (eu): Os senhores estão com uma cara tão nervosa. Fiquem tranquilos, a não ser que vocês mereçam a demissão. Aí tem que ficar nervoso mesmo. José, o senhor.

José tosse.

O comandante (eu): Meu Deus! Será que para falar é tão preciso assim tossir? Por que vocês tanto tossem antes de falar? É por isso que vocês não são a Madonna. Porque tossiriam tanto, que as revistas não falariam outra coisa, senão: A Madonna está refriada!

Funcionário número dois (José): O senhor me desculpe, mas estou realmente resfriado. Estou tomando tantos remédios, que já sou sócio majoritário da farmárcia. E isto vem muito a calhar. Eu estava me preparando para pedir demissão, mas não sabia como. Então se é para o bem da sua empresa, vou me dedicar integralmente à farmácia de que sou sócio majoritário. Senhor, peço demissão.

O comandante (eu): É lamentável. Vá logo embora. Cretino.

O pedido de demissão de José causou certo furor entre os funcionários. Teve um até que achou graça, mas parou de rir no exato instante em que lhe mirei os olhos visivelmente irritado.

O comandante (eu): É foda. Tanta gente precisando de emprego, e o José escolhendo onde vai ficar. Essa farmácia vai falir. Encomendarei um milhão de remédios caríssimos e cancelarei em cima da hora. Eles ficarão no prejuízo. Aliás, alguém tem o telefone da farmácia do José?

Ninguém responde.

O comandante (eu): Quem souber, fica no cargo!

A secretária (Putrécia): Trina e oito, vinte e dois, quarenta e nove, vinte e um.

O comandante (eu): Putrécia, você fica. Sendo assim, estão todos dispensados e demitidos. Foi muito bom trabalhar com vocês durante tantos anos, mas imagino que tenha sido melhor para vocês terem trabalhado comigo.

Assim se encerrou a reunião. Os lucros voltaram a subir, embora a crise tenha diminuído o número de pessoas que compram computador com a finalidade única de acessar o site Eu não sou virgem, Maria!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Deu, o singular de Deus;

quando Deu não tinha muitos fiéis, ele saía pelas ruas perguntando para qualquer um:

- Você acredita em Deus?

Para os pouquíssimos sujeitos que não acreditavam em Deus, Deu diria que eles tinham bom gosto, e às vezes conquistava o fiel pelo fino trato na fala. Mas em geral, a resposta era sim, e Deu foi tomando a noção de que seria muito difícil ultrapassar Deus. Se é difícil para um peso galo ganhar uma luta de um peso pesado por ter a metade do peso do oponente, imagine para Deu, que era literalmente infinitamente menor que Deus, seu maior rival?

Deu foi armando, pois, estratégias, e conseguiu até reverter alguns fiéis com variados argumentos. Para um, disse que Deus era tão poderoso, tão onipotente, tão superior, que não teria tempo para um sujeito tão feio e desprezível como aquele.

- Então o senhor teria tempo para mim, Deu?

- É claro que não! Eu tenho cara de quem gosta de sobra? Se Deus, o da bondade infinita, não te quer, não sou eu que vou te querer!

E o sujeito ficou sem acreditar em divindade nenhuma.

Aconteceu uma vez, pois, algo deveras curioso. Deu perguntou para uma moça se ele acreditava em Deus, como sempre.

- Acredito.

A coitada teve o azar de ser a vigésima sétima pessoa seguida que acreditava em Deus. Eis a resposta do nosso grande mestre impaciente:

- É muito fácil acreditar em Deus; difícil é Deus acreditar em você! - disse Deu, o singular de Deus.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Atores da novela Eu não sou Virgem Maria morrem em desastre

Foi divulgado nesta tarde o que muitos desconfiavam há meses: a morte de todo o elenco da novela Eu não sou Virgem Maria, do blog Eu não sou virgem, Maria!. Os atores Regina Romona, Rodolpho Wellington Borges da Silva, Ruy Rossé, Carlington Putin foram encontrados todos queimados em estado de decomposição na casa de Regina Romona.

Há vários meses a novela saiu do ar justamente no momento em que os atores deixaram de ser vistos perambulando pela Avenida Paulista e rua Augusta, como era de praxe, devido à homossexualidade de todos. Os meios de comunicação sequer noticiaram o fato com o intuito de não atrapalhar as investigações da polícia, que suspeitava de sequestro desde o princípio.

A cada dia que se passava, porém, todas as desconfianças de sequestro se transferiam para outra, muito pior e inabalável: de morte. Porque nenhum sequestrador tentou entrar em contato com a polícia ou as famílias das vítimas. Além disso, todos os atores eram muito gentis no tratamento com o público, levando a crer que nenhum criminoso, mesmo os das piores índoles, sequestraria alguém do elenco de tão afamada novela.

A agonia dos fãs e dos familiares chegou ao fim somente nesta sexta-feira, quando foi divulgado que todos os atores da saga foram encontrados mortos já em estado de decomposição na casa de Regina Romona, que interpretava a dona Rodolpha. Os corpos estavam todos em um semi-círculo, o que leva a crer que morreram cantando.

Segundo a polícia, a morte conjunta não foi causada intencionalmente: um curto circuito em um liquidificador teria incendiado a casa e matado a todos, um por um. "O fogo agiu como um assassino em massa", disse o policial responsável pelo caso, "que foi matando pessoa por pessoa e de repente sumiu".

André Ursípedes, dono do blog produtor da novela, disse que nunca mais fará novelas, "porque os atores sempre morrem no final".

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ainda os vegetarianos, ou Os animais sentimentais

Quando, há cerca de um mês, escrevi um texto sobre os vegetarianos, muitos foram os que me xingaram. Chamaram-me de burro, de ignorante e de outras coisas de que não me recordo. Mas eu não fiz este blog para demonstrar que não sou burro ou ignorante. Pelo contrário!

Se o leitor quiser que eu pare de escrever sobre os vegetarianos, acho melhor que ele me processe ou arrume alguma forma de tirar este blog do ar. Porque estes insultos não revelam que sou burro ou ignorante. Pelo contrário, revelam somente audiência. Audiência desqualificada, mas que mesmo assim é audiência.

Tenho outra reflexão sobre os vegetarianos que gostaria de compartilhar com os leitores.

Os vegetarianos são aqueles que, por não comerem carne, se acham superiores por isso. Eles não comem as melhores comidas possíveis porque sentem uma inominável culpa de comer bichos muito semelhantes a eles e a nós! Como o macaco é parecido com o ser humano, pensa o vegetariano. Conheço até um caso de um sujeito narigudo que virou vegetariano após ver um tucano no zoológico!

Isto, minha gente, não é motivo para superioridade nenhuma. É somente um critério nutricional. Por exemplo, eu só como comida gostosa; os empresários só comem comida que seja cara; os mendigos comem comida que seja comida; e os vegetarianos só comem comida que não lhes dê sentimento algum de culpa.

Agora percebam como este critério é muitíssimo duvidoso.

É sabido que muitos animais que os vegetarianos não comem, comem outros animais. Eu mesmo já vi no Discovery Channel uma onça perseguindo um coelhinho, e admito que foi horrível. Mas estes animais comem outros porque é preciso, porque é gostoso – pelo mesmo motivo que nós.

Eu entendo quando os vegetarianos não comem uma vaca, porque a vaca só come capim. A vaca está livre desta culpa. Mas não há motivos para não comer os animais carnívoros. Se carne é assassinato, nós somos assassinos e estes animais também o são! Se quiserem uma justificativa divina: Se Deus achasse injusto que comêssemos animais sentimentais, proibiria a Adão e Eva um coraçãozinho quentinho numa churrasqueira – não uma maçã.

Proponho, então, que os vegetarianos deixem de comer somente os seres que não têm culpa: Os seres que não comem outros seres. Assim, eles podem voltar a se deliciar com carnes sem ter o ônus da consciência pesada, pois só comerão os culpados.

terça-feira, 17 de março de 2009

O preço das coisas

É comum que as coisas sejam medidas pelo preço que se dá a elas. Um pote de doce de leite que custe cinco reais é provavelmente mais gostoso do que aquele de dois reais e cinquenta centavos. Assim como um jogador de futebol com o preço de vinte milhões de euros é provavelmente melhor do que aquele de cinco milhões de reais (aqui há distorções, mas não nos atemos a elas).

Há momentos em que queremos demonstrar que alguma coisa vale muito dinheiro, não importa o quanto. Momentos em que ficamos indignados e queremos fazer entender que para coprarmos esta coisa, teríamos que abrir mão de coisas maiores do que valeria realmente a pena. Nestas horas, fala-se: "Vale o olho da cara!".

Quem diz, pensa que está assustando o interlocutor, quando na verdade o está enchendo de tédio. Quem ouve que alguma coisa vale o olho da cara, pensa que não vale muita coisa, já que nós temos dois olhos na cara. Caso queira assustar, diga: "Vale o olho do cu!". Porque no cu, a gente só tem um olho.

sexta-feira, 13 de março de 2009

André: "Os ateus são uns bobos!"

Infelizmente hoje não há foto para a entrevista com André. Havia no nariz dele uma catota que não saía nem com Photoshop, e uma das grandes atrações da internet mundial será publicada sem foto.

Demorou para que André voltasse a dar entrevistas. Desde os entreveros que teve com o coma a que foi submetido, não queria dar entrevistas com o medo de parecer um pouco lesado. Questionado se o silêncio não era a pior opção, já que então as pessoas pensariam coisas piores, dizia sempre que é melhor não ter provas.

Ele estava estirado quando seu empregado me encaminhou até ele. "Jarbas! Me traga o café!", disse antes de me dar oi. "Eu já disse que não me chamo Jarbas, senhor", respondeu Jaime. "E eu já te disse que não importa e que vou te chamar de Jarbas assim mesmo!", encerrou André.

Como já se sabe, o bom humor não é o forte deste homem. Hoje, porém, ele estava tão insuportável, que quase cancelei a entrevista alegando desconfortos intestinais. Mas que fique bem claro que seria somente um blefe, para colocar este homem no seu lugar.

Eu: Como é, André? Qual é a boa?

André: A boa é que eu voltei a dar entrevistas. Para celebrar a volta, nada melhor do que começar com chave de ouro e conceder a primeira entrevista a mim mesmo. Eu me conheço muito bem e, por incrível que pareça, sou o entrevistador que mais me surpreende!

Eu: Obrigado pelo elogio. Você está querendo me ofender com alguma coisa, não é?

André: Exatamente. Por que você diz que eu tenho uma catota incorrigível no nariz enquanto é você que está com preguiça de fazer a montagem no Photoshop?

Eu: Veja, não é isso. Olha essa catota. Você sempre acha que não tem nada, e quando vai ver é aquela coisa toda!

André: Jarbas! Traga o espelho!

Jaime vem correndo com o espelho como se já o tivesse à mão. Neste momento tive a impressão de que Jaime é fruto da imaginação que André usou somente para fazer pose de rico na entrevista.

Eu: Está vendo? Olha o catotão aí!

André: Não tem catotão nenhum. E se você continuar a falar sobre isso, eu encerro a entrevista.

Eu: Não fale assim. Me conte um pouco sobre as suas recentes opiniões futebolísticas.

André: Tenho uma opinião muito triste sobre o futebol. Eu acho que o futebol bonito é impossível. Veja o Palmeiras, jogando lindamente. Parecia a seleção de 70, porque todo futebol bonito tem que remeter ao menos um pouco àquele time de 70. O Palmeiras ganhou dez jogos seguidos, perdeu dois e todo mundo tira a conclusão de que futebol bonito só é bom para os adversários. O problema é que os jogadores e o treinador engoliram a crítica e concordaram com ela. Ou seja, ninguém mais joga bonito nesse mundo. E quem tenta, sempre acaba desistindo, quase que se desculpando depois por ter encantado.

Eu: Triste isso. O Valdivia não para de jogar bonito.

André: O Valdivia é um caso à parte. Muito à parte, por sinal. Não sei como foi possível nascer um jogador engraçado nos dias de hoje. Às vezes o mundo sem graça dá à luz gente engraçada, e o mundo engraçado faz nascer gente chata. Prova de que a genética não funciona tão bem assim.

Eu: É mesmo. Graças a Deus, senão seria tudo muito previsível. Me diz aquilo sobre a oração.

André: Que oração, meu chapa?

Eu: O Pai Nosso.

André: Ah, sim! Veja que engraçado. Tem muita gente que só reza para pedir, não é? Que só lembra de Deus na hora em que precisa de alguma coisa. Para essas pessoas, Deus é como uma privada, com quem você só se relaciona quando precisa dela. Mas a questão é a seguinte. A pessoa precisa de alguma coisa e reza o Pai Nosso. Reza mecanicamente, porque no meio do Pai Nosso, está "Que seja feita vossa vontade"! Entende? Então não adianta nada, a pessoa pedir antes, porque logo depois ela pede que seja a vontade de Deus que prevaleça.

Eu: Você sugere, então, que a pessoa pule este verso?

André: Não sejamos tolos. O melhor a se fazer é rezar outra oração, porque tanta gente reza o Pai Nosso, que Deus não presta muita atenção. Então se alguém pular um verso, Deus não vai notar, entende?

Eu: Sim, sim. Entendi. Você acredita em Deus?

André: Acredito. E acho muito bobo quem diz que não acredita. Os ateus são uns bobos. Use isso na manchete, se quiser. Os ateus são uns bobos!

Eu: Bobos por quê?

André: Porque não acreditam em Deus!

Eu: E desde quando é bobo quem não acredita em Deus?

André: Eles são bobos, porque quem não acredita em Deus não acredita em alguma coisa maior, então se acham o máximo, entende? Eles acham que são o topo da evolução do Universo. Eu digo isso principalmente porque os ateus se acham muito inteligentes. É só para baixar a bola.

Eu: Sim, sim. Você não acha melhor parar com este hábito de criticar quem é bom e elogiar quem é ruim?

André: Veja. Eu reconheço que às vezes isso atrapalha, porque critico o bom e ele desacredita as próprias habilidades; e elogio o ruim, e ele acha que as ruindades que ele está fazendo são ótimas. A intenção é elogiar o ruim para que ele se sinta estimulado a melhorar, e criticar o bom para que ele não fique arrogante.

Eu: Isso funciona?

André: Não. Isso não funciona. Mas é uma delícia criticar coisas boas. Não sei explicar, não sei.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Pesquisa revela que André Cintra toma cerca de dois banhos ao dia

As pessoas que acham que André Cintra é um porco de primeira precisam rever seus conceitos urgentemente. Uma pesquisa realizada entre os dias primeiro de fevereiro e onze de março de 2008 revela que André não só toma banho todos os dias, como tem média superior a dois banhos por dia.

"Eu tomo mesmo dois banhos por dia", diz André, satisfeito com o resultado, "porque eu fico cansado, me sinto nojento, e nada como vários banhos para melhorar a situação".

Esta situação é novidade para quem acompanha a vida do jovem palmeirense. Quando criança, era preciso um forte trabalho de persuasão para levar o menino ao banho. "Eu tinha que oferecer contrapartidas para que ele se limpasse ao menos uma vez a cada dois dias!", diz a mãe em tom divertido.

Mesmo após a infância, o garoto nunca foi fã dos banhos. "Eu tomava um por dia, mas nada muito caprichado", diz. A mudança se deu quando começou a sentir prazer no ato e até a sentir falta dele quando suava. "É uma coisa inexplicável. Lá pelos quinze, dezesseis anos, comecei a tomar banho como quem toma água. E não parei nunca mais!", acrescenta.

Os horários dos banhos são sempre os mesmos: um pela manhã e outro pela noite. De manhã, André se banha após acordar, antes de ir à faculdade. "Esse banho é bom, que me faz acordar e me limpa ao mesmo tempo. Tem função dupla!", diz, enquanto escova os dentes. O segundo é sempre tomado à noite, quando volta do trabalho. "Esse é meu preferido. Já estou acordado e tomo só para tirar sa impurezas da minha pele, mesmo", diz levemente humorado.

A pesquisa ainda revela que a média de duração dos banhos é de quinze minutos, variando de oito a vinte e três. Os de menor tempo são aqueles em que ele não tem paciência para o banho, e os de maior duração são aqueles em que ele se distrai e faz várias coisas repetidamente. "Tem vez em que eu passo xampu várias vezes no cabelo sem saber, porque eu relaxo tanto e me distraio!", revela com sorriso no rosto.

André acha que a média dificilmente mudará nos próximos anos, e que se alguém for contra por motivos ambientais, "que tomem eles menos banhos, porque eu não vou reduzir!".

André Cintra entra em conflito com jornaleira

O mundo realmente não é para os fracos. Na manhã desta quarta-feira, André pretendia comprar três balas em uma banca de jornais na região de Perdizes, cujo valor somado seria de R$0,50. Procurou em sua carteira a menor nota possível e encontrou somente uma de dois reais. "Pensei que não haveria problemas, já que o valor da nota é próximo ao da compra", afirmou André. Ledo engano.

A jornaleira, de nome não divulgado, não concordou e teve um chilique. Assim que viu a nota, se exaltou, dizendo que "eu não vou trocar dinheiro para você, não! Puta que pariu!" e deu um soco forte na mesa de vidro. André, então, pediu que ela olhasse para ele. E assim que ela mirou-lhe raivosamente, disse, indignado: "A senhora pode recusar a venda. Não precisa fazer escândalo. Eu não sou seu psicólogo, não!"

A compra acabou não sendo feita, mas André não passou fome. "Meu estômago reclamou e eu tive que comprar paçoca em uma outra banca", revela exaltado. Com a mesma nota de dois reais, a paçoca foi adquirida e André ainda recebeu o troco de cinquenta centavos. "No fim, foi até melhor. Paçoca é muito melhor que bala", diz o palmeirense de estômago cheio.

terça-feira, 10 de março de 2009

Aprendendo a ironizar

Todo blog é necessariamente professoral.

Este é um grande exemplo. Passo o tempo todo ensinando o leitor a se tornar melhor. Ensino como se portar à mesa, como falar com desconhecidos, como se comunicar com conhecidos... Enfim, eu o ensino a se aproximar ao meu nível - que pressuponho ser elevado em relação ao dele, já que é o leitor quem vem ao meu blog, não eu que vou ao blog do leitor.

Começarei uma série em que ensinarei explicitamente a usar certos artifícios que a vida humana oferece. Palavras, sentimentos, expressões - ensinarei tudo o que é indispensável para se viver superiormente, esnobando as pessoas salutarmente e se fazendo respeitar. O ponto de partida será o uso correto da ironia, porque tenho notado que ela vem sendo utilizada de maneira infame e pouco eficaz. Diria que somos analfabetos irônicos - que me perdoem pela gravidade deste diagnóstico. Como este blog é muitíssimo lido, sinto-me obrigado a ensinar o mundo a ironizar.

Vejam também que não provoco discórdia com a ampla divulgação da ironia. Assim como Maquiavel ensinou como são os métodos políticos e foram os oprimidos que se utilizaram deste conhecimento, eu ensinarei a ironia para quem ainda não ironiza - porque os ironizadores estão pisando em cima delas como um fumante pisa na bituca de cigarro. O livro de Maquiavel não é tão bom quanto será este manual, mas peço que o perdoem por não ter seguido a risca todos os meus conselhos.

Primeiro aviso: Não use a ironia contra gente que goste de você. A não ser que você queira que essa pessoa não lhe sinta mais nenhum apreço - mesmo assim não é recomendável. Até Bono Vox, que tem um bilhão de adoradores, não ironiza quem gosta dele, pois sabe do trabalho que teria para fazer a pessoa gostar de volta - seria mais fácil cativar outra pessoa do que recuperar uma desperdiçada.

Como você provavelmente não sabe ironizar corretamente, espere para ironizar somente depois de seguir todos os passos deste aprendizado. Tim tim por tim tim. Porque a ironia tem um poder de destruição que você às vezes não gostaria de ter. É como usar um lança-chamas a esmo, descontroladamente.

As primeiras lições serão chatas, como todas as primeiras lições que se aprende na escola. Mas são estritamente necessárias, pois são imprescindíveis para dominar a ironia posteriormente. Tenha paciência agora para ser recompensado depois.

Comecemos entendendo como surge a ironia na vida de uma pessoa.

O alfabeto irônico não começa com A, começa com O. É com esta letra que se começa a ironizar instintivamente na infância. A criança sente a necessidade da ironia quando percebe que não há nada que faça os adultos pararem de provocá-la. É preciso uma arma que faça o adulto cessar de chamar a criança de torcedora do time errado, ou de insistir que espinafre é gostoso. Há um jovem famoso cuja vida irônica começou assim:

- Filho, coma este palmito! É uma delícia. - disse a mãe.

- Ô! - disse o filho.

Quando se usa uma ironia, toda a raiva que o sujeito sente é direcionada e descarregada na vítima. A raiva que carrega o sujeito é como a gasolina que municia o lança chamas. E o sujeito descarrega quando lhe é conveniente. Por isso que a ironia quase sempre é desproporcional, porque não foi a vítima que carregou toda a raiva.

Assim o foi com a criança que acabou de dizer Ô. Ela não sentia tanta raiva neste momento, mas a descarregou totalmente na mãe.

A mãe mirou-o aterrorizada, mas de súbito percebeu que não estava mais lidando com um bebê; estava lidando com uma criança. Ela teve um repentino orgulho misturado com a sensação de perda que acomete os pais todas as vezes em que eles notam que a criança cresce. A partir de então, os pais se acostumam com a ironia do filho e passam a cativá-la como um masoquista que pede o tapa ao dominador.

- E aí, santista! - diz o tio ao sobrinho palmeirense.

- Sou santista, sim. Inclusive o Pelé é meu pai. Não sou negro porque
sou albino.

A família se choca agora, porque o caçula desenvolveu sutilmente a
ironia. Saiu do Ô para outras formas mais complexas, com frases cheias e completas. Continuemos no próximo capítulo.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O plágio

O plágio é, primeiramente, um elogio.

Quarta-feira retrasada, um amigo pegou um texto dele sendo plagiado linha por linha. Até as vírgulas, o sujeito plagiou. No final, sem a devida dó, colocou o nome próprio no texto alheio - eu queria dizer que quase por um acidente o plagiador plagiou também o nome do meu amigo. Pois meu amigo, o Roberto, esbravejou a todos. Em seu blog chegou a dizer que o plágio deveria ser questão de óbito. Em entrevista à imprensa escrita, declarou que o grande mal do Brasil são os plágios. Para os amigos próximos, exclamou que nunca foi tão ultrajado na vida. E à mulher, coitada, negou sexo por sete dias, passando todos na cama pedindo café a cada meia hora.

O que Roberto não revelou a ninguém por um mínimo de pudor foi o quanto ficou lisonjeado por ter sido plagiado. Ele precisava de alguma coisa assim nos últimos tempos para se sentir um grande sujeito, um grande escritor! Os livros lançados anteriormente não tinham valor nenhum antes deste plágio. Aqueles textos que não causavam nenhum impacto foram, enfim, plagiados!

Enquanto xingava o plagiador, Roberto na verdade agradecia-lhe profundamente! O sentimento de gratidão extravasava as palavras raivosas, a ponto de ele melhorar a postura enquanto se distraía. Um desconhecido, entrando por um acaso na conversa com este tema, pergunta:

- Foi então plagiado, Roberto?

- Fui, fui! - respondeu como quem ganha um elogio.

É esta, pois, a questão. Como está escrito na primeira linha - nunca pule a primeira linha - o plágio é o grande elogio. Não há, lhes digo, elogio maior que o plágio. O plágio é a provação final que um sujeito das artes recebe no auge da vida. É preciso ter certa genialidade para ser plagiado. Porque ninguém plagia o incapaz, o débil mental, o ignorante, o desprezível. Beatles, Dostoievski, Oscar Wilde, Eça de Queiroz, são plagiados todos dias. Plagiamos somente os grandes mestres, quando nos sentimos inferiores e queremos ser como eles.

Aconteceu nesta semana de um sujeito me fazer uma consulta esquisita. Ele perguntou se não com essas palavras, com palavras parecidas. O sentido era o mesmo:

- E aí, colega? Posso te plagiar?

Eis uma nova coisa: O plágio consultado. É claro que recusei e disse para a pessoa que ela devia ter o próprio cérebro. E encerrei nos seguintes termos:

- Faça o que eu faço, mas não fale o que eu falo. Senão te processo por plágio!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Clássicos? Sei. - James Joyce, O retrato do artista quando jovem

De Paulo Coelho a Márcia Cabrita, de Dostoievski a João do Rio, de Bruno Aleixo a Garrincha, muitos artistas devem a genialidade de suas obras unicamente a mim. James Joyce é um deles.

O caso de Joyce é peculiar porque não se tratou de uma consultoria ou de um serviço de ghost writer. Infelizmente é um caso de plágio. Um não. São vários e descarados plágios. Não há uma linha do autor escocês que não seja cópia ou inspirada em alguma ideia ou algum texto meu.

Não sei o que o autor pretendia com isso. Talvez ganhar uma fama repentina com a genialidade das obras ou então uma grande vergonha agora, quando o desmascaro. Aliás, por um acaso Joyce acha que a vida é um carnaval para passá-la toda de máscara? Eu recomendaria que tentasse disfarçar e imitar outros autores, porque não aguento mais estes gastos com advogados e advogadas.

O retrato do artista quando jovem? Cópia do meu O retrato do autista quando jovem. Ulisses? Cópia deslavada do meu grande livro O lisses. Por aí afora. Ouvi dizer, porém não posso confirmar, que o afamado autor chega a contratar detetives particulares para descobrir e copiar minhas vestimentas, minhas frases de efeito e, pasmem, meu time de futebol. Saibam agora de uma grande coisa: James Joyce é palmeirense. Pelo menos nisso, não me importo que me copie.

O descaro é tamanho, que fontes garantem que ele troca cartas com ninguém menos que José Saramago. Sim, o homem que me plagiou em O ensaio da cegueira. Veja o suposto conteúdo de uma das cartas.

"Caro James Joyce,

É muito bom que o senhor tenha aprendido português por conta do brilhante autor André Ursípedes. Eu já sabia desde a infância, mas se não soubesse faria o mesmo. Um fã tem que procurar ler a obra do ídolo em original.

Quero lhe confidenciar as últimas coisas que descobri sobre André. A namorada dele se chama Juliana, ele vai cortar o cabelo amanhã e o jogador preferido dele é Valdivia. Ah! Descobri também que quando criança, ele não tomava Coca-Cola em lata por achar que tem muito gás, e que até hoje morre de saudade do cão Cafu, que teve dos 6 aos 20 anos.

Esse homem é fogo. Será que ele fica muito bravo com nossos plágios? Espero que não, pois eu, José Saramago, queria, na verdade, impressioná-lo, mostrar intimidade. A intenção era somente de aproximação.

Espero que o senhor passe bem e que cesse o ciúmes. Porque André não é gay e não dará bola a nenhum de nós dois. Creio que seja melhor nós nos juntarmos. É uma atitude mais sensata.

Abraço efusivo,

José Saramago"

A resposta de Joyce:

"José Saramago,

Como tem passado em Portugal? Espero que os passos para a criação do fã clube de André estejam tão avançados como estão aqui. Sabia que a gente já tem até logotipo?

Tudo o que você disse sobre o André não era novidade nenhuma para mim. Acho que tem uma coisa que você não sabe. O sobrenome Ursípedes deriva da União Soviética. URSSípedes. A vida lhe tirou um S, não sei por quê.

Quero encontrá-lo urgentemente. Você é muito bonito. Adorei o seu perfil do Orkut.

Grande abraço. Estou a caminho de sua residência. Espero chegar antes desta carta.

James Joyce"

Um descaro, caro leitor. Um descaro!

É triste saber que senhores passam grande parte da vida se dedicando à minha vida enquanto poderiam se debruçar sobre meu blog e meus livros publicados pelo mundo. Eles tiveram o trabalho de plagiar livros meus linha por linha, mudando somente alguns pontos essenciais para criar-lhes uma forma singular de escrita, e agora se esqueceram de que o que faz de mim um grande homem não é minha grande vida, senão meus grandes escritos!

Isto é uma coisa a se lamentar. Outra é a perda de qualidade nas obras. O Retrato do autista quando jovem, que fiz baseado em toda minha infância, sugou muito de minha vitalidade durante a composição. Foi um romance que imperou sobre minha vida. Lembrar-me da infância não pôde deixar de ser doloroso; porém, o resultado do livro foi um fenômeno.

Um pequeno trecho a se apreciar:

"Minhas professoras começaram achando graça ao notar que eu entendia sete línguas. Chamaram o diretor para ver, e ele teve um mal súbito, o que ajudou a tirar meu autismo do foco durante alguns meses. Quando se esqueceram do diretor, porém, chamaram meus pais para lhes divulgar a grande sentença:

- Seu filho é um autista! Um autista!

Foi o momento de maior alegria na vida de meu pai. Como se sabe, autismo é genético, e ele estava desconfiando deveras de sua paternidade."

Não comprem mais os livros de James Joyce. Prefira os originais.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Deu, o singular de Deus;

no começo do século XX, quando revolução francesa era comentada como algo que havia acabado de acontecer, e no cinema não havia mendigos nem tarados se masturbando, Deu dava seus primeiros passos na universidade veterinária.

Os professores se intrigavam muito com este aluno tão peculiar: Como ele ia tão bem nas aulas práticas e tão mal nas teóricas? Certa vez ele respondeu que cachorro tinha penas no pé em uma prova de anatomia. Outra, quando perguntado sobre o que é um gato, respondeu somente que é um animal que mia. Mas nas aulas práticas, Deu era um estouro. Chegou a trazer à vida um cachorro que estava morto havia quatro horas - os outros alunos não gostaram deste feito, porque tiveram que devolver o animal à dona. Quando perguntado como havia feito aquilo, ele somente respondeu:

- Não sei. Acho que ele estava dormindo.

Não estava! Todos os exames já tinham sido feitos, e o resultado era um só: óbito na certa! É que nesta época Deu não tinha noção do poder que detinha. Um professor, sacando com quem estava lidando, revelou o que Deu sequer desconfiava:

- Deu, eu sei quem você é. Você é o singular do plural, a parte do todo, a limitação da onisciência e da onipresença. Deu, você é o singular de Deus! Sou seu primeiro fiel.

Sabendo disso, Deu abandonou a medicina veterinária. Para que estudar o que ele sabia fazer sem sequer pensar? Mas notando o efeito do que fizera na faculdade, realizou um grande evento na cidade de Londres sem revelar o que era. Dezessete mil pessoas lotaram o estádio de Wembley para assistir ao que aquele grande homem propagandeava como a coisa mais chocante e engraçada de todos os tempos.

Deu chegou pontualmente ao local e foi logo dizendo qual era a grande revelação.

- Um elefante com elefantíase! Eu criei um elefante com elefantíase! - disse Deu, o singular de Deus.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Deu, o singular de Deus;

não é por não gostar de fazer amigos que Deu seja sozinho. São as pessoas que não gostam de fazer amizade com ele.

Como acontece com todo tipo de gente superior ou santa, Deu é desmerecido e desacreditado assim que revela suas habilidades. Uma vez ele passou um mês se apresentando como Rogério e fez dezessete amigos no total. Sendo Deu a vida inteira, fez só três, sem incluir, é claro, os fiéis.

Quarta-feira passada foi um daqueles dias em que ele não esperava nada da vida. Tomou seus refrigerantes sem sentir muito prazer, depilou os pelos das axilas como faz uma vez por mês, dormiu e acordou sem o alarme precisar despertar... Enfim, era um dia essencialmente comum.

Quando chegou a sessão da tarde, tocou sua campainha e a pessoa do outro lado trouxe-lhe muito mais alegria do que ele esperava enquanto abria os quatorze cadeados da porta.

Era Moisé, o singular de Moisés. "Mas este assunto fica para uma outra vez", pediu-me Deu, o singular de Deus.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ombudsman - Desatualização

Por Pelé, o Ombudsman

Este blog é como o time do Santos nos anos 60: Sempre quando a coisa complica, sobra para Pelé. A diferença é que o Pelé do Santos foi o melhor na sua função de todos os tempos, e eu sou somente um aprendiz que busca conciliar dois interesses conflitantes: o do autor e o do público.

O autor busca expor sempre sua genialidade no mais alto nível, para assim se sobressair em relação ao leitor e diminuí-lo; já o leitor quer fazer uso da genialidade do autor e se equiparar a ele. Eu diria que é uma luta de gato e rato, mas como não uso clichês, é uma luta de velocistas na final olímpica. Ou quase isso.

Na semana passada, um grave problema foi visto neste blog. Um problema cujo início é um indício claro do fim de um blog: a falta de atualização.

Um blog desatualizado é o homem sem respiração. Há quem pense que o problema maior que pode acometer um blog é a falta de visitas. É verdade somente em casos específicos, nos blogs picaretas cujo único intuito é manter-se visitável. Este blog tem o intuito contrário. É um blog feito para publicar, e ser visto é somente uma consequência - agradável ou não.

Tratei de enfatizar a André, na última reunião que tivemos, este grande problema.

- André, por que o blog não foi atualizado na semana que passou?

- Pelé, você acha que manda em alguma coisa? Só vou responder porque você está muito bonitinho hoje. O blog está desatualizado simplesmente porque na semana passada foi carnaval e eu estive viajando. Aliás, foi muito bom que você tenha perguntado isso, porque quero dizer que foi muito bom que esta desatualização tenha sido feita, porque foi importantíssimo para dar uma arejada neste ambiente verde.

Desta vez André passou com uma resposta perspicaz e plenamente satisfatória. Na próxima vez, porém, ele terá que reduzir meu salário, ou mesmo me demitir, para me humilhar desta forma. Porque eu irei mais preparado do que nunca. Afinal, eu sou Pelé ou um saco de pipoca?

segunda-feira, 2 de março de 2009

Entrevistas com lideranças - Obama, Obina e sósias

Quando comecei a seção de entrevistas com lideranças mundiais, realmente pretendia colocar em prática o motivo da criação deste blog: Resolver os problemas do mundo. Acontece que, como ocorre com as coisas muito bem feitas, muita gente não acreditou. E pior: achou graça.

As entrevistas todas perderiam toda a graça se pensássemos nas quarenta e seis crianças da Etiópia cujo peso somado chega somente aos setenta e seis quilos e podem entrar todas juntas em um elevador; ou então no sujeito que empalou um etíope e não conseguiu fazer um espetinho; ou no outro etíope que não tinha cu, mas não explodiu porque não comia o suficiente para produzir gases e soltar pum.

Não é intenção deste blog fazer graça. A intenção do blog é, repito, resolver todos os problemas do mundo. Primeiro todos depositaram as esperanças em Lula. Ele melhora o Brasil, mas o Brasil é parte muito pequena do mundo. Então pensaram em Obama, e já é notório que ele não resolverá o problema do mundo. E foi neste momento que todos olharam para mim. Eu, no alto de minha timidez crônica, respondo somente:

- Tudo bem, tudo bem! Eu resolvo o mundo! Agora parem de olhar para mim!

Minha primeira atitude foi fazer textos educativos para toda a população. Muitos brasileiros me perguntam se minha pretensão não seria exagerada, pois escrevo somente textos em português. Assim, segundo o raciocínio destes brasileiros, gente que lê em outras línguas, como os ingleses, espanhois e, por que não?, os turcos, não conseguiriam ler e compreender o blog. Ora, não sei se vocês sabem, mas Fauro Goares é meu amigo imaginário. Fauro, o escritor do amor, me ensinou o seguinte: "Escreva com amor, pois a língua do amor é universal". É escrevendo com amor, pois, que consigo me comunicar com todo o mundo.

Muitas melhoras provenientes de meus textos já estão sendo observadas. O povo sul-africano já elegeu um jovem virgemariniano como presidente do país; os americanos já estão passando fome; os africanos já têm tanta fartura, que desperdiçam comida; e o jeitinho brasileiro está sendo ensinado em todas as escolas europeias.

Estas atitudes, entendo, causaram rebuliço. “Você está resolvendo alguns problemas mas está criando outros!”, disseram todos os leitores. Acontece que é preciso que todos passem pelas dificuldades capitais para que tomem atitudes reparadoras. Se o mundo inteiro fosse alimentado de uma hora para outra, os africanos seriam privilegiados, pois seriam os únicos com a experiência da fome.

A revolução é gradual. Somente daqui a cinqüenta e seis anos, quando todos já terão sentido bastante fome, é que a igualdade virá em sua forma plena.

Agora é possível entender por que a crise financeira mundial não é uma questão especulativa. A não ser que mexer meus pauzinhos contra todas as pessoas poderosas do mundo seja considerado "especulação" no seu vocabulário. Aí é uma questão meramente pessoal.

Enquanto tudo não se resolve, atitudes têm que ser tomadas. Resolvi propor o encontro de duas das maiores personalidades do mundo de hoje. Semanas atrás, entrevistei Obina e Obama separadamente, sem me dar conta de que eles tinham nome parecido. Foi quando entrei em um boteco sujo, imundo, encardido!, que me deparei com a realidade óbvia, ou como diria o gênio, ululante: “Obama é parecido com Obina”.

Você pode imaginar que não foi fácil conseguir uma conciliação entre a agenda de Obama e de Obina. Quando Obama podia numa quarta-feira à noite, Obina não podia por conta de um clássico inadiável; quando Obina podia num sábado chuvoso, Obama recusava pelo despeito da recusa anterior de Obina. Foi um duelo de egos quase insustentável que tive que conduzir com o tato que me é peculiar. Quando encontramos uma data em que, enfim, o grande encontro poderia acontecer, eu tive gripe mas fui assim mesmo, temendo que fosse a oportunidade derradeira.

Marcamos para a França, território neutro e que tem petit gateou, e nos encontramos todos com abraços efusivos. Obama se arrependeu na hora de ter feito birra com Obina. Ele percebeu que o flamenguista não teve nenhum prazer em recusar-lhe o encontro. Era o jeito do rapaz, indolente e genial assim mesmo. "Fica tranquilo, Obama. Fica tranquilo que Obina nem reparou. Ele é um cara simples", me apressei a dizer assim que percebi o constrangimento de Obama todo poderoso.

Rumamos apressadamente ao estádio em que disputaríamos uma grande pelada. A união dos líderes era urgente, e nada melhor que futebol para unir as pessoas. Óbvio que tive o cuidado de colocá-los no mesmo time. Eles ficaram felicíssimos com a grata surpresa: Chamei sósias para completar o time e garantir a segurança dos craques. Assim, Se um atirador de elite estivesse no local, teria que matar vários Obinas ou Obamas até achar o verdadeiro. É claro que o jogo ficou muito mais engraçado, também.

O único problema encontrado foi o de que faltou um Obama e um Obina. Chamei um rapaz da geral do Fountaineblezão vestido de homem-aranha para jogar no gol e um imigrante ilegal para completar a zaga. Posso dizer que a equipe de daltônicos que enfrentamos não viu a cor da bola laranja e vencemos por sete a um. Ninguém sabe explicar o gol sofrido.

O papo ocorreu assim que terminou o jogo. Foi grande a comoção internacional diante de um Obama suado e de um Obina de banho tomado e de terno. Os sósias ficaram ao fundo, observando - os Obamas com a mão no queixo e os Obinas tomando picolé.

- É uma imensa satisfação encontrá-lo, Obina. - começa Obama - Uma grande atitude deve ser tomada. Estou perdido. Necessito de toda sua sabedoria. Como faço para alimentar as crianças famintas do mundo?

- Você tem que dar comida para elas - diz Obina. - Assim como arma mata gente, comida mata fome. É simples. Eu aprendi isso quando criança e creio que devo informar às pessoas de todo o mundo toda minha sabedoria.

- Tem problema de dar frituras às crianças?

- Não. Sabe qual é a melhor comida para se alimentar um faminto? Comida. Qualquer comida, meu caro Obama. Quando chega para o seu almoço uma comida que você não gosta, você rejeita, mesmo que não tenha comido nada durante o dia inteiro porque sua fome dura um dia. A fome de um dia não é exigente como a fome de uma vida inteira. Percebe? Um sujeito com a fome crônica não diferencia lazanha de cebola, Coca de Dolly, pão italiano de alface...

- Desculpe, Obina. Mas o que é Dolly?

- Dolly é uma marca de refrigerantes muito conhecida em meu país.

- É boa?

- Não. Por isso que dei o exemplo em contraposição à Coca.

- Obina. Você me desculpe, mas o senhor está mais culto que o normal. Não estou ouvindo palavras de baixo calão, nada de simplório, embora a conversa esteja me agradando deveras. Há alguma coisa diferente no senhor que não posso precisar.

Obina havia ido embora e estávamos conversando com o sósia!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Na careca do vovô

Eu vi um texto
na careca do vovô.
Assim que ele me viu
bateu asas e voou!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O texto

O texto, iá iá.
O texto, iô iô.
O texto bateu asas e voou.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Entrevistas com lideranças - Obina

Os encontros com as lideranças de todo o mundo não têm sido muito frutíferos. Não sei se o caro leitor notou, mas os índices de fome na África continuam os mesmos, a desigualdade social do Brasil não diminuiu, o Bono Vox continua tendo muito sucesso e a crise está piorando cada vez mais. Não pensei que teria que incluir estes assuntos nas entrevistas. Achei que fosse implícito.

As lideranças mundiais estão muito despreparadas. Elas não entendem nada que não seja dito literalmente. Não contei na entrevista, mas disse para Obama que estava com água nos joelhos e ele não me ofereceu o banheiro! Tive dizer que queria urinar para que então ele tivesse a ideia de me encaminhar ao banheiro.

A única serventia destas entrevistas até hoje foi o aumento de visitas neste blog. Gente que me desconhecia mas que conhecia Obama, passou a me conhecer. E o contrário também ocorreu. Muitas pessoas não tinham ideia de quem fosse o presidente americano, e passaram a conhecê-lo sob minhas palavras. Não deixa de ser uma honra. Isto demonstra, porém, o perfil das lideranças de hoje. Elas não são boas no que fazem, são boas de audiência!

De hoje em diante, procurarei as autoridades que realmente podem mudar o mundo e as cobrarei por isso. Nada melhor que começar com Obina.

No Brasil, não é a autoridade política quem tem a verdadeira autoridade; quem manda é o craque. Nunca vi Obina jogar bem, mas tenho certeza de que é por puro azar. Alguém melhor que Henry, Eto´o e Ronaldinho só pode ser um craque de primeira. Além disso, é um craque que manda na maior torcida do Brasil e do mundo.

(Dizem que há dois times mexicanos com torcida maior que a flamenguista, porém o torcedor mexicano é passivo. Três torcedores mexicanos equivalem a um flamenguista, assim a torcida do Flamengo é maior.)

Encontrei Obina em sua casa, o Maracanã. Fazia sol e eram quatro horas da tarde, e fizemos uma entrevista ótima. Acontece que esqueci de apertar REC e meu gravador não ouviu nada.

- Obina, teremos que repetir a entrevista.

- Claro! É um prazer falar contigo. Mas só repito com uma condição?

- Qual, Obina?! Me diga logo que condição é essa!

- Só repito se você jogar uma bolinha aqui com o pessoal!

Engraçado como há exigências que são muito prazerosas e hábitos que são enfadonhos. Não só é claro que jogaria uma bolinha com o pessoal, como estava querendo isso desde o começo, mas sem jeito para pedir. Foram dois tempos de quarenta e cinco minutos. Pediram para eu vestir a camisa do Flamengo, mas eu me recuso a me vestir um manto que não seja do Palmeiras ou do Inter.

- Por que do Inter, rapá? - perguntou Obina, quase ofendido.

É que minha namorada me fez colorado.

Fiz quatro gols e percebi que dou azar a Obina. Ele não estava em um dia inspirado, já que perdeu seis gols na cara do goleiro. Teve um sétimo que nem goleiro tinha. Engraçado é que ele ria a cada gol perdido, como se gostasse disso. Eu experimentei perder um gol para tentar alcançar a alegria de Obina, mas infelizmente a bola entrou mesmo sem eu querer. Vida de craque é mais difícil do que parece. A foto é da comemoração pelo quarto gol que fiz, de bicicleta. Obina é um sujeito tão legal, que comemora os gols dos outros como se fosse dele. Quando tomamos um gol, Obina também comemorou.

- Obina! Vê se fica na sua! - eu disse, um pouco nervoso.

- Que foi? Foi gol!

- Cala boca, Obina. - e o nosso craque ficou amuado.

O jogo finalmente terminou, 3 a 1 (um dos gols que fiz foi contra), e começamos a entrevista bastante suados.

- Sorte que a entrevista não vai para a TV! Estou tão suado que quem assistisse sentiria o cheiro!

Eu continuaria este devaneio, mas estava latente em mim a responsabilidade social de quem tem um blog como este.

- Obina. Como faremos para resolver a crise no Oriente Médio?

- Onde fica? - respondeu o artilheiro com fina ironia. Sorri ao me deparar com tanta inteligência. Obina revelou ao mundo seu descaso com quem briga. Se o Oriente Médio não estiver em paz, Obina se recusa a falar sobre esta região. É um duro golpe na barriga dos briguentos.

- O mundo está diante de uma grande crise financeira com poucos precedentes na história. O que você acha disso? Você perdeu muito dinheiro?

- Olha, acho melhor acabar com a crise. - fiquei muito avermelhado ao perceber que toquei numa questão pessoal de nosso grande ídolo. Esta entrevista é para resolver o problema do mundo, não para fazer fuxicos!

- Desculpe, Obina. Há alguma solução para a crise?

- Tem, sim. Mas não vou falar.

Caramba.

- A fome da África?

- É o que eu sempre falo. Para resolver a fome da África, tem que alimentar os africanos. Só assim resolveremos este grande problema. Agora eu tenho que ir embora.

Obina se levantou e eu percebi que novamente esqueci de ligar o gravador. Comuniquei isso a ele, que respondeu com grande simpatia:

- Tudo bem, inventa!

E assim se encerrou a entrevista com o maior craque de todos, Obina.

Regra de convivência #68 - Não pedir para ninguém parar de fumar

Os leitores estão ficando preocupados. A cada nova regra de convivência, é uma coisa a menos que eles podem fazer. Já se sabe que não se pode ter filho sem engordar, não pode falar que leu Nietzsche, e muitas outras coisas. E estamos apenas na regra de número 68!

Acalmem-se, leitores, antes de falar alguma coisa. É melhor não falar nada quando se está nervoso. A gente não sabe falar calmo, imagine nervoso?!

As regras de convivência nos impedem de fazer algumas coisas. No começo, é muito ruim, pois são coisas que adorávamos fazer. Mas depois nos acostumamos e nos sentimos superiores a antes.

(Recebo muitos e-mails de pessoas dizendo que gostariam de ser como eu. Elas querem que isso aconteça com alguma fórmula mágica ou por vontade própria. Mas requer muito trabalho ser uma pessoa como eu! Além de seguir todas as regras de convivência, é preciso muita, muita leitura. Para ser como eu, faça como eu: leia sempre meus próprios textos.)

Seguir as regras de convivências traz algumas recompensas. O sujeito que não diz que leu Nietzsche passa a ser mais respeitado, o homem que engorda antes de ter filho é mais amado pela prole, aquele que não pede para ninguém parar de fumar ganha amigos não fumantes. Explico por quê.

Todos sabem que fumar não faz bem. Até uma pessoa burra e analfabeta tem a exata noção do que o fumo é capaz de fazer com um pulmão humano. Mais burra seria essa pessoa se falasse isso para todo mundo.

Porque pedir para alguém parar de fumar tem efeito contrário. A pessoa não se sentirá inibida a fumar.

O sujeito que começa a fumar faz isso para parecer legal, ter uma maior aceitação, ser diferente, chamar a atenção. Ou seja, é alguém que não quer ser chato, mesmo que isso lhe custe um câncer. Pedir para parar de fumar é muito chato, e coisa feita por pessoas que não fumam. Se alguém estiver pensando em parar de fumar, um pedido desses somente incentivará a pessoa a desistir da idéia e fazer o contrário. O sujeito pensará: “Se não fumar deixa a pessoa chata assim a ponto de pedir para os outros pararem de fumar, vou continuar fumando!”

Portanto tenha cuidado. Se você quer que seu pai, sua mãe ou algum querido pare de fumar, mostre que você é mais legal do que ele jamais pedindo para que parem de fumar. Este é o único método eficaz.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Regra de convivência #26 - Não tenha filhos antes de engordar

Os muito magros que me desculpem, mas gordura é fundamental.

A reclamação mais comum das sogras para as noras é a engorda do filho. A sogra diz:

- Você engordou meu filho, sua piranha!

A nora não responde porque não sabe da regra de convivência #26. Se ela soubesse, todo trabalho que ela teria seria o de indicar a leitura deste blog. Eis a resposta:

- Engordei, sim! Eu engordei o seu filho porque quero ter um filho com ele, a despeito de ele ter uma mãe peçonhenta! Caramba, meu filho não vai poder conhecer a avó!

Esta é uma regra instintiva feminina, na verdade. É o instinto materno que vem antes do filho nascer. A primeira atitude que uma mulher tem como mãe é engordar o marido. Uma mulher não gostaria que o pai do filho dela fosse um magro. Porque o filho, antes de entender as coisas e ter juízo sobre elas, tem o seguinte critério: gente boa é gente gorda.

O pai tem que engordar mais que a mãe. Ter uma gordura extra significa dar ao filho a prioridade total. O sujeito que engordou é aquele que desistiu de ser bonito para os outros para ser bom com a família. Gordura extra evita até amantes mais tarde.

Você pensa que a mãe engorda na gravidez porque tem um filho dentro dela? Não. É para parar de ser olhada na rua e ser respeitada, mesmo que não queira. Depois a mãe emagrece; mas como ela esteve gorda durante nove meses, todos lembrarão que ela é mãe e tratarão de respeitá-la.